Tesouros da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra
Publication date: 17-12-2009 18:46
Acaba de sair o livro, ricamente ilustrado, "Tesouros
da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra", do prelo da Imprensa
da Universidade de Coimbra e com coordenação de A.E. Maia do Amaral, que poderá
ser adquirido na Livraria-Loja da Universidade, no átrio da Biblioteca Geral,
para além da rede de livrarias. É uma óptima prenda de Natal!
Este livro destina-se a dar a conhecer os mais importantes livros e fundos da
Biblioteca Geral. O conceito de “tesouro” não se restringe ao conceito
corrente. O livro não se fixa apenas nos livros em si mesmos mais raros ou
preciosos. Procura também apresentar documentos que, sendo ou não preciosos,
tenham uma história interessante, tenham algo a dizer a um leitor dos nossos
dias, mesmo aquele que não seja particularmente amante de livros e que talvez
já esteja enfastiado de imagens e de eruditas prelecções.
Na história de uma biblioteca que está a completar 500 anos de bons serviços à
Universidade e à comunidade, acumularam-se muitos “tesouros”, muitos livros por
exemplo que são únicos e, por isso, preciosos (cerca de cinco mil documentos
caberão nessa definição). Mas preciosos não serão também aqueles modestos
livros de criança de posse da Biblioteca Geral que foram os primeiros do poeta
Mário de Sá-Carneiro? E preciosos não serão também os originais dos desenhos de
arquitectura da Reforma pombalina?
Se o leitor quiser aceitar a proposta do roteiro, em vez dos “tesouros”
esperados, talvez encontre tesouros inesperados na Biblioteca Geral, que não é
só mais uma antiga biblioteca universitária, mas é também a segunda mais
importante biblioteca do país. E que coroa verdadeiramente, como diz o letreiro
da Joanina, “a testa da cidade de Coimbra”, no topo da sua “colina
sagrada”.
Esta traz como novidades absolutas algumas descobertas muito recentes: a
identificação de um texto inédito e ilustrado de D. João Ribeiro Gaio, um
espólio de António Feliciano de Castilho, uma importante colecção de desenhos
do pintor José Contente, a identificação do primeiro fragmento conhecido de
música para uma ópera de António José da Silva “o Judeu”, o primeiro estudo de
conjunto das bíblias manuscritas iluminadas, a descrição dos magníficos
super-libros que a Universidade usou nos séculos XVI e XVII e até a revelação
de uma mão-cheia de pormenores completamente desconhecidos e nunca vistos do –
paradoxalmente – mais visitado edifício da cidade, a Biblioteca Joanina da
Universidade.
Na esteira da valorização daquilo que está para além da mera raridade
bibliográfica, estes “Tesouros da Biblioteca Geral da Universidade de
Coimbra” têm um plano que passa pelos edifícios da biblioteca, pelos seus
manuscritos desde o século XIII, seus códices e belas iluminuras, pelas edições
quinhentistas, o “período de ouro” da nossa tipografia, mas também pelas
revistas científicas, pelos livros mais recentes pela fotografia e pela imagem
de todas as formas, até a imagem da própria biblioteca , representada seja na
sua materialidade por mais de um século de fotografia, seja na sua identidade,
na forma das suas marcas bibliográficas.
Para este plano concorrem diversos colaboradores, distribuídos pelos seguintes
capítulos:
“Uma coroa na testa da cidade”: a Biblioteca Geral, passado e futuro
Carlos Fiolhais
A Biblioteca da Universidade e os seus espaços
António Filipe Pimentel
Bibliotecas eruditas e espólios literários e científicos
A. E. Maia do Amaral
Fundos musicais : uma breve apresentação
Flávio de Pinho
Manuscritos iluminados
Saúl António Gomes
Tipografia Quatrocentista e Quinhentista
Maria da Graça Pericão
Imprensa periódica portuguesa
Iuliana Gonçalves
A imagem fotográfica na Biblioteca da Universidade
Alexandre Ramires
O Instituto de Coimbra: breve história de uma academia científica, literária e
artística
António José Leonardo, Décio Ruivo Martins e Carlos Fiolhais
Marcas bibliográficas da “Livraria da Universidade” (sécs. XVI-XXI)
A. E. Maia do Amaral
A BGUC e as bibliotecas da Universidade de Coimbra
Carlos Fiolhais e João Carlos Marques
Uma das características mais marcantes deste volume é a relevância que nele
ganha a imagem. Ilustrações completamente novas e para muitos inesperadas.
Nesta vertente, quase todo o encanto da obra se fica a dever à fotografia
radiosa e “científica” de Paulo Mendes e à fotografia mais obscura e poética de
João Armando Ribeiro, sem esquecer o charme de todos os grandes fotógrafos ali
invocados e que, desde o inglês Charles Thurston Thompson, em 1866, até à alemã
Candida Hoefer, em 2005, fixaram esse objecto fotográfico de excelência que é a
Biblioteca Joanina.