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Convite à apresentação de artigos

Convite à apresentação de artigos para o n.º 6, 3.ª série, de Biblos. Revista da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

Arquétipo

A ideia e/ou a imagem simbólica de um modelo (gr. typos) primordial (gr. arke) infiltra tão profundamente a história da humanidade, numa translação entre tempos, lugares e culturas, que nela fica condensado um dos esteios que mais firmemente sustém a relação do ser humano com o mundo. O arquétipo é padrão supremo das cópias que, multiplicando-o, o reificam. Como tal, a sua identificação só pode ser efectuada através da perscrutação semiótica dos símbolos e dos sinais que o modelam, quer se trate de vestígios arqueológicos, de arquitextos, de especificidades antropológicas, de agregações cromossomáticas, de preparados laboratoriais ou de stemmae ecdóticos.

Ao mesmo tempo que consubstancia um paradigma de organização das coisas, o arquétipo guia o conhecimento, configurando temores, expectativas e descobertas, bem como reacções que instigam a consecução, a adaptação e até a proteção. Se, por um lado, pode ser alvo das interrogações que se colocam a qualquer categoria universal, por outro lado potencia conceptualizações e práticas que favorecem uma dinâmica integradora e aberta à transformação. Nessa medida, a articulação entre o typos e as suas realizações contempla um vastíssimo leque de declinações.

Já as civilizações ancestrais explicavam todas as coisas existentes à face da terra através de uma origem sobrenatural que as vinculava a uma génese libertadora do caos primitivo: as cosmogonias (gr. cosmos, ordem) e as teogonias (gr. teos, deus). É nessa medida que Mircea Eliade atribui à religião uma dimensão antropológica que reverte na restauração simbólica de um modelo transcendental exemplar através de práticas renovadoras.

A perfeição de uma ideia originária, que para Platão correspondia ao bem e ao bom e como tal à felicidade, é identificada pelos seguidores do filósofo ateniense com o arquétipo, cuja essência é copiada pelas coisas sensíveis. Através da mediação da escola de Alexandria e dos herméticos, o contacto com um sentido originário oculto leva o pensamento místico à perscrutação das mensagens veladas onde se aloja a verdade.

Por sua vez, é nos estratos mais recônditos da mente que, para Jung, persistem imagens primordiais que condensam a experiência da vida humana e da vida animal que a precedeu, ou seja, o inconsciente colectivo. A lógica dos arquétipos que o povoam não porém é a do mundo físico, o que proporciona interseções e encadeamentos alternativos, apreensíveis através das lendas e dos sonhos.

No grau máximo de concretização do paradigma que convoca, o arquétipo reverte no exemplar concreto que é o protótipo, modelo para outras peças. Já o arquétipo ecdótico é fixado em sentido regressivo, na medida em que o filólogo reconstrói um original de autor perdido a partir de outros textos que conhece.

O enraizamento histórico do arquétipo é bem ilustrado por uma das vertentes mais informais da cultura contemporânea, a cultura de massas. Heróis de séries televisivas, estratégias de suspense usadas em videojogos e entrechos de mitos urbanos ou de narrativas folclóricas reiteram afinal modelos primordiais de origem remota.

O próximo número da revista Biblos, o n.º 6 da 3.ª série, será dedicado ao tema Arquétipo, a ser abordado à luz de diversas perspetivas disciplinares, no âmbito de várias temporalidades históricas.

Até 30 de setembro de 2019, a Coordenação de Biblos. Revista da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra receberá artigos, a enviar por correio eletrónico para o endereço biblos.fluc@fl.uc.pt

Todos os artigos devem seguir as normas redatoriais da revista (Normas para autores http://www.uc.pt/fluc/investigacao/biblos/normas_autores/index) e serão submetidos à arbitragem científica de uma comissão formada por especialistas.

A atividade editorial da revista segue o Código de ética. Guia de boas práticas para editores de revistas da Universidade de Coimbra (Políticas editoriais http://www.uc.pt/fluc/investigacao/biblos/politicas_editoriais/index).

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