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José Maria Rodrigues, 1857-1942

José Maria Rodrigues nasceu em Gondim, Valença do Minho, em 27 de Junho de 1857, vindo a falecer em Lisboa, a 20 de Janeiro de 1942, “depois de ter dedicado grande parte da sua vida à generosa aspiração de tornar a epopeia camoniana a base da educação nacional”. Após a frequência do Seminário de Braga, onde concluiu o curso teológico, terminou os preparatórios e ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, em 1878, com 21 anos. Concluiu os três primeiros anos deste curso e, em 1881, matricula-se em Teologia, licenciando-se em 1886.

Recebe o grau de doutor em 1888, com uma tese intitulada Pensamento e Movimento, é nomeado lente substituto e, em 1890-1891, passa a reger a cadeira de Hebraico. Em Coimbra, além das funções de capelão da Capela da Universidade e de secretário da Faculdade de Teologia, foi bibliotecário efectivo da Biblioteca da Universidade, entre 1894 e 1900. Em 1894, interrompe a docência universitária em Coimbra para colaborar na reforma do ensino secundário, tendo ocupado interinamente o lugar de bibliotecário da Universidade, a partir de 1895, o Doutor Francisco Martins, professor da Faculdade de Teologia. Entre 1895 e 1902 foi reitor do Liceu do Carmo, em Lisboa, transitando neste ano para o Curso Superior de Letras que, em 1911, deu origem à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde veio a ensinar todas as matérias do grupo de Filologia Clássica.

Em Abril de 1922 é doutorado honoris causa, em Filologia Românica, pela Universidade de Coimbra, Além do seu interesse pela história, filosofia e pedagogia, e da sua faceta de polemista (Questão da Sebenta, polémica entre a Faculdade de Teologia e o Bispo-Conde D. Manuel de Bastos Pina, confronto com Alfredo Pimenta e Gago Coutinho sobre a dupla rota de Vasco da Gama em Os Lusíadas), é como filólogo que vem a distinguir-se. Deixou uma vasta obra, destacando-se, nos estudos camonianos, Fontes dos Lusíadas (Coimbra, 1905), Camões e a Infanta D. Maria (Coimbra, 1910), A tese da Infanta nas líricas de Camões (Coimbra, 1934), O Doutor Luciano Pereira da Silva e os estudos camoneanos (Coimbra, 1927), Introdução aos autos de Camões (Coimbra, 1931), além de duas edições críticas de Os Lusíadas (1921 e 1928) e, em colaboração com Afonso Lopes Vieira, uma edição prefaciada e anotada das Líricas (1932). Foi Director do Centro de Estudos Filológicos da Universidade de Lisboa, sócio da Academia de Ciências de Lisboa, sócio correspondente da Academia da Língua de Madrid e da Academia Brasileira de Letras e Grande Oficial da Ordem da Instrução.

Bibliografia

Coelho, Jacinto do Prado – Elogio histórico de José Maria Rodrigues. Lisboa: Academia das Ciências, 1963. Sep. de: “Memórias”, Classe de Letras, Tomo VIII.

Lopes, José da Mota – Alfredo Pimenta e José Maria Rodrigues. Lourenço Marques: Imprensa Nacional de Moçambique, 1957. Sep. de: “União”, 28 de Maio de1957.

Memoria Professorum Universitatis Conimbrigensis : 1772-1937. - Coimbra: Arquivo da Universidade, 1992.

PP – AUC. FD: Universidade de Coimbra, SR: Folhas de ordenados e vencimentos, 1894, 1895, 1900.