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Norma & Transgressão - Resumos

Adriana Freire Nogueira (Universidade do Algarve): Quando a transgressão é norma - a religião grega em progresso

Este trabalho é o resultado de uma reflexão sobre a relação entre homem e divindade e todas as questões que a partir desta se levantam, nomeadamente a relação tomada quer de um ponto de vista individual, quer de um ponto de vista de grupo. Dentro das possibilidades que também esta equação permite, interessa-me sobretudo a relação que o homem estabelece com o divino através de rituais de iniciação que, por sua vez, implicam a participação colectiva.
Esta forma de relacionamento homem/divindade ultrapassa (apesar das necessárias coincidências) as aventuras dos deuses que a mitologia nos trouxe e encontra eco nas formas tradicionais de religiosidade que ainda hoje se praticam em Portugal.

Carlota Miranda Urbano (Universidade de Coimbra): Ortodoxia e Heterodoxia no início da modernidade. Poesia hagiográfica neolatina ao serviço da apologética jesuítica

Nascida sob o ascendente das reformas, a Companhia de Jesus, empenhada na defesa da ortodoxia católica, foi protagonista nos acesos debates doutrinais e teológicos que agitaram a Europa. A sua voz fazia-se ouvir sobretudo no púlpito e na cátedra, através do ministério da palavra e do ensino, mas também, e de modo não menos eficaz, nas manifestações artísticas intimamente associadas ao magistério. A poesia neolatina produzida  nos colégios da Companhia pelos seus mestres e discípulos é uma delas. Tomamos neste estudo como exemplo uma epopeia neolatina, de modelo clássico, carregada de significados doutrinais mais ou menos explícitos, dirigidos claramente às polémicas levantadas pela heterodoxia protestante.

Carmen Soares (Universidade de Coimbra): Transgressões gastronómicas: sobre o consumo de carne em Plutarco

No presente estudo procede-se a uma análise do contributo dos dois tratados de Plutarco Sobre o consumo de carne I e II para melhor conhecermos os hábitos e as preocupações da elite greco-romana em termos alimentares. A tónica vem colocada na condenação do consumo excessivo de carne, discurso que permite individualizar quatro tipos distintos de causas para semelhante opção gastronómica: causas antropológicas, filosófico-morais, médicas e ecológicas.

Isabel Donas-Botto (Universidade de Coimbra): Um passado mais-que-perfeito: o impacto do clássico na arquitectura britânica

O “império do bom gosto” é uma expressão que, na sua versão inglesa – “the rule of taste” –, tem sido largamente utlizada para descrever o domínio de parâmetros clássicos que marcou o desenvolvimento das artes, e em particular da arquitectura inglesa, durante cerca de dois séculos (entre os meados do século XVII e o princípio do século XIX). O grande número de casas senhoriais construídas durante esse período constitui a expressão mais eloquente deste classicismo. A “country house” foi desde então elevada a ícone do (bom) gosto, da tradição e da identidade nacionais.
A identificação do classicismo com a tradição arquitectónica britânica não foi, contudo, pacífica, tendo-se verificado, desde o princípio do século XIX, um persistente e nem sempre bem sucedido desafio dos parâmetros clássicos. Nesta comunicação procurarei ilustrar e debater algumas dessas tentativas, nomeadamente na Grã-Bretanha contemporânea.

João Nuno Corrêa Cardoso (Universidade de Coimbra): In extremis: o uso das palavras (extra)ordinárias

Com este título, proponho-me realizar uma incursão pelo campo "(...) des termes (...) qui peuvent réveiller des idées inconvenantes" (Noël, Chapsal - Nouveau dictionnaire de la langue française. Paris, 1860).
Será uma abordagem sociolinguística, entre muitas outras interdisciplinares possíveis, de um tema tido como delicado na comunidade científica pelos contornos psico-culturais que o foram inscrevendo no património linguístico de qualquer língua natural.
Considerarei complexidades definitórias, perfis de utentes, flutuações nos usos e arquitecturas funcionais que, ao longo dos séculos, têm alimentado tensões face a imposição institucional de sucessivos construtos normativos.

