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Cultura e Sociedade: temas contemporâneos em Antropologia

Docente: Nuno Porto

Centro em rede de Investigação em Antropologia – Universidade de Coimbra

Esta unidade tem por objectivo proporcionar um conhecimento crítico de desenvolvimentos recentes da teoria antropológica partindo de tópicos centrais, designadamente, questões decorrentes de noções como estrutura, história, mudança social, modernidade, cultura, poder, práticas, processos, subjectividades, género, agência e políticas de representação e de acção.

O programa organiza-se em torno das reformulações disciplinares em torno das noções de cultura e sociedade que têm acompanhado a emergência de novas subjectividades identitárias num mundo globalizado e ‘pós-colonial’. A recente teorização na antropologia social e cultural é objecto de escrutínio a três níveis de articulação:

a) em termos do seu potencial analítico para a compreensão da acção social;

b) em termos da configuração social e circunstância histórica da sua produção

c) em termos da sua contribuição para debates contemporâneos.

A aprovação na cadeira implica a assistência às aulas (com leitura prévia da bibliografia mínima) e a redacção de dois trabalhos individuais.

   
Sumários do ano lectivo 2007/2008

Aula 1 (01/10/07)

Apresentação do programa: a pertinência dos conceitos de cultura e sociedade na análise de questões sociais contemporâneas.

1. Representações e práticas sociais

2. Fluxos e redes de relações

3. Direitos sobre pessoas e sobre bens

4. Identidades colectivas

Aula 2 (17/10/07)

1. A antropologia nos anos oitenta: a viragem para a ‘teoria da prática’

1.1. Periodização disciplinar na perspectiva norte-americana. Três correntes:

1.1.1. Estrutura e Função na antropologia britânica até aos anos 50.

1.1.2. Estruturalismo francês (Lévi-Strauss)

1.1.3. Culturalismo norte-americano

1.2. Movimentos pós-estruturalistas:

1.2.1. Re-centramento da análise no processo social (Gluckman, Turner e a Escola de Manchester)

1.2.2. O ponto de vista dos actores sociais: interacção e intencionalidade

1.2.3. As relações entre agentes e sistemas.

2. A teoria da prática

2.1. Economia Politica.

2.2. Marxismo.

2.3. O privilégio da observação da acção e o método etnográfico.

2.4. Práticas vs. sistemas sociais: interrelações e mútua constituição.

Bibliografia

Ortner, Sherry B., 1984, Theory in Anthropology since the sixties”, in Comparative Studies in Society and History, vol. 26, nº1, pp:126-166.

Aula 3 (08/11/07)

1. A Teoria Interpretativa da Cultura

1.1. A articulação entre teoria e método em antropologia: interpretação e ‘descrição densa’.

1.2. A herança de Weber: interpretar como forma de conversa com outros (e não sobre outros).

1.3. A acção humana como teia de significados tecida pelos sujeitos.

1.4. Cultura como ‘contexto descritivo’; acção como apresentação situada de símbolos.

1.5. As respostas que outros deram a problemas comuns.

Bibliografia

Geertz, Clifford, 1973, “Thick Description: Toward an Interpretive Theory of Culture”, in The Interpretation of Cultures, NY, Basic Books, pp:3-30.

Aula 4 (15/11/07)

O conceito de Sociedade: história, utilizações, dissenções

1. A obsolescência teórica do conceito de ‘sociedade’.

1.1. A sociedade como ‘coisa’ vs. a noção de sociedade como ordenação de experiência vivida.

1.2. Sociedade como ordem de relações entre sujeitos e instituições vs. sociedade como ‘território’, ‘população’, como ‘soma de sujeitos’

1.3. O problema das dicotomias: sociedade vs. indivíduo e o esquecimento das relações sociais.

2.1. A vitalidade do conceito de sociedade

2.2. Sociedade como ‘padrões de relações entre actores sociais’

2.3. A oposição entre ‘sociedade’ e Estado.

3. ‘Socialidade’: práticas sociais, experiência e relações entre sujeitos como substituto teórico do conceito de sociedade.

4. Compreensão da história do conceito como meio da sua actualização.

Bibliografia

Strathern, M., Thoren, C., Peel, J.D.Y. & Spencer, J. (1996), “The concept of Society is theoretically obsolete (debate)”, in Ingold, Tim, (ed.), Key Debates in Anthropology, London & N.Y., Routledge, pp: 57-98.

Aula 5

A Teoria da Prática, segundo Pierre Bourdieu

1. A relação dinâmica entre estruturas e práticas que as constituem, como alternativa para pensar a relação indivíduo / sociedade.

2. As práticas e o habitus: “o habitus faz o monge”

2.1. O habitus como ‘sistema de disposições duradouras’ e como ‘princípio de geração de práticas’.

2.2. As práticas como produto de relação dialéctica entre situação vivida e o habitus.

3. O exemplo da casa Kabila como objecto de sedimentação de habitus familiares e de género sexual. A casa como inversão do mundo social.

3.1. Masculino e feminino e seus desdobramentos opositivos: exterior / interior; alto / baixo; fogo / água; cozinhado / cru; luz / sombra; nascente /poente.

Bibliografia

Bourdieu, Pierre. [1972] 2002. Esboço de uma teoria da prática. Precedido de três estudos de etnologia Kabila. Oeiras: Celta.

