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UC avalia ética dos alunos e tolerância de professores e instituições à fraude académica no ensino superior

Publication date: 05-05-2014 09:30

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Em Portugal, a predisposição para cometer fraude académica é maior nos estudantes do sexo masculino, nos alunos cujo percurso pré-universitário foi maioritariamente feito em escolas privadas, que frequentam um curso que não foi a primeira opção, que têm menor média e cujos pais têm maior grau de escolaridade e o agregado familiar rendimentos mais elevados, revela um estudo sobre fraude académica cometida por alunos no ensino superior, a decorrer no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra.

Coordenado pelo investigador Filipe Almeida, o estudo foi aplicado a uma amostra de 7292 alunos de licenciatura ou mestrado integrado, todos de nacionalidade portuguesa e com pelo menos 2 anos de matrícula em instituições de ensino superior público e privado, nas áreas científicas com maior número de inscritos, nomeadamente: Economia e Gestão, Engenharias, Medicina, Enfermagem, Direito, Comportamento Humano, Artes e Ensino (formação de professores).

Os primeiros resultados da pesquisa, que foi alargada a Espanha e ao Brasil, vão ser apresentados, em Coimbra, no colóquio “A ética dos alunos e a tolerância de professores e instituições perante a fraude académica no ensino superior”, a decorrer nos próximos dias, 8 e 9 de maio, na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC).

Desenvolvido ao longo dos últimos três anos, o estudo foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e visou analisar a atitude e a opinião de alunos e professores perante situações de fraude académica no ensino superior de modo a identificar culturas de fraude, padrões de tolerância à fraude, frequência com que é praticada e os motivos e os inibidores da transgressão.

Sobre a prática de fraude, 73% dos alunos inquiridos admite que apresentaria o mesmo trabalho em diferentes disciplinas, enquanto 65,3% assume que forneceria respostas a um colega no exame. No entanto, 88% dos alunos declara que não compraria trabalho a um colega e 78,5% dos alunos afirma que não aceitaria beneficiar de nota coletiva sem ter participado no trabalho de grupo.

Segundo os investigadores «a fraude académica do aluno do ensino superior tem, em si mesma, uma implicação moral delimitada pela honestidade perante a instituição, pela lealdade perante os colegas, pela transparência perante os professores e pela dignidade individual perante si próprio. Neste contexto pretendeu-se avaliar a conduta do aluno e a sua perceção sobre os limites da moralidade no contexto académico».

A «formação universitária pode desempenhar um papel decisivo na consolidação de um sistema de valores morais alinhado com um padrão ético exigente. Mas também pode estimular condutas vulneráveis à transgressão e à ação imoral. Por isso, este estudo revela-se essencial para compreender o papel da educação formal na estruturação de uma ética pessoal enquanto fator que antecede e influencia a conduta moral no contexto profissional futuro», assevera a equipa.

 O programa do Colóquio está disponível em: http://www.ces.uc.pt/eventos/fraude/.