José Ramos (Universidade de Lisboa): Norma e transgressão, à luz do paradigma bíblico

Sem exclusividade em praticamente nenhum domínio, relativamente às culturas do seu mundo, a Bíblia desenvolveu um paradigma muito específico na focagem sistémica destes dois conceitos.
O jogo de sentidos da norma condiz com essência, função, estrutura, lógica, identidade, ecologia, valores e objectivos. São coordenadas do ser em sistema, pelas quais o mundo se sustenta e se oferece. Em versão transcendental, é o conceito de Torá como normatividade capaz de se formular em termos de autoconsistência. O conceito de Deus, no espaço da normatividade, joga-se como ponto de referência mais intrínseco ou então mais extrinsificado, dependendo das maleabilidades semânticas queridas e procuradas.
Por outro lado, os sentidos da transgressão, para além  do aspecto mais imediato de anomia, no qual se define a sua própria fenomenologia, acabam por condizer intensamente com as dialécticas individualizadas e existenciais do agir, enquanto processo recriador e reformulador de interesses, de valores e de sentidos, assim reformulando algumas dimensões do ser.
Entretanto, o conceito de Deus que se projecta no horizonte da transgressão institui a dialéctica do agir como dialogalidade interpessoal e quase institui o agente humano como um criador de alternativas, para além de provocar uma instauração do caos. O félix culpa, quae talem et tantum meruit habere  redemptorem (Precónio da Vigília Pascal).
Em última e suprema instância, um processo de transgressão pode instaurar-se como a revolução dialéctica por uma mais profunda fidelidade ao núcleo mais autêntico da normatividade. É o nascimento do Espírito. A Carta aos Gálatas pode ser um belíssimo exemplo dessa démarche.

Josep Monserrat Molas (Universitat de Barcelona, Espanha): La transgresión de la norma como forma de mantener el orden: una nota sobre el sentido de El político de Platón

Como muy bien ha indicado M. Dixsaut, las figuras femeninas que pronuncian discursos en los diálogos platónicos muestran una definida polaridad: si el arte por el que Aspasia destaca es el de la sofística, y a través de ella Platón desmitifica todo un género parodiándolo, Diotima, en cambio, realiza un elogio que sólo es válido si dice la verdad sobre la naturaleza misma del objeto sobre el que se habla, en su caso Eros, un mediador entre lo humano y lo divino. Pues bien, la relación de Platón con lo femenino puede encontrar en El Político un nuevo motivo de reflexión, en este caso vinculado al arte del gobierno de los hombres. Respecto de la cuestión sobre la norma y la trasgresión sostenemos que es también una figura femenina aquella sobre la cual se piensa la dinámica sobre que es posible pensar la conservación y el progreso individuales y colectivos. La resolución de El político de Platón cumple a través de un arte exclusivamente femenino (el tejido, en este caso de virtudes opuestas) la mostración del modelo de la verdadera política posible. El sentido de El político descansa en la transmisión de una responsabilidad compartida de comprender el gobierno de la ciudad partiendo de la necesidad del mantenimiento del orden precario con el continuo tejer y destejer que evita el caos y la tiranía definitivos. Mantendremos que la complejidad de los referentes homéricos sobre los que se sitúa el diálogo deben desplazarse desde la referencia a Ulises como paradigma del señor-rey-pastor divino hacia la figura de Penélope como mantenedora del orden humano posible a través, precisamente, de la trasgresión de la norma.

Luísa de Nazaré Ferreira (Universidade de Coimbra): A representação de crianças na arte grega.

A partir da discussão de dois pressupostos controversos que terão dominado a mentalidade grega – a concepção da criança como um ser incompleto e a valorização da descendência masculina – propomos uma análise da representação de crianças na arte grega, da Idade do Bronze ao período Helenístico, em especial na pintura de vasos e na escultura.

