O Professor da FLUC, José Cardoso Bernardes conversa com o escritor Mário Carvalho na Comunidade de Leitores da Almedina Estádio Cidade de Coimbra
Publication date: 15-12-2011 12:01

15 de Dezembro, às 21h
O professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, José Cardoso Bernardes, conversa com o escritor Mário Carvalho, no dia 15 de Dezembro, quinta-feira, pelas 21 horas, na Livraria Almedina Estádio Cidade de Coimbra.
A sessão está inserida na Comunidade de Leitores, uma iniciativa orientada por Ana Paula Arnaut, em colaboração com o Centro de Literatura Portuguesa da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
A entrada é livre. José Cardoso Bernardes conta que Mário de Carvalho “estreou-se na vida literária em 1981 com Contos da Sétima Esfera, e beneficiou do louvor imediato da crítica. Embora o tenham aproximado de uma ou outra corrente, o escritor cedo viria a ganhar fama de ‘inclassificável’”. Para o professor da Faculdade de Letras, a escrita de Mário Carvalho caracteriza-se “por uma espessura invulgar, compreendendo um conjunto vasto de referências que, entre outras fontes, provêm do legado greco-latino, da Literatura Portuguesa no seu todo (com destaque para Camilo e Aquilino), da grande Literatura Russa (Gogol, Tchechov), norte-americana e latino-americana.”
Depois do sucesso obtido junto da crítica por livros como “Um Deus passeando pela brisa da tarde” (1993) ou “Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto” (1994), o escritor acaba de publicar mais um volume de contos (“Quando o Diabo reza. Vadiário breve”). Para José Cardoso Bernardes, esta obra confirma a “sua imagem de artista das formas breves, que se distingue pela riqueza do léxico e pelo humor, englobando um misto de ironia e sarcasmo”.
Segundo o professor, “Mário de
Carvalho, tal como outros autores contemporâneos, busca no quotidiano a sua
inspiração, numa atitude que, sendo supostamente realista, acaba por
desconstruir o real, transfigurando-o em termos de personagens, situações e
coordenadas espaciotemporais. Embora esteja já patente em outras obras, pode
dizer-se que essa tensão entre o real e o seu reverso ganha uma nova tonalidade
no livro acabado de publicar, desde logo iniciado com duas epígrafes insólitas,
pela distância que mantêm entre si: uma delas extraída de Gil Vicente e outra
de Émile Zola.”
A Comunidade de Leitores da Almedina é aberta a todos aqueles que sentem o
prazer da leitura e o queiram partilhar. E realizada sob a orientação de Ana
Paula Arnaut, e em colaboração com o Centro de Literatura Portuguesa da
Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
Sobre Mário de Carvalho: Nasceu em Lisboa, em 1944 e licenciou-se em Direito, em 1969. Interrompeu o serviço militar por prisão em Caxias e, posteriormente, em Peniche, por actividade política contra a ditadura, ainda nos tempos de estudante. Esteve exilado em França e na Suécia, mas regressou a Portugal após o 25 de Abril de 1974. Exerce advocacia em Lisboa. Foi colaborador do Diário de Notícias. Estreou-se como escritor com Contos da Sétima Esfera (1981) e publicou, entre outras obras, O Livro Grande de Tebas, Navio e Mariana (1982), que recebeu o Prémio Cidade de Lisboa. Outras das suas publicações são Paixão do Conde de Fróis, que recebeu o prémio Dom Dinis em 1986, Os Alferes (1989), Quatrocentos Mil Sestércios (1991), que recebeu o Grande Prémio do Conto da Associação Portuguesa de Escritores, Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde (1994), que foi galardoado com o Grande Prémio da Associação Portuguesa de Escritores e Era Bom que Trocássemos Umas Ideias sobre o Assunto (1995).