Investigadores da Universidade de Coimbra desenvolvem tecnologia para ajudar na terapêutica de crianças com autismo
Publication date: 09-11-2011 15:36
Realidade virtual ensina crianças com autismo a interagirem em sociedade

Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveu um conjunto de ambientes virtuais dinâmicos para estimular o desenvolvimento social de crianças com autismo e auxiliar os médicos na avaliação clínica e monitorização da reabilitação.
A plataforma tecnológica, que engloba um jogo de computador, um capacete de realidade virtual ou óculos 3D e sensores de EEG (medidor de atividade cerebral), regista o comportamento de crianças durante o jogo e envia informação para um módulo Online. Espera-se que venha a permitir aos clínicos não só efetuar o diagnóstico e prescrever a terapia mais adequada, como monitorizar o doente à distância e registar a sua evolução.
De uma forma simples, explica o investigador Marco Simões, «considerando que uma das grandes limitações dos sujeitos com autismo é a capacidade de interação social, o objetivo é que a criança possa, no conforto do lar e num ambiente que não lhe é hostil, realizar os exercícios e remotamente fornecer informação para o clínico que o acompanha».
Este conjunto de ambientes virtuais, realça o investigador do Departamento de Engenharia Informática (DEI), «visa ensinar competências sociais – cumprimentar, sorrir, identificar expressões faciais e repeti-las. O instrumento é um jogo de computador com objetivo pedagógico e de reabilitação. Para evoluir nos níveis do jogo, a criança tem de efetuar vários mecanismos de interação social, acabando por interiorizá-los e transpô-los para o dia-a-dia».
A grande novidade desta investigação é a utilização da realidade virtual como ferramenta de treino de competências sociais no autismo, acompanhada com monitorização neuro-fisiológica: «no jogo a criança interage com pessoas virtuais para, no futuro, interagir com pessoas reais. Desenvolvendo aplicações com tecnologias cada vez mais presentes na vida das pessoas e nas suas casas, é relativamente fácil o seu uso e, consequentemente, a sua comercialização. Os próprios pais podem participar (ainda mais) ativamente na educação dos filhos», conclui Marco Simões.
O estudo, orientado pelos docentes Paulo Carvalho, da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCTUC), e Miguel Castelo Branco, do IBILI - Faculdade de Medicina (FMUC), conta na sua validação com o apoio técnico da Unidade de Neurodesenvolvimento e Autismo do Hospital Pediátrico de Coimbra (coordenada pela Professora Guiomar Oliveira) e da Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo (APPDA).
Testado o conceito, os investigadores vão agora centrar-se em criar um design mais apelativo e explorar novas tecnologias de interação naturais, isto é, mais fácil de usar pelas crianças com autismo.
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