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Centro de Estudos Cooperativos e da Economia Social - FEUC

Seminário Internacional: Os Desafios da Economia Solidária

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Seminário Internacional: Os Desafios da Economia Solidária. Reflexão sobre as Experiências Portuguesa e Brasileira.

Organização: Centro de Estudos Sociais e Centros de Estudos Cooperativos da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra

Instituições parceiras: CETRAD-UTAD (Centro de Estudos Transdisciplinares para o Desenvolvimento, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro), INSCOOP — Instituto António Sérgio para o Sector Cooperativo, PROACT (Unidade de Investigação e Apoio Técnico ao Desenvolvimento Local, à Valorização do Ambiente e à Luta Contra a Exclusão Social) 

Local: Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra

PROGRAMA

09.00 — Abertura do Secretariado

09.30 — Sessão de Abertura: José Alberto Soares da Fonseca (FEUC); Tiago Santos Pereira (CES); Rui Namorado (CEC/FEUC)


10.30 — SESSÃO I. Economia Solidária — diversidade e unidade

            Um balanço sobre a Economia Solidária no Mundo — Jean-Louis Laville (LISE/CNRS)

            A Economia Solidária no Brasil — Luiz Inácio Gaiger (UNISINOS)

            A Economia Solidária em Portugal — Rui Namorado (CEC/FEUC)

Comentadores:

            Jordi Estivill — Universidade de Barcelona

            Pedro Hespanha (CES/FEUC)

15.00 — SESSÃO II. Sucessos e dificuldades das experiências de economia solidária em Portugal e no Brasil. Painel com a participação de:

            Alberto de Melo — Universidade do Algarve

            António Cattani (UFRGS)

            José Portela (CETRAD)

            Marília Varonese (UNISINOS)

            Rogério Roque Amaro (PROACT)

            Manuel Canaveira de Campos (INSCOOP)

            Pedro Hespanha (CES/FEUC)

Moderação: Sílvia Ferreira (CES/CEC/FEUC)


18.00 — Conclusões e encerramento



Seminário Internacional: Os Desafios da Economia Solidária



Revista Crítica de Ciências Sociais, 84, 2009

do Centro de Estudos Sociais

Algumas comunicações deste seminário foram reunidas num número especial da RCSS.

J.-L. Laville, A economia solidária: Um movimento internacional

O artigo mostra como em diferentes contextos nacionais e continentais se gerou um movimento de economia solidária. A diversidade de práticas no seio da sociedade civil local e internacional merece ser sublinhada. Esta geração de iniciativas, simultaneamente políticas e econômicas surgidas nas últimas décadas, prolonga e renova a economia social, oferecendo, assim, propostas concretas para uma outra economia, num período de crise capitalista. Como tal, não pode ser ignorada na busca de um modelo económico e de uma acção pública renovada.

Pedro Hespanha, Da expansão dos mercados à metamorfose das economias populares

Reconhecendo a existência, neste contexto de crise, de uma insatisfação generalizada perante um sistema económico e social cego perante as desigualdades sociais, insensível aos efeitos sociais da competição desenfreada e complacente com a delapidação dos recursos não renováveis, o artigo reflecte sobre a persistência de formas económicas distintas do sistema capitalista que com ele coexistem bem como sobre a emergência de movimentos e práticas sociais de resistência à lógica deste sistema, como é o caso das iniciativas de economia solidária, interrogando-se sobre o modo como elas podem servir de fundamento para uma mudança profunda de paradigma e, assim, contribuir para um sistema mais justo e capaz de adequar os recursos às necessidades e de maximizar o bem-estar humano e social.

Rui Namorado, Para uma economia solidária - a partir do caso português

Na conjuntura actual, a economia solidária deve ser encarada como uma expressão sinónima de economia social. Funciona dentro do capitalismo, embora obedeça a uma lógica distinta da lógica capitalista. Por isso, a economia solidária não deve alhear-se dos movimentos e dinâmicas sociais que reflictam qualquer tipo de resistência ou de alternatividade à lógica capitalista, principalmente em virtude das naturais sinergias que com eles podem ser suscitadas. A economia solidária tem vocação para responder com celeridade a estímulos próximos, mas incorpora sempre uma energia futurante. O seu enraizamento territorial faz dela um dos parceiros mais críveis nos processos de desenvolvimento local, a sua identidade projecta-a universalmente. 

