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Investigadores da FCTUC avaliam impacto do Acordo de Paris nos estuários temperados

Publication date: 27-07-2017 09:17

Daniel_Crespo


Quais os efeitos de uma subida de temperatura dentro dos valores propostos no Acordo de Paris , aumento máximo de 2ºC, nos estuários temperados atlânticos?

Um estudo in situ  no estuário do Mondego , coordenado por investigadores do Centro de Ecologia Funcional (CFE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), revela que, ao contrário do esperado , não se registam alterações significativas e o impacto é reduzido .

Ou seja, o estudo, publicado na Scientific Reports , do grupo Nature , indica que os ecossistemas estuarinos lidam bem com um aumento máximo de temperatura de dois graus Celsius , evidenciando que « o valor proposto no Acordo de Paris, assinado em 2015 por 195 países, é um valor seguro para os sistemas biológicos dos estuários, zonas muito dinâmicas e com uma elevada importância ecológica e ambiental. Este estudo pode ser um contributo relevante para pressionar os decisores políticos a manterem o aumento máximo nos 2ºC », observa Daniel Crespo, investigador principal do projeto.

Para determinar os efeitos do aquecimento global nos estuários temperados, a equipa manipulou a temperatura no estuário do Mondego através da colocação de pequenas estufas em duas zonas intertidais (áreas que ficam emersas durante a maré baixa) com habitats distintos: um de areia nua e outro coberto por Zostera noltei, uma espécie de planta macrófita importante para estabilizar os sedimentos e evitar a erosão costeira.

De seguida, avaliou-se o comportamento da microfauna (fungos, bactérias, etc.) e da macrofauna (por exemplo, bivalves e crustáceos), bem como processos ecológicos importantes como a bioturbação (movimento de fluidos e partículas no sedimento), nos dois habitats manipulados.

As análises efetuadas no âmbito do estudo, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), demonstram que « o efeito de uma moderada subida de temperatura, dentro dos valores indicados pelo Acordo de Paris, é aparentemente menos importante do que a heterogeneidade do sistema para um saudável funcionamento dos ecossistemas e para o estado das comunidades biológicas », afirma Daniel Crespo.

O investigador do Centro de Ecologia Funcional acrescenta que « este estudo vem reforçar a ideia de que os valores indicados pelo Acordo de Paris para o aquecimento médio global podem ser seguros para a manutenção do devido funcionamento ecológico dos sistemas estuarinos temperados como o estuário do Mondego. A metodologia aqui desenvolvida pode ser aplicada com sucesso em sistemas estuarinos de características e áreas geográficas diferentes ».

O estudo envolveu 10 investigadores e teve a participação das universidades de Aveiro (UA) e do Minho (UM).