Maria Consuelo Álvarez Morán e Rosa María Iglesias Montiel (Universidad de Murcia, Espanha): La tragedia de las mujeres troyanas en Las Metamorfosis de Ovidio.

En el libro XIII de las Metamorfosis todo el pasaje del destierro de las troyanas gira en torno a los sufrimientos de Hécuba, para lo cual Ovidio utiliza su magistral técnica poética de mezcla de géneros. En este trabajo nos proponemos ver de qué modo el poeta compone sus “Troyanas” y en especial su “Hécuba” siguiendo el guión euripídeo, que va entretejiendo con datos procedentes del género épico (Homero, ciclo posthomérico, libros II y III de la Eneida de Virgilio) para que, lo que aparentemente es igual, resulte absolutamente nuevo gracias a pequeñas pero importantes innovaciones y componiendo una tragedia de mujeres con ausencia del protagonismo que en Troyanas y Hécuba de Eurípides tienen los personajes masculinos.

Maria António Hörster (Universidade de Coimbra) e Maria de Fátima Silva (Universidade de Coimbra): Espaço para Medeia? Notas acerca da Medeia, de Mário Cláudio

Em 2008, M. Cláudio dá à estampa uma peça intitulada Medeia. O presente estudo pretende apurar as relações de intertextualidade entre o texto português e o seu modelo euripidiano, de modo a pôr em evidência a intenção crítica do autor.

Maria do Céu Fialho (Universidade de Coimbra): Reinvenção de mundo e correspondência de símbolos em Sob o Olhar de Medeia, de F. Hasse Pais Brandão

A narrativa de Fiama toma como modelo mítico não a Medeia do teatro euripidiano mas, essencialmente, a da epopeia de Apolónio de Rodes e de Ovídio. O "olhar" de Medeia representa o acto demiúrgico da narradora que, expulsa do paraíso primordial-uterino do quarto materno, pela voz do pai, vai tentando transpor círculos cada vez mais latos, que a levam a confrontar-se com situações, tipos, experiências que despertam reminiscências de culturas várias e que ela procura articular, compreender, na sua equivalência profunda, que sente para além da diversidade. Trata-se de uma narrativa-percurso iniciático que transpõe identidades culturais em busca de um mundo uno, harmónico, perene, no seu fluir e refluir cíclico que o olhar de Medeia, sempre indagador, tenta recriar, em coesão.

Maria Luísa Portocarrero (Universidade de Coimbra): Do trágico da acção ao conceito de sabedoria prática em  P. Ricoeur

Pelo simples facto de procurar reduzir-se à exigência da universalização máxima e exigir o papel constringente da  norma, a  moral da obrigação, absolutamente necessária num mundo marcado pela violência, não permite a transgressão, não  conseguindo contudo anular  o trágico da acção. A este tipo de conflitos originados pela dificuldade de harmonizar a norma com a situação prática concreta  dedica P. Ricoeur  a sua atenção. Considera que os  problemas decorrentes de uma aplicação mecânica da norma exigem que se pense um  outro conceito de aplicação situado no cruzamento da atenção aos factos e do respeito pela norma. A sabedoria prática consiste justamente no inventar das condutas que melhor satisfazem a excepção pedida pela solicitude, traindo o menos possível a regra.

Mark Beck (University of South Carolina, EUA): Constitutions, Contingency and the Individual:  Solon, Lycurgus, and the Early Development of Greek Political Biography

