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Orbículos

Gramíneas - Cervunais e Lagoachos - Inventário - Nardus -

Complexo Aira/Corynephorus - Grão de Polén - Orbículos


ORBÍCULOS ou Corpos de Ubisch são pequenos grânulos (1-5 mm) de esporopolenina (fig. 1) que se encontram nas paredes radiais e tangencial interna das células do tapete secretor das Angiospérmicas. O tapete de tipo amebóide, geralmente, não apresenta orbículos. Estas estruturas, cuja origem e função suscitam ainda controvérsia, mostram-se muito diversas em termos morfológicos e estruturais, apresentando a ornamentação da sua parede uma forte analogia com a ornamentação da parede do grão de pólen (esporoderme). Alguns estudos realizados têm revelado que, pelo menos nalgumas famílias de plantas, os orbículos podem constituir uma fonte valiosa de informação taxonómica.

A família Poaceae (gramíneas) é uma das famílias das Angiospérmicas mais difíceis em termos taxonómicos, em grande parte devido aos poucos caracteres disponíveis para a identificação das suas espécies e ao facto das chaves de identificação existentes serem de difícil utilização. A possibilidade dos orbículos serem utilizados como caracter taxonómico seria um contributo importante para ajudar no esclarecimento de certas relações entre as gramíneas e na tomada de decisões taxonómicas mais fáceis, pelo menos a nível de género e/ou tribo.

No projecto de investigação que temos vindo a desenvolver propomo-nos caracterizar os orbículos de algumas espécies de gramíneas existentes no Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE). Para além da análise dos caracteres morfológicos (forma, tamanho, ornamentação da parede, distribuição, densidade, etc) pretendemos também, nalgumas espécies representativas desta família, conhecer as características ultrastruturais destas estruturas, no sentido de investigarmos a sua aplicabilidade na taxonomia das gramíneas. Daremos conta desta investigação, oportunamente, neste site.

Orbículos em pequena ampliaçãoOrbiculos

Fig. 1 Orbículos de gramínea observados no microscópo electrónico de varrimento

ORBÍCULOS e ALERGIAS

A bibliografia da especialidade refere que os orbículos são libertados das anteras conjuntamente com os grãos de pólen. Por serem estruturas de pequenas dimensões e já se ter demonstrado que podem conter alergénios, os orbículos têm sido apontados como potenciais causadores de alergias em indivíduos sensíveis, caso a sua libertação das anteras se verifique de um modo maciço. Este facto, porém, não foi cabalmente demonstrado e, por isso, suscita ainda alguma controvérsia. Constituindo as gramíneas um material de eleição, por serem de um modo geral alergénicas, aproveitámos a oportunidade deste projecto para investigarmos, nesta família, se os orbículos são libertados em quantidades significativas para poderem causar alergia.

As espécies seleccionadas foram Dactylis glomerata e Cynosurus echinatus. Para cada espécie, colheram-se exemplares em três locais distintos do PNSE e deixaram-se as anteras entrar naturalmente em deiscência no laboratório. As anteras abertas e as anteras ainda fechadas foram depois processadas para observações nos MO, SEM e TEM. Nas observações em SEM das anteras fechadas contou-se o número de orbículos na superfície de cada grão de pólen, num total de 100 grãos de pólen. O número de orbículos por 100 μm2 da superfície das células tapetais foi determinado, quer nas anteras abertas, quer nas anteras fechadas, em microfotografias electrónicas de varrimento com uma ampliação de 2000X. Cada área de 100 μm2 foi seleccionada aleatoriamente, sendo a área total examinada de 1500 μm2. A densidade média dos orbículos foi depois determinada e analisada estatisticamente usando o programa Graphpad. A diferença de médias (µD) da densidade de orbículos entre as anteras abertas e fechadas (µ1-µ2) foi avaliada por meio de um teste t-student emparelhado.

Verificou-se que os orbículos revestem quase completamente a superfície das células tapetais, quer nas anteras fechadas, quer após a deiscência. Raros foram os orbículos observados na parede dos grãos de pólen em ambas as espécies. Em cortes de anteras fechadas não se observaram orbículos livres nos lóculos da antera, encontrando-se todos firmemente ligados à superfície das células tapetais. As observações em TEM mostraram que este facto se deve à parede dos orbículos se encontrar embebida e, na maioria das vezes, em continuidade com a membrana peritapetal, o que dificulta a sua libertação nos lóculos da antera. A análise estatística revelou que, em ambas as espécies, a densidade dos orbículos na superfície das células tapetais não é significativamente diferente nas anteras abertas e fechadas. No conjunto, os resultados mostram que a quantidade de orbículos emitidos das anteras das duas espécies de gramíneas é demasiado baixa para justificar o seu papel como causadores de alergias. Estes resultados encontram-se discutidos num artigo publicado na revista GRANA, 2007; 46:140-147.

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