Publication date: 26-03-2009 15:47

Um agente anticancerígeno à base de Paládio (um elemento metálico) desenvolvido por uma vasta equipa de investigadores (17), nacionais e estrangeiros, foi testado com sucesso in vitro. Administrado a células cancerígenas e a células saudáveis humanas, o novo composto tem revelado propriedades terapêuticas mais eficazes no combate à doença e com menores efeitos secundários do que os actuais fármacos em uso clínico produzidos a partir da cisplatina (droga contendo platina, em utilização desde os anos setenta com elevado êxito mas significativa toxicidade).
Esta pesquisa, financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e com aconselhamento médico do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Coimbra, é liderada pela investigadora Maria Paula Marques, da Unidade “Química-Física Molecular” da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), e envolve investigadores do Rutherford Appleton Laboratory (Oxford, Reino Unido), do Roswell Park Cancer Institute (EUA), e das Universidades de Málaga (Espanha), Virgínia e Minnesota (EUA).
Os resultados promissores agora conseguidos derivam de sucessivos e complexos estudos desenvolvidos ao longo dos últimos 12 anos, com o objectivo de descobrir novos medicamentos para o tratamento de vários tipos de cancro, mais eficazes, mesmo em linhas celulares resistentes às drogas actualmente usadas, e com uma reduzida toxicidade (de modo a evitar efeitos secundários graves).
No momento estão a decorrer novas experiências no Roswell Park Cancer Institute (EUA), podendo, dentro de alguns meses, passar-se a uma nova fase, em que a actividade anti-cancerígena do composto poderá ser testada in vivo, usando animais modelo para avaliar e determinar a relação dose-resposta. Estarão, então, reunidas condições para desenvolver um novo fármaco, mas, acautela a investigadora, “é ainda necessária mais pesquisa. Nos últimos 10 anos têm sido estudados milhares de novos agentes contendo platina e paládio e só um chegou, por enquanto, à fase de testes clínicos. O novo composto investigado pela nossa equipa, testado em diversos tipos de cancro (cancros de mama, de língua, de útero e leucemia) tem produzido resultados animadores, o que nos deixa muito optimistas, mas seguros de que ainda temos muitos anos de trabalho científico pela frente”.
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