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GEMF

Grupo de Estudos Monetários e Financeiros

Estudos do GEMF, N.º 01 de 2000

  

Política de Estabilização e Independência dos Bancos Centrais


João Sousa Andrade
GEMF/Faculdade de Economia, Universidade de Coimbra

Abstract:
A ideia que podíamos estabilizar a economia permitindo "alguma" inflação tem sido abandonada em favor de valores nulos (ou praticamente nulos) para a inflação. Ao mesmo tempo é crescente o número de autores que tomam como evidente que o BC deve ser independente de interferências políticas indevidas e que a sua tarefa consiste no controlo da taxa de inflação. A insistência no inquestionável destas posições fez delas uma nova ortodoxia. Até as economias europeias em transição têm sido invadidas pela ideia - apesar da ausência de confirmação empírica ou mesmo confirmação adversa de benefícios de tais reformas institucionais.
Talvez o sucesso e a forma, sobretudo espectacular, de apresentação do caso da Nova Zelândia em conjunto com a experiência europeia da UEM tenham dado um impulso fundamental à ideia de independência dos BC e à limitação das suas responsabilidades. A ideia de independência arrastou a crença que os procedimentos da sua política não deveriam ser usados para outra coisa senão o controlo da inflação. Um BC moderno é independente e apenas se preocupa com a inflação e comporta-se como um "vulgar" burocrata que aplica regras simples e conhecidas.
Procuramos com este trabalho apresentar o papel que vem sendo reservado aos BC (I) e o relevo que toma a inconsistência temporal na justificação da independência destes (II). Chamamos a atenção para as regras de acção política e para a escolha do instrumento dessa política quando queremos estudar o seu comportamento (III). Quando se estuda o papel do BC e das suas políticas a importância da curva de Phillips é considerável, não só no sentido da sua evolução em períodos de inflação crescente como de inflação decrescente e reduzida (IV). Na parte final do nosso trabalho apresentamos a nossa ideia de uma função de reacção, com estrutura linear (V), os modelos que testamos (VI) a leitura que fazemos do nossos resultados (VII) e os resultados propriamente empíricos para cada uma das economias aqui visadas, Estados Unidos da América, Alemanha, Japão, França e Itália. Concluiremos (IX) e num pequeno apêndice descrevemos alguns testes menos conhecidos e aqui utilizados.
A nossa investigação permite-nos concluir que o comportamento efectivo dos BC é de facto bastante diferente da ideia que os economistas têm afinal popularizado. No caso dos Estados Unidos, Japão e Alemanha a política monetária reage às variações da taxa de desemprego de uma forma estável. Tanto a França como a Itália prescindiram de uma política independente ao procurarem a convergência com a Alemanha.

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