a carregar...

FLUC

Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas

O CER na Imprensa



Entrevista para o mestrado de Jornalismo e Comunicação da FLUC

Março de 2017

«História recente do Leste»

A entrevista e o texto de apoio estão disponíveis aqui.
 

Artigo do jornal Diário de Notícias

2 de Setembro de 2016

Gente que Veio de Fora

Uma vida dedicada a promover língua e cultura russas

Vladimir Pliassov DN
Vladimir Pliassov é professor universitário, responsável pelo Centro de Estudos Russos, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Vive na Cidade dos Estudantes desde 1988

O destino tem destas coisas: foi em Moçambique, em meados dos anos 80, que Vladimir Ivanovitch Pliassov percebeu que, além da pátria Rússia, "o único país da Europa onde poderia viver era Portugal". O convívio com os portugueses emigrados, como ele, na antiga colónia (que então sofria na incerteza de uma longa guerra civil) mostrou-lhe os encantos lusos. E o professor, que trabalhava como tradutor na companhia ferroviária moçambicana, voou até Coimbra: é aí que, desde 1988, ensina a língua e a cultura da terra natal, num espaço que se tornou, em 2012, o primeiro Centro de Estudos Russos (CER) da Península Ibérica.

A história de Vladimir Pliassov é a de uma vida dedicada a promover língua, história e cultura russas além-fronteiras: uma tamanha missão que o faz querer falar mais do CER - instalado na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, com base num acordo de cooperação com a Fundação Russkiy Mir - do que do percurso e das quase três décadas que leva em Portugal. Mas, no fundo, os dois temas ligam-se, naquelas salas onde se promove a literatura, cultura e história russa junto de estudantes universitários portugueses e se ajuda imigrantes russófonos a preservarem a língua materna.

Vladimir, hoje sexagenário, estaria longe de imaginar essa evolução quando aterrou em Portugal, a 15 de agosto de 1988. "Nesse dia, estava tudo fechado. Entrámos numa loja, saímos com dois sacos de plástico e lá estava metade do meu salário mensal. Pensei: "como vou viver até ao fim do mês?"", recorda, entre risos - uma constante no seu discurso, intervalado por anedotas e curiosidades da história da Rússia. Esse impacto não o fez vacilar. "O mais importante é não ter ilusões falsas. Eu sabia bem como era o país para onde vinha", garante.

Então, já aprendera a simpatizar com Portugal em Moçambique. "Lá, os portugueses viviam com as mesmas condições que nós. Partilhávamos carnes, cervejas, as coisas que tínhamos. Tínhamos uma relação aberta. Por exemplo, com os alemães que moravam no nosso prédio não era a mesma coisa", conta. Por isso, Coimbra - para onde foi enviado ao abrigo dos acordos de cooperação entre Portugal e a União Soviética - pareceu--lhe uma opção natural.

O ensino de russo rapidamente ganhou o seu espaço na cidade dos estudantes. Vladimir ficou com o horário preenchido, a 100%, a partir de 1991 (desde 2012, que os 12 módulos lecionados juntam mais de 200 alunos ano). "Fui bem recebido, acreditaram no meu profissionalismo e, hoje, ajudam-me em todas as atividades", garante o "responsável" pelo Centro de Estudos Russos - "não quero ser chamado de diretor, não estou aqui para dar ordens para as funcionárias do centro", nota.

Esse jeito de bem receber ou capacidade para deixar os imigrantes sentirem-se em casa (numa palavra, hospitalidade) é das qualidades portuguesas que Vladimir Pliassov mais elogia. "Portugal é um país excelente por uma razão: nunca tenta assimilar os imigrantes", explica. Talvez por isso o docente universitário - que vinha a pensar "ficar só dois ou três anos" - tenha decidido fixar a família por cá, enquanto a Rússia se reerguia dos escombros da União Soviética.

País tolerante, apesar das diferenças

Afinal, portugueses e russos podem ter as suas diferenças de personalidades ("nós não sorrimos na rua, somos fechados, mas entre família e amigos somos muito mais abertos"), mas têm humores parecidos ("também gostamos muito de anedotas") e a mesma capacidade de tolerância... até certo ponto. "Quando acaba a tolerância, aparece a revolução de outubro ou o 25 de abril", ri Vladimir.

O retrato do seu povo continua nítido: todos os anos, o professor universitário regressa à Rússia, para reencontrar os amigos, ora na Moscovo natal, ora em Ekaterimburgo (no centro do país), ora em Vladivostok (no extremo oriente, junto ao mar do Japão). O maior país do mundo, estendido da ponta da Europa até ao oceano Pacífico, reúne "muitas etnias e culturas diferentes, mas somos tolerantes entre todos, como no tempo da União Soviética", garante Vladimir Pliassov.

