Este site utiliza cookies para lhe proporcionar uma melhor experiência de utilização. Ao navegar aceita a política de cookies.
OK, ACEITO

Bolseiros do Programa Ciência 2008

Ciência 2008 Investigadores Doutorados


Alexia Dotras Bravo

Investigadora: Alexia Dotras Bravo

  • Categoria: Investigadora Doutorada dentro do Programa de contratação de doutorados para o Sistema Científico e Tecnológico Nacional (STCN) da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
  • Grupo: Literatura sem fronteiras.
  • Investigador responsável: António Apolinário Lourenço.
  • Período: 2009-2012
  • Local: Centro de Literatura Portuguesa, Faculdade de Letras, Universidade de Coimbra

O plano de trabalho a desenvolver por Alexia Dotras orienta-se à sua actividade como investigadora na época do “Siglo de Oro” espanhol. O facto de ela ser especialista no Dom Quixote de la Mancha envolve os seus trabalhos no panorama do cervantismo e do Barroco espanhol, sendo membro activo da Asociación de Cervantistas –AC–, da Asociación Internacional Siglo de Oro –AISO– e da Asociación Internacional de Hispanistas –AIH. Além disso, aproxima-se de outros eidos de investigação, tais como a Literatura Galega actual (membro da Asociación Internacional de Estudos Galegos, AEG), a Literatura Comparada no âmbito ibérico ou a Literatura Infanto-Juvenil (membro da Asociación Nacional Investigación en Literatura Infantil y Juvenil, ANILIJ).

Lope de Vega_Seis Comedias


Projectos e objectivos específicos

1.   Comemoração do IV aniversário de Arte Nuevo de Hacer Comedias de Lope de Vega em 1609. Colóquio Internacional, com a publicação dos respectivos artigos.

2.    Catalogação das obras antigas depositadas na Biblioteca da Universidade de Coimbra de Lope e sobre Lope. Trabalho sobre Lope em Portugal.

3.    Continuidade das investigações a partir das edições antigas como Tirso de Molina, Góngora, Quevedo e Calderón de la Barca, nomeadamente, os trabalhos destes autores que foram publicados em Portugal.

4.    Colaboração na Secretaria da Revista de Estudos Literários, publicação anual editada pelo CLP (desde 2009).

5.    Colaboração no “Imagotipos Literários: Processos de (Des)Configuração na Imagologia Literária”, coordinado pela Professora Maria João Simões (2009).

6.    Colaboração en actividades e publicações sobre o romance realista do século XIX, que se desenvolve no projecto de investigação “Naturalismo Revisitado”, coordinado pelo Professor António Apolinário Lourenço (2009-2010).

7.    Catalogação e estudo da bibliografia espanhola da biblioteca “Carolina Michaëlis de Vasconcelos”. Publicação dos resultados (2011).

8.    Colóquio Internacional acerca das Novelas Ejemplares de Miguel de Cervantes em 2013. Publicação das comunicações.

9.    Continuidade e aprofundamento do trabalho feito na exposição bibliográfica “Cervantes na Universidade de Coimbra”, organizada pelo CLP em 2005 (2013).

10.    Organização de actividades no eido dos estudos literários comparativos português-galego (2009-2013).

11.    Organização de actividades no campo da Literatura Infanto-Juvenil (2009-2013).

12.    Colóquio acerca dos trabalhos do escritor e actor Fernando Fernán Gómez.



Sara Augusto

Investigadora: Sara Augusto

  • Categoria: Investigadora Doutorada dentro do Programa de contratação de doutorados para o Sistema Científico e Tecnológico Nacional (STCN) da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
  • Projecto: Viagens a Roma na Época Barroca: as narrativas
  • Grupo: Poéticas
  • Investigadora responsável: Maria Marta Anacleto
  • Período: 2009-2012
  • Local: Centro de Literatura Portuguesa, Faculdade de Letras, Universidade de Coimbra
Curriculum Vitae

Nasceu em Viseu, em 1969.