The topic of rule breaking in societies is a fascinating one.  I associate rules with written laws but there are many unwritten codes that wield great influence in contemporary and ancient societies.  Occasionally tensions arise between traditional behaviors which are tacitly accepted and enacted by the multitude and prescriptive laws established without the explicit consent of all members of a society.  Sophocles’s brilliant tragedy the Antigone dramatizes the conflict that arises when a situation of this nature occurs.  This is western societies’ paradigm case of civil disobedience, the repudiation, through verbal or physical acts, of sanctioned social coercion in the form of laws because the laws are wrong, or unjust, or immoral, or violate deeply held convictions of individuals or groups.  In practice, lasting changes in norms and laws in ancient Greece society originated differently.  I am talking about constitutional changes.
While Polybius localized the source of Rome’s successful expansion in their mixed constitution which was not the work of any one individual, as far as he knew and we know today, he was eminently aware that this differed from the Greek paradigm.  Constitutions in the Greek world were tied to individuals, renowned lawgivers, such as Solon of Athens and Lycurgus of Sparta, whose achievements were memorialized by their respective populaces and beyond.  In short I will examine the connections between individual lawgivers, performance, collective or cultural memory, and the potentially useful explanatory model posited by Max Weber in his charisma theory as it relates to the occurrences of paradigm shifts in ancient Greek society.  This unique aspect of Greek social development and its repercussions for the inception of political biography will be the subject of my paper.

Norberto Santos (Universidade de Coimbra): Desvios e regras nos territórios do quotidiano.

A Geografia e o Lazer são duas áreas temáticas com fortes laços de actuação. Em ambos o espaço e o tempo se mostraram como referência fundamental de análise. A abordagem espácio-temporal é relevante pelo facto de fazer parte de um território, onde estão presentes as pessoas, que fazem dos lugares palcos de sociabilidades, de políticas e de vivências, definindo áreas de influência. A proposta é então, não sei se normativa ou transgressiva, no sentido de dar expressão a territórios alternativos, tolerados ou de transgressão, com reflexos tanto no tempo como no espaço, e que têm no lazer, no turismo, nos estilos de vida e no quotidiano a sua representação maior. Promovendo a comparação entre normas e regras procuram-se identificar os modos como as pessoas (o eu) e as culturas (o grupo) têm vindo a assimilar formas diversas de fazer, assumindo umas como factos culturais, num processo civilizacional em evolução, e outras como desviantes e mesmo criminais, numa sociedade em que o consumo se tornou numa característica central da socioeconomia e a valorização da individualidade uma expressão de estilo de vida e de identidade social.

Susana Marques Pereira (Universidade de Coimbra): Adaptação dramática e transgressão

As representações do drama grego antigo em diversos palcos do mundo contemporâneo, em particular na Europa, evidenciaram um incremento considerável a partir da segunda metade do século passado. Com frequência, todavia, o texto torna-se sobremodo um pretexto para adaptações várias, sugestivas de distintas questões, experiências, situações da vida moderna. A peça clássica permanece como modelo, mas revela-se, em simultâneo, um material disponível para constantes inovações da parte de directores hodiernos, susceptíveis de reacções diferentes da audiência, ora de identificação, ora antes de rejeição.
Os Gregos, herdeiros ‘directos’ do teatro clássico, mostram-se em geral particularmente sensíveis às modificações relacionadas com o drama da Antiguidade, como se pode verificar pelo acolhimento que tiveram na Hélade As Aves levadas à cena por Karolus Koun em 1959, ou as Bacantes dirigidas por M. Langhoff em 1997.

Teresa Carvalho (Mestranda da FLUC): Norma e transgressão: os lusíadas de Manuel da Silva Ramos e Alface

Obra experimental devedora da revolução narrativa de James Joyce, os lusíadas de Manuel da Silva Ramos e de Alface, combinam com agressividade paródico-satírica temáticas diversas, discursos fracturados e cheios de hiatos que operam um esvaziamento do conteúdo épico presente n’ Os Lusíadas de Luís de Camões, subvertendo a prática romanesca tradicional e suas categorizações estéticas, numa acção destruidora que questiona a existência da literatura, do livro e da própria língua nacional. Tem, pois, por objectivo esta comunicação apresentar as ousadias que nesta “epopeia” transgridem as fronteiras do género épico e dos códigos literários pré-estabelecidos.

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