Disfunção endotelial na retina em modelos animais de diabetes e efeitos terapêuticos da sitagliptina

Supervisor: Rosa Cristina Simões Fernandes

Laboratório de Farmacologia e Terapêutica Experimental

Rotation Code: RF

A retinopatia diabética (RD) é uma das principais causas de perda de visão e cegueira em adultos de idade activa, afectando cerca de 90% dos diabéticos. Tendo em conta que um bom controlo glicémico diminui o risco para o desenvolvimento de RD, torna-se imperativo implementar estratégias eficazes com o carácter preventivo ou de atenuação de algumas das complicações decorrentes da evolução da doença. A sitagliptina faz parte de uma nova classe de anti-hiperglicémicos orais, os inibidores da DPP-IV, os quais melhoram o controlo glicémico através de um aumento da secreção de insulina nos pacientes com diabetes do tipo 2 potenciando um sistema fisiológico, o efeito das incretinas.

Este projecto pretende avaliar a acção directa da sitagliptina na reversão/atenuação da disfunção endotelial na retina, por um mecanismo independente do aumento de secreção de insulina, num modelo animal de diabetes do tipo 1, os ratos Wistar, com diabetes induzida por estreptozotocina. A abordagem proposta neste projecto pode contribuir para esclarecer se a sitagliptina poderá ter uma acção directa tanto nas células endoteliais maduras como nas células progenitoras endoteliais, por um mecanismo independente do efeito trófico da insulina, permitindo o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas mais eficazes e direccionadas para a RD.

O plano de trabalhos propostos envolve:

1) Caracterização da disfunção endotelial induzida pela diabetes pela avaliação da ruptura da barreira hemato-retiniana; 2) Estudo do número e função (mobilização e adesão aos vasos lesados) das EPCs no contexto da resposta à diabetes tipo 1 e após administração da sitagliptina;

Para isso será utilizada a seguinte metodologia:

a) Avaliação do extravasamento de Evans Blue através dos vasos retinianos; b) Avaliação dos níveis e distribuição de proteínas que constituem as “tight junctions” nas células endoteliais da retina, por Western blotting e imunohistoquímica em “whole mount”; c) Determinação dos níveis de espécies reactivas de oxigénio nas camadas mais internas da retina, utilizando uma sonda fluorescente (DHE); d) Citometria de fluxo para quantificar a população de EPCs.