Resumo
Maria Helena Santana – O Templo e o Mundo. Notas sobre o lugar simbólico da Poesia no século XIX
Neste
artigo apresenta-se uma reflexão crítica sobre o lugar simbólico do
homem de letras, em particular do criador literário, no século que o
consagrou como intérprete do tempo moderno. Esta questão conduz-nos à
função social atribuída à Poesia, quer no interior do campo literário,
quer no âmbito concorrencial dos poderes e dos saberes. Seguiremos a
sua evolução através do testemunho de escritores e críticos portugueses
em dois momentos diferentes: no tempo histórico do primeiro romantismo,
em que o poeta, num contexto que lhe é favorável, procura definir o seu
espaço de influência; e na época positivista, quando a palavra poética
se vê confinada a um estatuto elevado mas socialmente marginal.
Tentaremos observar, em suma, como a Literatura, erigida em guia
espiritual das sociedades, se confrontou eufórica ou melancolicamente
com os limites da sua autonomia.