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Retórica, argumentação e filosofia

Docente responsável: Henrique Jales Ribeiro (Prof. associado com agregação do grupo de filosofia)

Conteúdos programáticos:

1. Sinopse histórica: retórica e argumentação na história da filosofia ocidental (de Platão e Aristóteles aos nossos dias);
2. O conflito histórico entre retórica e argumentação, por um lado, e filosofia, por outro: pressupostos e implicações;
3. O paradigma retórico e argumentativo no século XX e o estatuto da filosofia:

3.1. Chaïm Perelman/Lucie Olbrechts-Tyteca, e Stephen Toulmin;
3.2. A clivagem histórica contemporânea entre retórica e argumentação;
3.3. A abordagem filosófica da argumentação perante outras (linguística, sociológica, jurídica, etc.);

4. As novas escolas contemporâneas da retórica e da teoria da argumentação e o estatuto da filosofia.

Objectivos da unidade curricular e conhecimentos, capacidades e competências a adquirir:

A retórica e a argumentação são domínios fundamentais da filosofia ocidental desde a Grécia antiga. No século XX transformaram-se num verdadeiro paradigma do pensamento filosófico, aparecendo como áreas transversais em relação ao conhecimento humano de forma geral. A ideia geralmente aceite, hoje em dia, é que a razão (logos/’ratio’) será, por definição, retórica e argumentativa, e que é nesta perspectiva fundamental que deveremos compreender as suas aplicações. Contudo, o modo como tal poderá ser feito, por força da novidade desse paradigma, constitui ainda uma questão essencialmente em aberto, susceptível de várias respostas e enquadramentos, em especial no que diz respeito ao papel da filosofia. Por um lado, a retórica e a argumentação são tomadas frequentemente como domínios neutrais, não necessariamente e por excelência filosóficos, abarcando contribuições diversas e muitas vezes díspares entre si (a linguística, a da teoria da comunicação, a jurídica, etc.). Por outro, está longe de ser clara a questão de saber em que medida a teoria da retórica é uma resposta a todos os problemas da argumentação, dialecticamente concebida, e vice-versa, quer dizer, em que medida uma teoria da argumentação, dessa forma entendida, pode responder aos problemas propriamente retóricos que a caracterizam. De onde a necessidade imperativa, para nós actualmente, do que poderíamos chamar uma “teoria geral da retórica e da argumentação”.
O programa do curso visa constituir uma abordagem destas duas questões fundamentais, através do estudo e investigação das relações entre retórica, argumentação e filosofia ao longo da história do pensamento ocidental e, muito particularmente, do lugar que a filosofia terá, contemporaneamente, nas principais teorias da retórica e da argumentação.
A Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra foi pioneira em Portugal do processo de transformação a que se começou por aludir, consagrando curricularmente no início dos anos noventa, ao nível do 1º ciclo de filosofia, a importância do ensino da argumentação. Importa agora estendê-lo ao 2º ciclo, também pela primeira vez no nosso país, aproveitando da experiência academicamente adquirida e correspondendo aos
interesses crescentes quer da parte dos jovens licenciados em filosofia quer dos de outras áreas.

Os alunos devem ser capazes de:
a) distinguir e caracterizar os vários tipos de abordagem da retórica e da argumentação desde a Grécia antiga aos nossos dias, tendo em atenção, muito especialmente, o estatuto da filosofia;
b) contextualizar histórica e filosoficamente a emergência e desenvolvimento das principais teorias contemporâneas sobre a retórica e a argumentação;
c) aplicar de forma crítica as competências referidas em a) e b) a alguns do grandes problemas das sociedades contemporâneas.

Bibliografia principal:

AMOSSY, Ruth (2006), L’argumentation dans le discours, Paris: Armand Colin;

ARISTÓTELES (2005), Retórica, Lisboa: Imprensa Nacional Casa da Moeda;

EEMEREN, Frans H. van et al (1996), Fundamentals of Argumentation Theory: A Handbook of Historical Backgrounds and Contemporary Developments, New Jersey: Lawrence Erlbaum Associate;

EEMEREN, Frans H. van, e GROOTEDORST, Rob (2004), A Sistematic Theory of Argumentation: The Pragma-Dialectical Approach, Cambridge: CUP;

GRASSI, Ernesto (2001), Rhetoric as Philosophy: The Humanist Tradition, Carbondale and Edwardsville: Southern Illinois University Press;

HAUSER, Gerard (ed.) (2007), Philosophy and Rhetoric in Dialogue: Redrawing their Intellectual Landscape, University Park-Pennsilvania: The Pennsilvania State University Press;

IJLESSING, Samuel (1976), Rhetoric and Philosophy in Conflict: An Historical Survey, The Hague: Martinus Nijhoff;

JOHNSON, Ralph (1996), The Rise of Informal Logic: Essays on Argumentation, Critical Thinking, Reasoning and Politics, NewporNews, Virginia: Vale Press;

MEYER, Michel et al. (1999), Histoire de la rhétorique, Librairie Général Française;

PERELMAN, Chaïm (1952), Rhétorique et philosophie: Pour une Théorie de l’argumentation en philosophie, Paris: PUF;

IDEM (1979), The New Rhetoric and the Humanities: Essays on Rhetoric and Its Applications, Dordrecht: Reidel Publishing Company;

PERELMAN, C./OLBRECHTS-TYTECA, L. (1958), Traité de l’argumentation: La nouvelle rhétorique, Paris: PUF;

PLATÃO (1997), Górgias, Lisboa: Edições 70;

PLANTIN, Christian (1990), Essais sur l’argumentation: Introduction linguistique à l’étude de la parole argumentative, Paris: Kimé;

RIBEIRO, Henrique Jales (ed.) (2009), Rhetoric and Argumentation in the Beginning of the XXIst Century, Coimbra: Imprensa da Universidade;

TOULMIN, Stephen (1958), The Uses of Argument, Cambridge: Cambridge University Press;

WILLARD, Charles (1983), Argumentation and the Social Grounds of Knowledge, Alabama: The Universiry of Alabama Press.

Metodologias de ensino (avaliação incluída):

─ Aulas preponderantemente teórico-práticas: exposições por parte do Professor, seguidas de debate (40%); leitura, comentário e discussão de textos previamente seleccionados pelo Professor (30%); exposições orais e escritas, por parte dos alunos, seguidas de debate (30%).
─ Avaliação contínua; requerendo-se a apresentação de um trabalho escrito final, segundo moldes a serem definidos por acordo entre o Professor e os alunos.