Licenciada em Humanidades pela Universidade Católica Portuguesa, em Viseu (1991). Mestre em Literatura Brasileira e Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, pela Universidade de Lisboa (1995). Doutora em Línguas e Literaturas Modernas, pela Universidade Católica Portuguesa (2005).

Assistente estagiária, assistente e professora auxiliar convidada da Faculdade de Letras e do Departamento de Letras da Universidade Católica, em Viseu, de Outubro de 1991 até Setembro de 2009.

Bolseira de pós-doutoramento da Fundação para a Ciência e Teconologia (FCT), na área de Estudos Literários (Literatura Portuguesa - Época barroca), de Setembro de 2007 a Setembro de 2009.

Investigadora Doutorada no Centro de Literatura Portuguesa, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, ao abrigo do Programa Ciência 2008 / FCT, desde Setembro de 2009.

Pós-doutoranda na Universidade de Coimbra (Literatura Portuguesa - Época Barroca: Viagens a Roma na época barroca - as narrativas; coordenação científica dos professores José Augusto Bernardes, da Universidade de Coimbra, e Giulia Lanciani, Universidade de Roma).

No âmbito das suas áreas de formação, de leccionação e investigação (Literaturas de Expressão Portuguesa, Literatura Portuguesa - Maneirismo e Barroco, estudos sobre a alegoria e sobre a ficção barroca, emblemática, narrativas de viagem), apresentou trabalhos em conferências, congressos e reuniões científicas, em Portugal e no estrangeiro; publicou artigos em actas e revistas nacionais e estrangeiras, destacando a edição do texto épico barroco, Descrição da Cidade de Viseu (Viseu, 2002), e da tese de doutoramento A Alegoria na ficção romanesca do Maneirismo e do Barroco, que será publicada no correr do ano pela F. Calouste Gulbenkian/FCT.

Projecto de investigação (pós-doutoramento)

Viagens a Roma na época barroca: as narrativas

Resumo

A viagem dos portugueses a Roma foi uma constante da história política, social e religiosa desde a época medieval, período em que se situam os relatos que se instauraram como modelos, nas suas preocupações relacionadas com a deslocação no espaço, com a descrição dos momentos mais marcantes da jornada e, sobretudo, no que diz respeito às motivações políticas e religiosas da viagem. Mas foi a partir do século XVI que emergiu a preocupação com a escrita e a narrativa das viagens, patente num conjunto significativo de relatos, que se prolongam pelos séculos XVI e XVII.

No período barroco, para além das questões políticas associadas à Restauração de 1640, dos factores religiosos, comerciais e jurídicos, que obrigam e convidam à viagem, e da descrição do itinerário, das pousadas, dos portos, das terras e das gentes, interessa-nos destrinçar as motivações da escrita. Do registo político e formal dos embaixadores ao diário do viajante culto, curioso e atento, trata-se de um conjunto de narrativas, frequentemente na primeira pessoa, caracterizadas por um discurso menos expansivo, na sua agudeza e engenho, que a ficção ou a poesia, mas capazes de transmitir, de forma igualmente rica e desenvolvida, a mundividência própria do universo barroco.

Estado da arte

Os estudos sobre o tema das viagens não são inéditos e têm motivado interessantes investigações e abordagens. Para além do clássico Hakluytus Posthumus or Purchas His Pilgrimes, Contayning a History of the World in Sea Voyages and Lande Travells by Englishmen and others (in twenty volumes), de B. D. Purchas (1605), as primeiras manifestações consistentes deste interesse tiveram lugar nos finais do século XIX e consistiram no levantamento de longas bibliografias de viagens, de que são exemplos o Dictionnaire géographique, historique, discriptif, archéologique des Pelerinages anciens et modernes (1850), de Louis de Sivry e M. Champagnac, e Voyages et voyageurs de la Renaissance (1895), de E. Bonnaffé. Foram suficientes para definir a peregrinação como uma das motivações predominantes da viagem e de marcar um período caracterizado por uma extrema mobilidade, o Renascimento.

