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GEMF

Grupo de Estudos Monetários e Financeiros

Estudos do GEMF, N.º 10 de 1998

  

Algumas Observações Sobre o Método da Economia


João Sousa Andrade
GEMF/Faculdade de Economia, Universidade de Coimbra

Abstract:
O trabalho que aqui se apresenta nasceu da seguinte interrogação: não terá um professor de economia a obrigação de ter consciência dos princípios metodológicos que fundamentam os assuntos que lecciona? Sobretudo se lecciona disciplinas mais abrangentes ou genéricas, como seja a disciplina de Introdução à Economia.
Não se trata de pretender ter acesso iluminado à metodologia correcta, e sublinho correcta, de investigação em economia. Trata-se apenas de uma forma de consciência do valor dos conhecimentos que se possuem e se transmitem. Mas trata-se também, e em geral, de conhecer os princípios que os economistas podem, ou devem, aplicar na sua investigação.
A forma como hoje aprendemos economia, através de manuais, e não através de obras de autor, de "princípios de economia" de autor, como aconteceu no passado com John Stuart Mill e depois com Alfred Marshall, no mundo anglo-saxónico, é em parte responsável por um certo menosprezo no que respeita ao objecto e ao método em economia. Foram assim demasiados os conceitos que ganharam uma quase universalidade.
Algumas críticas que foram feitas ao predomínio do princípio do individualismo metodológico, tal como o economista o toma, chamaram a atenção para a indivisibilidade dos fenómenos sociais e para a limitação ao suposto comportamento optimizador dos agentes económicos. Estas críticas podem ter consequências inesperadas para os seus autores. A primeira pode levar a negar a existência de um "objecto" para a economia, mas impondo às ciências sociais o "método" mais conhecido e praticado com sucesso nestas, ou seja, o "método" da economia. As duas escolas de sociologia de Chicago o provam. A segunda pode levar-nos a cair nos braços da aplicação das ideias da inteligência artificial, onde, no caso da economia, o formalismo e o aparato dos meios matemáticos aumentariam de forma muito considerável. As posições extremas em questões metodológicas são de evitar.
As nossas reflexões terão por base o ensino da disciplina de Introdução à Economia. Exporemos o que pensamos sobre o relacionamento das aulas teóricas e práticas; faremos alguns comentários à definição de economia; abordaremos alguns desentendimentos que envolvem os economistas; e apresentaremos algumas ideias sobre a metodologia em economia, onde, para além de princípios metodológicos, também falaremos de conceitos de metodologia em dois livros portugueses de Introdução à Economia e na popular racionalização em que consiste o story-telling.

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