FCTUC encontra solução para o problema dos resíduos provenientes da indústria da caixilharia
Publication date: 19-11-2009 15:00

Resolver um sério problema ambiental, inventando um novo aditivo para o fabrico de tijolos. Foi este o desafio lançado a Ivânia Marques, aluna Mestrado em Engenharia de Ambiente, que após o levantamento do “estado da arte” dos resíduos industriais no nosso país e na Europa, decidiu apostar na resolução do problema das Lamas provenientes da indústria da caixilharia de alumínio. Só em 2008, foram produzidas em Portugal 9,75 mil toneladas deste tipo de lamas, que são depositadas em aterros industriais ou clandestinos, sem qualquer tratamento.
Identificado o problema, a aluna, orientada pela Prof. Teresa Vieira, desenvolveu os estudos necessários para minimizar o impacte ambiental das lamas anódicas (designação técnica das lamas resultantes da indústria de protecção do alumínio), transformando-as em aditivo para melhorar o conforto térmico de edifícios. Como? - Fazendo reciclagem industrial. As lamas, de cariz nanométrico, foram estudadas e as suas propriedades manipuladas e melhoradas e, posteriormente, incorporadas em argila vermelha.
Avaliado o comportamento desta mistura, a equipa prosseguiu para o desenvolvimento de um novo material, que resultou numa nova geração de tijolos, aumentando em 34% o isolamento térmico em relação aos tijolos convencionais e sem custos adicionais no sistema produtivo.
“Não só resolvemos um problema ambiental muito expressivo no nosso país, considerando o elevado número de empresas ligadas indústria da caixilharia de alumínio, existente em Portugal, como também conseguimos um novo material que aumenta significativamente o conforto térmico nos edifícios e não exige alterações na tecnologia do processo produtivo”, afirma a orientadora da investigação que acaba de ser premiada pela ordem dos Engenheiros, no âmbito do Dia Mundial dos Materiais.
Sobre a entrada no circuito comercial deste novo produto, as investigadoras afirmam que “ se a indústria cerâmica mostrar interesse, é perfeitamente possível, num prazo de 2 anos, ter no mercado esta nova geração de tijolos”.
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