Só nos meados do século XX, se voltam a registar estudo de fôlego sobre a matéria. É o caso da Histoire des Pelerinages de la Chrétienté (1941), de Émile Baumann, da Peregrinatio Religiosa (1950), de B. Kötting, e das obras de Romain Roussel: Les pèlerinages a travers les siècles (1954) e Les pélerinages (1956). Em Portugal, de Mário Gonçalves Viana foi publicada a obra As viagens terrestres dos Portugueses: ensaio histórico-filosófico (1945) e de Mário Martins, uma segunda edição de Peregrinações e Livros de Milagres na nossa Idade Média (1957). Estes estudos permitem reiterar o domínio da motivação religiosa na mobilidade colectiva e individual e identificar a época medieval como um período privilegiado nas relações de viagens, que lhe permitiu instaurar-se como matriz dos relatos e das narrativas posteriores.

Foi na década de 80 que teve lugar um franco desenvolvimento dos estudos sobre a literatura de viagens que, além de reforçarem as premissas já comprovadas (veja-se P. A. Sigal, Les marcheurs de Dieu, pèlerinages et pèlerins au Moyen Age, 1974; P. Brown, The Cult of the Saints, 1981; Jean Chélini e Henry Branthome, Les chemins de Dieu: Histoire des pèlerinages chrétiens des origines à nous jours, 1982; A. Dupront, Du Sacré. Croisades et pèlerinages, 1987; Jean Richard, Les récits de voyages et de pèlerinages, 1981, insistindo nas viagens de peregrinação, apresentaram outras motivações de carácter jurídico e económico (confira-se Voyager à la renaissance: actes du colloque de Tours- 1983, publicadas em 1987, por Jean Ceard e Jean-Claude Margolin).

No final da década de 90, desenvolveram-se, em Portugal, vários projectos de investigação sobre a literatura de viagens, pretendendo uma teorização sobre conceito e género, mas também desenvolvendo um trabalho de recolha e sistematização que teve como resultado a publicação de listas bibliográficas reveladoras de um corpus abundante e necessitado de edição e análise. Neste sentido, fomos responsáveis pelo capítulo “Peregrinações: Roma e Santiago de Compostela”, de Condicionantes culturais da Literatura de Viagens: Estudos e Bibliografias, Lisboa, Cosmos, 1999, de Fernando Cristóvão. O presente projecto nasce deste anterior envolvimento com a matéria e da evidente necessidade de proceder a uma investigação sistemática, tanto de carácter genérico como parcial, sobre a literatura de viagens, no caso, sobre as narrativas de viagem a Roma, centro religioso, político e cultural da Europa barroca. Por outro lado, o estudo da ficção romanesca no maneirismo e no barroco, de que nos ocupámos na dissertação de doutoramento, permitiu-nos perceber como a viagem se apresentava como uma estrutura omnipresente, alertando para a necessidade de estabelecer relações entre a narrativa de viagem e a narrativa ficcional.

Objectivos

Partindo de uma bibliografia básica de relatos de viagens de portugueses a Roma, pretendemos levar a cabo uma investigação sistemática nas bibliotecas e arquivos portugueses, de forma a conseguir um corpus exaustivo de manuscritos e publicações, compostos e impressos entre os finais do século XVI e os meados do século XVIII. Tendo em conta o destino específico destas viagens, estenderemos esta investigação às bibliotecas e arquivos em Roma, para além de considerarmos possível a necessidade de proceder a pesquisas em outras bibliotecas europeias.

Num segundo passo, será nosso objectivo a reprodução e a reunião dos documentos, procedendo-se depois à selecção, à transcrição e à preparação dos materiais para edição, segundo critérios entretanto estabelecidos, após a leitura, estudo e análise comparativa dos textos.

No campo do ensaio, pretendemos estudar e desenvolver os seguintes aspectos, sob a forma de conferências, comunicações e artigos, subordinados ao título genérico A viagem a Roma e a mundividência barroca: Viagens a Roma: as motivações da narrativa; As narrativas de viagem: entre o itinerário e o insólito; Destino: Roma – o reino do ler e do olhar (a cultura erudita e a écfrase); Em Roma: o dever e o querer (cumprimento dos objectivos da viagem e o entretenimento pessoal); Narrativas de viagem: o discurso barroco; Narrativa de viagens e a ficção romanesca.