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A Peregrinação de Fernão Mendes Pinto: “O Livro do Deslumbramento”

Publication date: 11-01-2015 16:27

Peregrinação


Fernão Mendes Pinto nasceu em Montemor-o-Velho, cerca de 1510, no seio de uma família que beneficiava de ligações a nobres na corte de D. Manuel e D. João III. Essa circunstância pode explicar a vinda do escritor para Lisboa, em dezembro de 1521, onde entrou ao serviço de D. Jorge de Lencastre, Mestre de Santiago. Inconformado com a estreiteza dos proveitos que conseguia angariar e com os olhos postos na fortuna, resolveu embarcar, em 11 de março de 1537, para a India, onde chegou em setembro do mesmo ano.

Ao longo dos 21 anos que permaneceu no Oriente, haveria de percorrer a zona do mar vermelho, a China, o Japão, o Pegu, Malaca, Samatra e Java, na condição de mercador e de corsário, experimentando inúmeras oscilações de fortuna e condição. Em 1554, viria a fazer-se Irmão da Companhia de Jesus, participando em várias missões de assistência e evangelização.

Em setembro de 1558, logo depois do regresso a Portugal, casou com Maria Correia de Brito, de quem teve descendência, e instalou-se em Almada, onde viria a desempenhar cargos de certa importância, em instituições de assistência.

Deixada por “ABC” a seus filhos (expressão usada pelo próprio Fernão Mendes Pinto, indicando que se trata de uma obra escrita para que aprendessem a decifrar os mistérios da existência), a Peregrinação foi escrita nos últimos anos da vida do autor. À data da sua morte, em 1583, o manuscrito é deixado à Casa Pia das Penitentes Recolhidas de Lisboa. É nessa casa que o livro, concluído em 1580, permanece durante três décadas, até ser resgatado, editado e posto à venda sob o patrocínio de Belchior de Faria, cavaleiro da casa de El Rei e seu livreiro.

A obra encerra uma visão crítica da presença dos portugueses no Oriente. O autor dirige-se também, mais latamente, a todos os que com ele partilharam a experiência de um tempo feito de muitas descobertas e de muitas contradições.

Desde que foi impressa pela primeira vez, em 1614, a Peregrinação conheceu, no século XVII, dezoito edições, em seis línguas diferentes. Digno de registo é ainda o facto de, passados apenas seis anos, a obra ter sido publicada em castelhano, com tradução de Francisco de Herrera Maldonado, o que muito contribuiu para o sucesso editorial na Europa.

Ao assinalar o quarto centenário da publicação desse famoso livro reuniram-se as principais edições do século XVII. Entre as mais de 167 edições publicadas, destacamos as de texto integral que foram preparadas por Brito Rebelo, Jordão de Freitas, Costa Pimpão e César Pegado, Adolfo Casais Monteiro, António José Saraiva, Maria Alberta Meneres e Aníbal Pinto de Castro; as versões abreviadas e adaptações de José Tavares, Aquilino Ribeiro, António Sérgio, Rodrigues Lapa, Branquinho da Fonseca, Adolfo Casais Monteiro, sucessivamente reeditadas ao longo do século XX. No panorama literário e historiográfico, esta obra singular, tem sido considerada, por alguns, como o mais prodigioso banquete de fantasia da literatura portuguesa. Do mesmo modo, a obra tem inspirado a atenção de estudiosos de diferentes épocas e países, seja numa perspetiva histórico-literária, seja numa perspetiva sociológica, geográfica e antropológica.

Biblioteca Geral | Sala do Catálogo | 9 a 30 de Janeiro de 2015.

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