Nas férias, também é tempo de o docente matar saudades de uma das bebidas prediletas: não o vodka ("só bebo cinco ou seis vezes por ano, em momentos especiais) mas o chá ("temos muitos chás diferentes que não se encontram por cá"). Quanto a língua, história e cultura russas, já se sabe, é mais fácil manter os laços. No Centro de Estudos Russos as portas estão sempre abertas para fazer iniciativas com as escolas e associações de imigrantes de leste da região. E faz-se também tradução de textos e legendagem de alguns filmes "de culto", para exibição no Clube de Cinema Russo, lá sedeado e em outros espaços culturais da cidade. É essa a missão a que Vladimir tem dedicado a vida.

Para entender a Rússia

Clichês "Todos pensam que Rússia é "vodka, matrioskas, Sputnik, Putin...", mas é mais do que isso."

Geografia É um país gigante, que "está dividido em três grandes partes, europeia, Sibéria e Extremo Oriente".

Política "Os russos votam mais pelos líderes do que pelos partidos e gostam de quem defenda a imagem do país."

Literatura "É uma referência desde o século XII. É tudo sobre o nosso carácter."

Individualismo "O que junta os russos são as grandes desgraças. No dia-a-dia são individualistas, cada um no seu cais."

Comentários

Gillie Gil

Que saudades, Professor! Era sempre um prazer ter aulas consigo! O seu entusiasmo contagiante e a fé que deposita nas capacidades dos seus alunos são características muito apreciadas e que fazem a diferença na aprendizagem. 'A língua é como uma bicicleta. Se já aprendeste antes só tens que continuar a usar e tudo volta outra vez. Está aí dentro do cérebro. Imagina uma caixa, lá dentro deposita os verbos que se usam com mais frequência; depois junta-lhe vocabulário que usas no dia a dia. Tens aí tudo o que precisas para começar. O resto virá com o tempo.' E assim foi. Muito, muito obrigada, Professor. Tive o prazer de estar presente na abertura do CER, motivo de grande orgulho para si. Um espaço absolutamente bestial! Muitas felicidades!

4 de Outubro de 2016 8:26

Verónica Dankova · Professora na Escola Secundária de Pombal

Parabéns ao prof. Vladimir pelo trabalho que tem desenvilvido ao longo da sua carreira na Faculdade de Letras e como o responsável pelo Centro de Estudos Russos. É ´muito importante abrir os horizontes e conhecer a cultura russa. Conhecer a cultura ajuda conhecer o povo, ajuda a compreender melhor as pessoas e as suas vivênvias. Consequentemente, conseguimos ultrapassar as ideias mais estereotipadas, erradas, ou meio-verdades. Obrigada a DN pelo artigo.

3 de Setembro de 2016 15:04

Jorge Simões · Diretor técnico na empresa Inovgeo

Um homem 5 estrelas. Meu professor em "Introdução à História e Cultura Russas", foi a minha grande inspiração para ter lido já grande parte das obras de Tolstoi e Dostoiveski. Começando nos tempos dos primeiros povos nómadas até à atual Democracia russa, levou-nos numa viagem pelo tempo de uma maneira tão singular que, desde os filmes em russo sem legendas que ia traduzindo para nós aos episódios dramáticos da distituição do poder dos czares e políticos que o povo não gostava (solução ou renovação: cortava-se-lhes a cabeça), foi uma unidade curricular completamente fora do normal, mas espetacular. Aconselho

6 de Setembro de 2016 11:35

Carolina Henriques · Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra - FLUC

Fui aluna do Prof. Doutor Vladimir Pliassov na disciplina «Introdução à Literatura Russa» no meu último ano da licenciatura em História, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Foi com enorme satisfação que frequentei esta disciplina que tanto me ensinou, sobretudo, ao nível da cultura histórico-literária de todos os períodos da actual Rússia. A literatura russa foi-nos apresentada e ensinada desde os seus tempos mais remotos, fundamentalmente, desde a Idade Média, passando pelos períodos modernos onde se verificaram uma série de alterações de maturação relacionadas, em grande parte, com mudanças substanciais aos níveis político-sociais onde figuraram autores novecentistas como Pushkin, Gogol, Dostoiévski, Tchekov e Tolstói. Por fim, contactámos com aquilo que considero a literatura russa avant-garde, que floresceu no horizonte das grandes guerras mundiais, onde se encontram autores como Máximo Gorki, Mikhail Bulgákov (aliás, o CER da FLUC realizou, no ano lectivo passado, um evento de apresentação damais recente tradução da obra «O Mestre e Margarita» da autoria deste último, onde estiveram presentes os tradutores Nina e Filipe Guerra) e Alexander Soljenítsin (autor de uma obra fabulosa intitulada «Arquipélago Gulag», onde se explica e explora a realidade dos campos de concentração e de trabalhos forçados da antiga U.R.S.S., sob o comando forte de Estaline).  Considero, pois, com base na minha experiência que a existência do Centro de Estudos Russos sediado na FLUC é uma mais-valia para o crescimento moral e intelectual de todos os que o frequentam. O CER é um projecto enorme, um projecto além-fronteiras, que permite a todos aqueles que o frequentam abrir horizontes e, sobretudo, obter outras perspectivas de análise em todas as áreas do saber.  Desejo que este projecto perdure por muito mais anos, sob a direcção do Prof. Doutor Vladimir Pliassóv (que tem feito um trabalho importantíssimo), para que nunca se perca algo que é fundamental: o multiculturalismo!  Carolina Henriques Pereira

