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Fernando Rolim

O Dr. Fernando Rolim nasceu em Coimbra. Com oito anos, começou a aprender violino e chegado o tempo do Liceu, rumou a Santarém onde estudou no Liceu Sá da Bandeira e foi em terras escalabitanas que se iniciou a cantar em Serenatas e integrou a Orquestra Típica Escalabitana. Regressou a Coimbra para Cursar Medicina, onde cantou em muitas Serenatas, tendo-se licenciado em Medicina em 1958.

Fernando Rolim

Dedicou-se à Medicina na especialidade de Pediatria, estabelecendo-se em Setúbal, mas continuando sempre a cantar Coimbra, sendo uma das vozes que muito celebrizou a “Feiticeira”, da autoria do Dr. Ângelo Araújo.

Gravou agora um novo CD intitulado “Regresso de quem nunca partiu”, lançado em Coimbra a 9 de Novembro de 2007, altura em que aproveitámos para entrevistar o Dr. Rolim.

RL – Como surgiu a sua vocação para cantar Coimbra? Antes ou depois de chegar a Coimbra?

FR – Já antes de chegar a Coimbra. Fiz o Liceu em Santarém, e em Santarém houve alguém que me descobriu e disse que eu tinha boa voz. Então em Santarém ainda no quinto ou sexto ano do Liceu, portanto, com dezasseis anos, comecei a fazer as primeiras serenatas na Rua …

R L – Fez parte também do Orfeão Escalabitano …

F R – Do Orfeão não fiz, fiz parte da Orquestra Típica Escalabitana, foi com eles que fiz os primeiros espectáculos, tinha dezassete anos…

R L – Como foi a evolução da sua carreira de Cantor?

FR – Tive muitos interregnos pela medicina, em que me dediquei mais à medicina do que propriamente à Canção de Coimbra embora nunca a tivesse esquecido. […] Nunca esqueci a Canção de Coimbra, simplesmente dediquei-me muito mais à medicina porque eu tinha duas amantes, tinha e tenho ainda: a medicina e a música. E houve uma altura da minha vida durante muitos anos, dediquei-me mais a uma das amantes do que a outra, mas nunca a esqueci. Portanto, todas as vezes que eu era solicitado para cantar aqui ou ali ia sempre …

R L – Em que momento acha que a sua carreira atingiu o auge como cantor?

F R – Foi no fim do curso …

R L – Em 1958 …

F R – Sim, eu termino em cinquenta e oito, mas o auge da minha voz e daquilo que eu pude fazer pelo Fado de Coimbra sucedeu entre cinquenta e oito e sessenta e quatro, sessenta e cinco, mais ou menos dentro destas datas foi quando eu fiz uma gravação da célebre balada “Coimbra tem mais encanto”, fui o primeiro a gravá-la …

R L – Atribui-se ao Dr. Machado Soares …

F R – Ele é o Autor, mas quem a gravou fui eu, pela primeira vez, depois disso, passado oito a dez anos é que o Dr. Machado Soares gravou e começaram a cantar e a gravar.

R L – Que temas e autores mais influenciaram o Sr. Dr. como por exemplo na Guitarra, na Viola, na Voz, na poesia ou compositores?

F R – Quem me influenciou mais, claro, nós tínhamos de ter sempre os clássicos, sempre a influenciar: Menano, Bettencourt, Paradela, Armando Góis e o próprio Lucas Junot, que era Brasileiro mas a cantar o Fado de Coimbra não era Brasileiro, tinha uma voz típica de Coimbra e, quem me deu a mão, digamos assim quando eu cheguei a Coimbra foi o Carlos Figueiredo, que é autor daquele fado “Ondas do Mar”, que mais me celebrizou na altura […] e o Dr. Ângelo Araújo como letrista e compositor.

R L - O que representa para si o trinómio Cidade/Universidade e Fado/Canção de Coimbra?

F R – Eu sobre isso, como sabe, acho que a Universidade de Coimbra é uma das mais antigas, não é. Depois, há uma coisa que hoje vou ter oportunidade de dizer, é que, segundo me parece e isto é muito importante que se diga, o chamado Fado de Coimbra, que é a Canção dos Estudantes de Coimbra, ou seja, a Canção Estudantil de Coimbra, porque há a Canção Urbana de Coimbra na qual a Canção Estudantil foi buscar algumas das suas raízes […]. A Canção própria dos Estudantes de Coimbra parece-me que é única no mundo, portanto, não se esqueça disso, nem ninguém se esqueça neste país. Uma Canção mesmo própria de estudantes que eu saiba não há mais nenhuma no mundo, própria de estudantes, os estudantes dos outros países cantam muitas coisas do folclore deles.

Frases a destacar:

[…]em Santarém[…]comecei a fazer as primeiras serenatas de Rua.

[…]nunca esqueci a Canção de Coimbra[…] tenho duas amantes[…] a medicina e a música.

[…]o auge da minha voz[…]sucedeu entre mil novecentos e cinquenta e oito e mil novecentos e sessenta e quatro, sessenta e cinco.

A Canção própria dos Estudantes de Coimbra parece-me que é única no mundo, portanto, não se esqueça disso, nem ninguém se esqueça neste país.

Autoria

Rui Lopes

História (1997-2001) – Faculdade de Letras

Cultor da Canção de Coimbra

ruilopesguitarrista@gmail.com