Aula 6 (22/11/07)

Três modelos de pensar a sociedade: redes sociais; concepção nativa; modelo cognitivo

1. Philippe Descola

1.1. A interdependência do conceito de sociedade e de natureza na Amazónia: relações de reciprocidade (Desana e Tucano) e de predação (Jívaros)

1.2. equivalência entre animais e humanos

1.3. complementaridade das partes do sistema; natureza como parte do sistema social.

2. Maurice Bloch

2.1. A noção de modelo mental

2.2. Os Zafimaniry e os seus modelos mentais sobre as pessoas, as árvores, as casas: dos ‘bebés de água’ aos troncos que se transformam em casas.

3. Ulf Hannerz

3.1. A questão da globalização do ponto de vista cultural: Hannerz e as redes de redes sociais.

3.2. A fragmentação do local e suas estruturas: inclusão e extensão de redes sociais.

3.3. O ponto de vista do sujeito e do sua centralidade na morfologia das redes.

Bibliografia

Bloch, Maurice, 1992, “What goes without saying: the conceptualisation of Zafimaniry Society”, in Kuper, Adam, (ed.) 1992, Conceptualising Society, Londres, Routledge, pp: 127-145.

Descola, Philipe, 1992, “Societies of Nature and the Nature of Society”, in Kuper, Adam, (ed.) 1992, Conceptualising Society, Londres, Routledge, pp: 107-125.

Hannerz, Ulf, 1992, “The global Ecumene as a Network of Networks” in Kuper, Adam, (ed.) 1992, Conceptualising Society, Londres, Routledge, pp: 34-56.

Aula 7

A teoria e método das redes sociais: a atenção à circulação dos sujeitos por oposição à localização na estrutura social.

1. A sociedade como uma rede de redes sociais.

2. A oposição entre estruturas sociais e redes de relações.

3. As ‘redes sociais’ como teoria e como método.

4. Os diferentes papeis sociais do sujeito e respectivas redes: parentesco, política, religião, amizade, compadrio, etc.

Bibliografia

J.C. Mitchell, 1974, “Social Networks”, in Annual Review of Anthropology, pp: 279-299.

Aula 8 (29/11/07)

1. Corpo, Identidade, Economia e Poder

2. O corpo e as fronteiras contemporâneas da identidade individual:

2.1. O modelo ‘fordista’ de produção do corpo social

2.2. O corpo no ‘Capitalismo tardio’.

3. O avanço das fronteiras interiores do corpo: o caso da popularização do conhecimento sobre o sistema imunitário nos Estados Unidos

3.1. A organização social do sistema imunitário: género, raça, sexualidade e hierarquia

3.2. A divisão do trabalho social no sistema imunitário.

4. Hierarquia interna do corpo; naturalização da hierarquia social.

Bibliografia

Martin, Emily, 1992, “The End of the Body?”, in American Ethnologist, Fevereiro, pp. 121-140.

Aula 9

1. Corpo, sujeito, raça, classe e género no Brasil contemporâneo

1.1. A relação médico/paciente como modo de classificação social da doença: o uso dos nomes próprios no contexto hospitalar

2. Relações entre sujeitos e coisas: subjectividade e mediação objectiva

3. O nome e a decomposição da ‘pessoa relacional’: pessoas, não pessoas e quase-pessoas

4. A despersonalização dos sujeitos e sua tipificação em ‘casos clínicos’: classe e raça.

Bibliografia

McCallun, Cecilia, 2007, “Sem nome: a pessoa como processo na dinâmica racial e de género brasileira” in Pina Cabral, João & Viegas, Susana Matos, (eds.), Nomes: Género, Etnicidade e Família, Coimbra, Novalmedina, pp: 265-290.

Aula 10 (06/12/07)

1. Identidade pessoal e a Nova Genética

1.1. A identidade genealógica

1.2. A identidade parental como prática social

1.3. O regime de verdade prático; o regime de verdade genético.

2. O caso do Livro dos Islandeses

2.1. A deCode e a Frisk Software: a fluidez do limite entre o público e o privado

2.2. O parentesco on-line

2.3. A máquina genealógica: identidades pessoais, familiares e nacionais.

2.4. Da árvore genealógica ao rizoma parental.

Bibliografia

Pálsson, Gisli, 2007, Anthropology and the New Genetics, Cambridge University Press.

Aula 11 (13/12/07)

1. Modernidade, Pós-modernidade e a-modernidade: uma perspectiva a-moderna do mundo contemporâneo.

1.1. A constituição moderna: a purificação dos híbridos; a hibridização da natureza

1.2. A sociedade como aglomerado entre sujeitos humanos e sujeitos não-humanos.

Bibliografia

Latour, Bruno, 1991, Nous n’avons jamais été modernes – essai d’anthropologie symétrique, Paris, ed. La Découverte.

Aula 12

2. A necessidade das associações entre humanos e não-humanos: o exemplo da ‘chave de Berlim’

2.1. Programas éticos e sua tradução em questões técnicas

2.2. Programas e anti-programas.

2.3. A delegação técnica do acordo ético.

Bibliografia

Latour, Bruno, 1992, Petites leçons de sociologie des sciences, Paris, ed. La Découverte.

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