5 de Setembro de 2016 7:02

Sandra Matos Olsson · Teacher na empresa Rutborgskola

спасибо! - um grande obrigada! Ao meu querido profe de Russo que me ensinou muito mais que Russo! Tive o privilegio de ser sua aluna de 1998 a 2000. Adorei as suas aulas e historias. Aprender Russo básico com o profe VIP abriu-me as portas a aprender otros idiomas e hoje vivo na Suécia e falo e escrevo Sueco fluentemente. Em parte graças á filosofia de vida e estratégias de aprendizagem de idiomas que nos ensinou.

27 de Setembro de 2016 5:18

Joaquim Caldeira · Coimbra

E eu estou grato ao professor por ter tido o privilégio de ser seu aluno e ter aprendido com a suaa ajuda, uma parte significativa da lingua russa.

7 de Setembro de 2016 8:26

Gabriela Lopes · Trabalha na empresa Bolos lindos de comer - I love cakes

Priviet, professor Vladimir! Gostei muito de aprender um pouco da língua e cultura russas com este senhor sempre bem disposto!

6 de Setembro de 2016 9:14

Rudy Salgueiro

Um grande abraço para o meu Amigo e também meu Professor de Russo, Vladimir. Parabens por mais este reconhecimento!

4 de Outubro de 2016 3:46

Nádia Fonseca · FEUC - Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra

Foi meu Professor, gostei muito da sua forma de se relacionar com os alunos enquanto estudávamos línguas e literatura Russa

2 de Setembro de 2016 3:45

Artigo da Revista Visão

3 a 9 de Janeiro 2013

O FUTURO NA PONTA DA LÍNGUA 

por Luís Ribeiro e Thiago Mourão* (texto) e Marcos Borga (fotos)
Para a Rússia, com Amor
Inês Gil Visão

Inês Gil, tradutora e estudante de língua russa

Após vários anos a ser ignorada, também a língua de Tolstoi e Dostoievski ganha cada vez mais adeptos – a Rússia encontra-se em ascensão económica, sustentada pelas suas reservas energéticas, de que a Europa do Norte e Centro dependem.

«Há três anos, começou a notar-se um maior interesse pela língua. Temos, actualmente, mais de duzentas inscrições nos dois semestres de russo», sublinha Rita Marnoto, directora do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Os objectivos dos alunos passam, aqui e ali, pela perspectiva de conseguir emprego na área da tradução e em empresas russas a trabalhar em Portugal. Mas a emigração é outra das finalidades de muitos estudantes. «Há imensa procura dos seminários de intercâmbio e da aplicação prática no mundo empresarial», completa.

É um desses seminários que está no horizonte de Inês Gil, 32 anos, tradutora de inglês e francês, e agora a estudar russo, na Universidade de Coimbra. «Já não planeio a longo prazo, mas passa-me pela cabeça emigrar. Se fizer o seminário em Moscovo e houver opções [de emprego], a Rússia é um país a considerar.» Se Maomé não for à montanha, a montanha poderá vir a Maomé: Portugal está na moda, entre a classe russa mais rica. Muitos moscovitas de carteiras recheadas fazem férias no nosso país, em detrimento de outros destinos de praia (Grécia, Egito, Espanha), precisamente por ser mais caro – dessa forma, mostram aos amigos a sua saúde financeira.

Por outro lado, a comunidade de Leste, russófona, que vive em Portugal, ainda é um mercado para algumas profissões, mesmo que a maioria desses imigrantes fale português. «Já trabalhava com ucranianos, moldavos e russos, quase sempre em processos ligados a contratos de trabalho», conta Marta Ávila, 39 anos, advogada e estudante de russo na Universidade de Coimbra. «Entretanto, percebi que, para defendê-los, precisava de percebê-los melhor. Agora, tenho a sensação de que, por causa disso, crio mais empatia com eles. Sinto as pessoas mais à vontade e ajudo-as a sentirem alguma segurança na nossa sociedade, mesmo para tratar de coisas simples, como abonos de família e subsídios. E se os russos comprarem mesmo os estaleiros de Viana do Castelo…» (...)

*Com Lorena Amazonas

Marta Ávila Visão

Drª Marta Ávila, advogada e estudante de língua russa

(Fotografia da autoria de Vladimir Pliassov)

Fonte: Revista Visão Nº1035



Centro de Estudos Russos na FLUC

26 de Novembro de 2012 por UCV

Esta semana o Babel apresenta o primeiro Centro de Estudos Russos da Península Ibéria. Fica na FLUC e foi criado com o propósito de divulgar a língua, literatura e arte russas, elementos importantes da cultura mundial, bem como apoiar programas de estudo da língua russa.