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Laboratório de Radioatividade Natural da FCTUC na vanguarda da Península Ibérica

21 janeiro
LAB_radioatividade
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© DCT

O Laboratório de Radioatividade Natural (LRN) do Departamento de Ciências da Terra da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) é o primeiro laboratório da Península Ibérica a obter acreditação da norma ISO 17025 (norma internacional para a padronização de ensaios e calibração) para avaliação de todos os parâmetros radiológicos que permitem responder à globalidade das exigências impostas pela União Europeia relativas à proteção contra os perigos da exposição a substâncias radioativas naturais.

Este selo de qualidade de referência atribuído pelo Instituto Português de Acreditação (IPAC), o organismo de acreditação em Portugal, resulta de um complexo e exigente processo que durou mais de dois anos.

«Foi um percurso longo, com um grau de exigência muito elevado, mas esta certificação é o reconhecimento do LRN como centro de referência nacional e internacional, que cumpre um rigoroso sistema de qualidade e de boas práticas. Isto significa a chancela de confiança máxima para as instituições que procurem os nossos serviços» afirma Alcides Pereira, diretor do Laboratório de Radioatividade Natural.

Por outro lado, com a acreditação agora obtida, Portugal deixa de ter de recorrer a laboratórios estrangeiros para a realização de alguns ensaios porque «o Laboratório de Radioatividade Natural da FCTUC está agora habilitado a dar resposta a todos os parâmetros radiológicos que estão contemplados na legislação mais recente (diretivas comunitárias) sobre a radioatividade natural. É o primeiro na Península Ibérica a conseguir acreditação para a globalidade dos parâmetros impostos pela União Europeia», esclarece o também professor catedrático do Departamento de Ciências da Terra da FCTUC.

Permite igualmente criar um polo de excelência na área da Radioatividade Natural – radioatividade que está presente no ambiente e que tem origem em elementos naturais (água, ar, materiais de construção, etc.) – por forma a contribuir para o desenvolvimento científico e tecnológico de práticas sustentáveis que protejam a saúde das populações.

Nesse sentido, Alcides Pereira defende a elaboração de um mapa de risco que identifique as zonas mais problemáticas do país no que respeita à exposição do ser humano a radiações ionizantes de origem natural. «Estamos continuamente expostos a diferentes fontes de radiação natural, sendo por isso necessário perceber quais os locais mais problemáticos no território português e propor medidas que protejam as populações e que permitam mitigar os impactos dessa exposição. Existem alguns estudos, mas são pontuais. Por exemplo, sabendo-se que a região Centro é a zona do país mais afetada pelos problemas associados à exposição de radiações ionizantes de origem natural, importa perceber e controlar o nível de exposição», observa.

Por sua vez, o diretor da Faculdade de Ciências e Tecnologia, Luís Neves, salienta tratar-se do «primeiro laboratório da instituição a obter acreditação, o que constitui incentivo a que outras áreas científicas possam evoluir no mesmo sentido.»

O Laboratório de Radioatividade Natural da FCTUC, cuja génese remonta a 1999, está atualmente envolvido num trabalho de remediação ambiental de minas de urânio pioneiro a nível mundial, centrado na recuperação das habitações dos antigos mineiros da Urgeiriça, bem como um estudo relativo à qualidade radiológica das águas de consumo do país.

Cristina Pinto