
Realizou-se no passado
dia 11 de Setembro a cerimónia de trasladação dos restos mortais de Jorge de
Sena dos Estados Unidos para Portugal, três décadas depois da sua morte, sendo sepultado no Cemitério do
Prazeres, em Lisboa.
Segundo o ensaísta Eduardo
Lourenço, a trasladação dos
restos mortais do escritor Jorge de Sena para Portugal é um acto "de
reparação e de reconciliação". Embora o escritor "não precise de
glorificações póstumas", o ensaísta referiu que a trasladação do corpo,
trinta anos depois da sua morte, põe fim a um "pequeno contencioso com a
sua condição de exilado do nosso país".
Um dos maiores vultos da cultura portuguesa do século XX, Jorge de Sena
nasceu em Lisboa a 22 de Novembro de 1919 e faleceu na Califórnia no dia 4 de Junho de 1978.
Em 1959, parte para o Brasil, onde se exila e conclui o doutoramento
em Letras,
passando a reger na Universidade de Araquara, as cadeiras de Teoria da
Literatura e Literatura Portuguesa. A partir de 1965 passa a residir nos Estados Unidos,
e, como professor catedrático, toma a direcção do Departamento de Literatura Portuguesa e Espanhola na Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara, regendo
as cadeiras de Literaturas Portuguesa e Brasileira e Literatura Comparada.
Na mostra bibliográfica patente na Sala do Catálogo pode ser apreciada a sua vasta e diversificada obra, que inclui mais de duas
dezenas de colectâneas de poesia, dez de peças em um acto, uma tragédia em
verso, mais de trinta contos, um romance e uma novela. Dedicados à crítica e ao
ensaio, cerca de quarenta volumes, sobressaindo os estudos sobre Camões e
Pessoa.
Deste conjunto, é de destacar o seu primeiro livro de poesia, “Perseguição”,
editado em Lisboa, por Cadernos de Poesia, em 1942, e a obra de teatro “O
Indesejado (António, rei): Tragédia em quatro actos, em verso”, editada no
Porto, em 1949, pela editora Marânus, ambas com dedicatórias autografadas para
o crítico literário Pedro de Moura e Sá.
Integra
ainda o conjunto exposto, a obra “Algumas considerações sobre estatísticas de
trânsito”, publicada pela extinta Junta Autónoma das Estradas, em 1953,
raramente incluída na sua vasta bibliografia. Esta obra resulta da sua
actividade como engenheiro civil, licenciado em Engenharia Civil
pela Universidade do Porto, na Junta Autónoma de Estradas, onde trabalhou entre
1948 e 1959.
Sala do Catálogo | 27 de Outubro a 14 de Novembro
Segunda a Sexta-feira: 9.00 h. – 12.30 h. e 14.00 h. – 17.30 h.
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