Centenário do Nascimento de Alves Redol
Publication date: 12-12-2011 16:16
Nasce em Vila Franca de Xira, a 29 de Dezembro de 1911. Filho de António Redol da Cruz, comerciante, e de Inocência Alves Redol. Frequenta o Colégio Arriaga, em Lisboa, onde conclui o curso comercial.
Apenas com 15 anos lança as suas impressões num artigo que é publicado na “Vida Ribatejana”, semanário da localidade, em 1927, prolongando a colaboração até 1934 e também no "Mensageiro do Ribatejo (1934-1940). A 5 de Abril de 1928, com 16 anos, embarca para Luanda no paquete “Niassa”, sendo obrigado a regressar algum tempo depois devido a doença.
Exerce a profissão de empregado de escritório, e, em paralelo, inicia uma intensa atividade cívica e social, quer através do Grémio Artístico Vilafranquense onde realiza, em 1934, uma palestra intitulada “Terra de pretos, ambição de brancos” pondo em causa a política colonizadora portuguesa, o que lhe veio a causar os primeiros confrontos com a polícia política.
A sua primeira novela, “Drama na Selva”, é publicada em “O Notícias Ilustrado”, de Lisboa, em 5 de Junho de 1932. Colabora também no jornal “Mensageiro do Ribatejo”, de Vila Franca de Xira, no qual dirige em 1939,a página literária. É colaborador de jornais literários, como “Sol Nascente” e “O Diabo”, onde inicia a colaboração em 29 de Novembro de 1936, com o conto "Kangondo". Nos anos trinta passa a integrar ativamente e colaborar na luta antifascista clandestina.
Publica, em 1938 “Glória, uma Aldeia do Ribatejo”, um estudo etnográfico e “Gaibéus”, em 1939. Esta obra, marca o início do movimento neo-realista em Portugal, corrente literária sem a qual não se poderá entender o contexto económico-social português da época.
Publica em seguida, “Marés”, “Avieiros" e “Fanga”, livros onde a ficção temática ribatejana do campesinato e da pesca da “borda d’água” é tema central. “Fanga”, chega a atingir a dezena de milhar de exemplares vendidos, o que constituiu um valor assinalável para o meio editorial português.
É preso em 12 de Maio de 1944, e obrigado pela Comissão de Censura a submeter os seus textos à censura prévia, sendo único escritor português a sofrer essa situação humilhante durante o período de alguns anos.
Publica quatro peças de teatro, a primeira “Maria Emília”, em 1945, e “Forja” em 1948. Seguem-se-lhes "O destino morreu de repente" e "Fronteira fechada", publicadas cerca de vinte e trinta anos mais tarde.
Em 1948, como Secretário-Geral da Secção Portuguesa do Pen Club, em Wroclaw, na Polónia, integrado na Delegação Portuguesa, intervém no Congresso dos Intelectuais para a Paz, discursando em nome da Delegação.
Com o romance “Horizonte Cerrado” primeiro volume de uma trilogia sobre os vinhateiros do Douro - Ciclo Port-wine, recebe, em 1950, o Prémio Ricardo Malheiros.
Escreve também para a infância e para a juventude. Um dos seus mais belos livros tem como protagonista Constantino, que deu nome à obra, e livros infantis, da série “Maria Flor". “Barranco de Cegos”, publicado em 1961, é considerado pela crítica o seu melhor romance.
A sua obra não se caracteriza pela escrita de histórias ficcionadas, mas essencialmente pela abordagem da realidade social e de experiências vividas, tendo como centro de interesse o drama do injustiçado social, do campo ou das regiões ribeirinhas, seja ele gaibéu, avieiro, fangueiro ou vinhateiro do Douro, sempre condicionado a um destino ingrato e sombrio.
Morre aos 58 anos, a 29 de Novembro de 1969, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, depois de dias de sofrimento.
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Paralelamente à mostra bibliográfica evocativa do Centenário do nascimento de Alves Redol, encontram-se expostas algumas das mais significativas obras literárias de outros autores ligados ao movimento neo-realista.
São obras ilustradas por alguns dos mais importantes artistas, pintores e ilustradores. Nomes como Lima de Freitas, Júlio Pomar, Victor Palla, Fred Kradolfer, Cipriano Dourado, Vespeira e Manuel Ribeiro de Pavia, entre outros.
Sala do Catálogo, de 12 de Dezembro de 2011 a 30 de Janeiro
de 2012, no horário de funcionamento da biblioteca.