Luiz Inácio Gaiger, Antecedentes e expressões actuais da economia solidária

O artigo examina as novas formas de organização e mobilização coletivas, atualmente observadas em escala global e associadas ao conceito de economia solidária. Apresenta suas singularidades e fundamentos comuns, comparando realidades e designações que demarcam antecedentes históricos da economia solidária ou gravitam em torno das práticas atuais de solidariedade, como a economia social e o Terceiro setor. A análise considera as modalidades de ação correspondentes, em sua gênese e em suas orientações normativas, e destaca sua aptidão a preservarem a natureza plural da atividade econômica, em contraposição à racionalidade do mercado e da acumulação privada. Elas respondem a necessidades materiais e expressam uma rejeição da sociabilidade intrínseca à economia capitalista.

Jordi Estivill, Espacios públicos y privados. Construyendo diálogos en torno a la economía solidaria

La economía solidaria, concepto emergente e itinerante, necesita de diálogos que ayuden a delimitarlo y a precisar sus contenidos. En este artículo, tomando como referencia las aportaciones de Jean-Louis Laville, se reflexiona sobre los espacios económico, doméstico, mercantil, público y solidario. Proponemos también plantear que a partir de una revisión de la historia de la economía solidaria en los países periféricos y mediterráneos de Europa, se pone en evidencia un itinerario que no correspondería con el caso francés, sino que más bien se acercaría al latinoamericano.

José Portela, A economia ou é solidária ou é fratricida

O texto pensa a noção de economia solidária a partir do chão. Começa-se por atentar em duas ONG de utilidade pública (ANDC, Comunidade Vida e Paz), cuja acção e economia se cruzam com quatro microempreendedores e suas unidades, todos muito distintos entre si: dois pequenos negócios são geridos por mulheres e outros dois por homens, um deles imigrante. De seguida, indutivamente, aprofunda-se a reflexão com base em duas vertentes: tanto as solidariedades observadas no meio familiar e sociopolítico dos microempreendedores quanto as economias vigentes nas suas unidades e nas ONG que os apoiaram. Conclui-se que a solidariedade é uma noção plural (altruísta, familista, associativa e estatal) e que a economia ou é “economia política”, como sucedeu à sua nascença, ou é uma noção ideológica que nega a vida e as pessoas in loco e in terra mundi. Isto é, a economia ou é solidária ou é fratricida.

Marília Veríssimo Veronese, Subjectividade, trabalho e economia solidária

O artigo relaciona os processos de subjetivação, entendidos como processos sempre relacionais e geradores de formas de sociabilidade diversas, com o trabalho na economia solidária. Inicialmente, discute-se a articulação teórica entre subjetividade e atividade laboral. Em seguida, a dificuldade de construir a autogestão baseada na autoridade compartilhada é problematizada, com base em dados empíricos recentemente coletados junto a empreendimentos econômicos solidários (EES) de diversos segmentos e portes, no estado do rio Grande do sul, Brasil.

Sílvia Ferreira, A invenção estratégica do terceiro sector como estrutura de observação mútua: Uma abordagem histórico-conceptual

Este texto analisa o campo discursivo do terceiro sector e os seus actores sociais a partir da articulação teórica entre a abordagem relacional estratégica, a teoria dos sistemas complexos autopoiéticos e a cibernética. Centrando-se no conceito de observação, o texto desenvolve-se em quatro argumentos sobre o terceiro sector. Primeiro, é um “campo discursivo”, onde discursos e práticas reflectem e moldam as selectividades estruturais e as estratégias dos actores. Segundo, é uma categoria relacional, sendo construído através de um conjunto de relações que se estabelecem entre diferentes modos de organização das relações sociais. Terceiro, é contextual, sendo moldado pelas configurações espácio-temporais das sociedades em que se constitui e das condições concretas em que se dá a transição do fordismo para o pós-fordismo. Quarto, a semântica do terceiro sector e as organizações e interacções que o povoam põem em interacção relações sociais típicas dos diferentes modos de coordenação ou diferentes subsistemas, permitindo a observação mútua.