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Expedições Botânicas

Expedições  à Serra da Estrela

A zona hoje incluída no PNSE tem sido alvo do interesse de botânicos que aí têm feito várias expedições florísticas. Esse interesse tem sido partilhado pelo Jardim Botânico de Coimbra que, desde o séc. XVIII, dinamiza expedições botânicas à Serra da Estrela. Domingos Vandelli (1774-1790), primeiro director do Gabinete e Jardim e correspondente de Carl Linnaeus, enviou em diversas expedições o primeiro colector, A. J. Ferreira, à Serra da Estrela. Também Júlio Henriques (1838-1928), director e fundador do Herbário de Coimbra (o maior Herbário português http://herbario-digital.bot.uc.pt/ ), se interessou pela flora da Serra da Estrela e aí fez uma expedição em 1881, tendo publicado as descobertas daí resultantes em 1883 pela Sociedade Geografia.

No entanto, foi durante o período de 1942-81 que o Instituto Botânico efectuou explorações regulares ao PNSE (32 explorações), das quais resultaram 1717 números de colheita. Estas expedições foram particularmente difíceis na década de 40 quando se faziam sentir todas as restrições impostas pela 2ª guerra mundial. Até 1960, altura em que a Fundação Gulbenkian financiou uma carrinha Mercedes, o Instituto não dispunha de meios próprios para as expedições recorrendo-se muitas vezes a táxis alugados onde se comprimiam cinco pessoas e todo o material de colheita necessário! As verbas destinadas às expedições botânicas eram bastante reduzidas, obrigando a grandes ginásticas financeiras e provas de amor ao trabalho. Não existiam ainda ajudas de custo mas, mesmo assim, os colectores percorriam enormes distâncias a pé sujeitos às adversidades do tempo, carregando pesadas caixas de herborização (caixas de ferro onde se colocavam as plantas colhidas, substituídas posteriormente por sacos de plástico), pernoitavam em alojamentos precários, sem condições para o tratamento do material colhido, recorrendo a telheiros, barracões, pátios ou, várias vezes, ao ar livre. O material colhido contribuiu em muito para o conhecimento da flora dessa zona. Infelizmente, a partir de 1981 deu-se um grande decréscimo no número de expedições ao PNSE.

As expedições à Serra da Estrela foram retomadas nos últimos 3 anos no âmbito do projecto das Gramíneas de Altitude (http://www.uc.pt/grasses/; ver também b.n. CISE nº 10, 11, 13, 15, 17). As gramíneas constituem a família de plantas mais relevante nas zonas de altitude da Serra da Estrela. A caracterização rigorosa da flora desses ecossistemas é essencial para o seu conhecimento profundo e conservação. Recentemente, nos meses de Junho e Julho de 2007, efectuaram-se 5 expedições ao PNSE, tendo resultado 140 números de colector. As áreas exploradas foram a Lagoa Comprida, Vale do Conde, Covão da Lapas, Lagoa Seca, Lagoa Redonda, Lagoa Escura, Salgadeiras, Torre, Covão D’ Alva, Penhas dos Abutres, Poios Brancos, Pedrice e Curral do Vento. Foram encontradas algumas das espécies mais interessantes da Serra, como as aquáticas ou semi-aquáticas Potamogeton polygonifolius Pourr. (Potamogetonaceae), planta aquática e rara em Portugal, de águas doces estagnadas pouco profundas, Menyanthes trifoliata L. (Menyanthaceae) típica das regiões árcticas, planta semi-aquática cujas folhas são constituídas por três folíolos inteiros emersos e longamente peciolados e Antinoria agrostidea (DC.) Parl. (Poaceae), uma gramínea comum nos lagoachos da Serra; outra gramínea interessante, foi Festuca henriquesii Hack., a qual cobre pequenas áreas longe dos circuitos mais percorridos e é, provavelmente, restrita à Serra da Estrela. Foram ainda observadas a pteridófita Cryptogramma crispa (L.) R.Br. (Adiantaceae), feto típico das grandes altitudes o qual constitui uma relíquia glaciária; Vaccinium myrtillus L. (Ericaceae), planta muito rara que vive apenas em regiões de Inverno rigoroso e aparece ao longo de charcos e lagoas glaciárias; Drosera rotundifolia L. (Droseraceae), planta carnívora encontrada frequentemente em lamaçais, pântanos e brejos e ocasionalmente ao longo da estrada; Veratrum album L. (Melanthiaceae), extremamente venenosa, muitas vezes confundida com a extremamente rara Gentiana lutea L. (Gentianaceae); Teucrium salviastrum Schreb. (Lamiaceae), uma endémica lusitana típica das grandes altitudes, de crescimento rasteiro e flores lilás.

Estas expedições foram realizadas em colaboração com o CISE; os seus elementos conhecem muito bem a Serra e com eles foi fácil encontrar as plantas mais raras. A eles, um grande obrigado!

 

Bibliografia consultada:

Fernandes, R.B. (1992). As explorações Botânicas do Instituto Botânico da Universidade de Coimbra no Parque Natural da Serra da Estrela nos últimos 50 anos. Anu. Soc. Brot. 58:1-12.

Antinoria agrostideaDrosera rotundifoliaFestuca henriquesiiSaída de campo à Serra da EstrelaTeucrium salviastrum
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