"Cada uma das numerosas línguas nacionais, regionais,
minoritárias e migrantes faladas na Europa acrescenta uma faceta à nossa
herança cultural comum."«A língua da Europa é
a tradução», como afirmou Umberto Eco.(in "Multilinguismo: uma mais-valia para a
Europa e um compromisso comum. Comunicação da Comissão ao Parlamento Europeu e ao Comité das Regiões" – Bruxelas, 18
de Setembro de 2008) As Línguas no plano internacionalHoje
falam-se cerca de 6000 a 7000 línguas no mundo, não contando com os
dialectos. Só na Nova Guiné, por exemplo, podemos encontrar cerca de
1000 línguas - 1/6 do total actualmente existente. São
poucas as línguas que sobrevivem ou sobreviveram mais de 2.000 anos
(entre esse número reduzido contam-se as seguintes: Basco, Chinês,
Egípcio, Grego, Hebraico, Latim, Persa, Sânscrito e Tamil). Só
20 línguas é que são partilhadas na Terra por centenas de milhões de
falantes repartidos por vários países. Metade da população mundial
utiliza diariamente apenas nove línguas diferentes - Chinês (1200
milhões de pessoas) Inglês (478 milhões), Hindi (437 milhões), Espanhol (392 milhões), Russo (284 milhões), Árabe (225 milhões), Português (184 milhões), Francês e Alemão (cada uma 125 milhões). Outras
línguas possuem menos de um milhar de falantes. Em África há mais de
200 línguas que são utilizadas por menos de 500 falantes. 94% das
línguas são línguas maternas de apenas 4% da população mundial. A maior
densidade do multilinguismo encontramo-la nas zonas equatorianas do
Sudeste Asiático, da Índia, de África e da América do Sul. Todos
os anos, no mundo, há 10 línguas que morrem e com elas desaparecem
tesouros culturais por elas transmitidos. A morte das línguas não é
nenhum fenómeno recente. Desde que se começaram a diversificar, surgiram
cerca de 30.000 línguas (há quem fale até em meio milhão) que logo
desapareceram, muitas vezes sem deixarem qualquer rasto. Os
mínimos de sobrevivência para uma língua situam-se pelos 100.000
falantes. Este processo de extinção assumiu na modernidade contornos e
ritmos preocupantes. 26 de Setembro - Dia Europeu das Línguas Na
Europa fala-se apenas 3% das 6-7.000 línguas existentes, ou seja, 225
línguas europeias verdadeiramente indígenas. Todavia, os europeus julgam
que no seu continente são faladas muitas línguas, sobretudo comparando
com a América do Norte e com a Austrália. Para muitos
europeus, o monolinguismo constitui a norma do dia-a-dia. Todavia, 1/2 a
2/3 da população mundial é bilingue e um número considerável dos
habitantes do nosso planeta chegam mesmo a ser plurilingues. Pode
dizer-se que o plurilinguismo é uma situação mais normal do que o
monolinguismo. A tendência moderna vai no sentido de se
enaltecer a pluralidade linguística e cultural, enquanto bens
patrimoniais, com a sua beleza individual, que merecem ser valorizados.  Cada
língua transmite uma visão própria do mundo e revela uma história
própria e única. Todas as línguas possuem uma identidade própria e um
valor particular. Todas elas são adequadas enquanto meios de expressão e
de compreensão. Nesse sentido, o Conselho de Ministros
do Conselho da Europa decidiu, no dia 6 de Dezembro de 2001, celebrar
anualmente, no dia 26 de Setembro. o Dia Europeu das Línguas. A
diversidade linguística é uma realidade diária na União Europeia. A
União Europeia respeita a riqueza da sua diversidade cultural e
linguística e vela pela salvaguarda e pelo desenvolvimento do património
cultural europeu. A Comissão Europeia está empenhada na preservação e
na promoção desta característica fundamental. Nesse sentido,
o multilinguismo passou a ter desde 1 de Janeiro de 2007 um Comissário
Europeu que se ocupa exclusivamente desta área: o romeno Leonard Orban.
Nesse mesmo dia 1 de Janeiro de 2007, a família europeia aumentou para
23 línguas oficiais: o alemão, o búlgaro, o checo, o dinamarquês, o
eslovaco, o esloveno, o espanhol, o estoniano, o finlandês, o francês, o
gaélico, o grego, o húngaro, o inglês, o italiano, o letão, o lituano, o
maltês, o neerlandês, o polaco, o português, o romeno e o sueco.  |