CULTURA E LITERATURA DE LÍNGUA ITALIANA II
Docente: Doutor MANUEL FERRO
O Romance Histórico Italiano do ‘Novecento’
Apresentação:
O ressurgir do interesse pelo Romance Histórico nas últimas décadas veio de igual modo despertar a reflexão sobre os motivos que justificam a simpatia que partilha junto do público leitor e, necessariamente, sobre os códigos que o configuram. Após a contextualização histórico-sociológica do período considerado, o ‘Novecento’ italiano, apresentam-se, neste programa, não só as origens do género nas letras italianas, como se delineiam também os seus traços específicos, para depois, se proceder à análise da respectiva produção ao longo do século XX, privilegiando-se o período do Pósmodernismo. Conclui-se com uma reflexão sobre a evolução do género, procurando-se justificar a sua vitalidade, recorrendo aos aspectos antes enumerados dos exemplos estudados. Por outro lado, ter-se-á em consideração o facto de o Romance Histórico italiano ser um dos espaços privilegiados de reflexão sobre a construção da Itália moderna, desde a sua unificação no século XIX.
Programa:
1. O ‘Novecento’: Contextualização histórico-sociológica.
1.1. Do Risorgimento à I Grande Guerra: A unificação italiana e a construção da identidade nacional. A intervenção na I Grande Guerra.
1.2. O advento e institucionalização do Fascismo. A construção do Estado totalitário. Antifascismo e exílio.
1.3. A Itália na II Guerra Mundial: Salò. Os aliados, a resistência e a libertação. Da Monarquia à República. ‘Morte’ e renascimento da nação.
1.4. A Itália republicana. A reconstrução. O milagre económico. A Itália e a Comunidade Europeia. Norte e Sul.
2. O Romance Histórico em Itália: a reflexão especular sobre o projecto de unificação e construção da Itália unificada.
2.1. Pressupostos e modelos.
2.1.1. O Romance Histórico romântico: I Promessi Sposi, de Alessandro Manzoni — a configuração dos códigos do género.
2.1.2. A polifonia da sociedade siciliana no romance histórico ‘postrisorgimentale’: I Viceré, de Federico de Roberto. A abordagem irónica do contexto político contemporâneo. A História como pretesto.
2.1.3. Entre a memória do passado e a reconstrução naturalista da realidade: Piccolo mondo antico, de Antonio Fogazzaro.
2.2. O Romance Histórico do ‘Novecento’.
2.2.1. Um caso epigonal do decadentismo italiano: Il Gattopardo, de Tomasi de Lampedusa. Mitos e consciência da decadência da sociedade burguesa. O balanço do 'Risorgimento' no discurso literário.
2.2.2. A reevocação poética do período borbónico à luz das premonições anticonformistas do Neorealismo: La Signora Ava, de Francesco Jovine.
2.2.3. O ressurgir do romance histórico com a afirmação da estética pósmoderna:
2.2.3.1. A revitalização do romance histórico através do experimentalismo com formas literárias tradicionais: Il nome della rosa, de Umberto Eco. O romance como ‘forma aberta’. A semiotização do discurso literário.
2.2.3.2. O jogo explícito de intertextualidade com obras da literatura italiana. O cruzamento de diferentes géneros e paradigmas literários: Le menzogne della notte, de Gesualdo Bufalino. A História e as ‘estórias’.
3. Reflexão final sobre a articulação de História e Ficção.
3.1. O hibridismo genológico inerente.
3.2. A metaficção historiográfica. A reinvenção do passado.
3.3. A questão das referências históricas. História romanceada / Ficção documentada.
3.4. O sujeito na/da/para a História e a sua ‘estória’.
Bibliografia sumária:
— A. Manzoni, I promessi sposi, Milano, Mondadori, 2006.
— Federico de Roberto, I viceré, Milano, Garzanti, 2007.
— Antonio Fogazzaro, Piccolo mondo antico, Milano, Mondadori, 2001.
— G. T. di Lampedusa, Il gattopardo, Milano, Feltrinelli, 2003.
— Francesco Jovine, La signora Ava, Torino, Einaudi, 1990.
— Umberto Eco, Il nome della rosa, Milano, Bompiani, 2004.
— Gesualdo Bufalino, Le menzogne della notte, Milano, Bompiani,2001.