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Imprensa da Universidade

Federico García Lorca

Federico García Lorca (1898-1936) é o autor espanhol mais conhecido e influente depois de Cervantes. Ícone da chamada Edad de plata, Lorca representa como nenhum outro um dos momentos de maior esplendor da cultura espanhola moderna e que floresceu, desde Madrid, ao redor da mítica Residencia de Estudiantes. Criador plural, foi músico, poeta, dramaturgo, prosista, encenador, artista plástico e, inclusive, roteirista de cinema. Atenta tanto à tradição artística europeia quanto aos movimentos de vanguarda do seu tempo, a sua poesia produziu clássicos como Romanceiro gitano, Poeta em Nova Iorque ou Sonetos do amor obscuro. No campo teatral, obras como Bodas de sangue, Yerma e A casa de Bernarda Alba fazem parte, até aos dias de hoje, do repertório dos principais teatros de todo o mundo.

Assim que passarem cinco anos integra – ao lado de O público e da inacabada Comédia sem título – as chamadas “comédias irrepresentáveis” de Federico García Lorca (1898-1936) e testemunha a mais autêntica visão teatral do autor granadino. Na complexa rede de referências da obra estão as matrizes clássicas de um sujeito trágico que colide contra o tempo, os jogos de ilusão herdados do teatro barroco espanhol e a recusa da representação que marca as utopias estéticas do modernismo europeu. O argumento concreto desta peça de 1931 (os cinco anos da espera do protagonista pelo regresso da sua amada) é o ponto de partida para uma profunda experimentação do autor sobre os limites entre teatro e poesia, realidade e ficção, vida e morte. Numa obra de cortante acento farsesco, Lorca regressa às origens da teatralidade e conduz-nos por um labirinto textual onde perdem sentido as fronteiras entre o trágico e o cómico. No elogio do falso, encontra-se a verdade de um “teatro puro”.

Obras editadas na IUC:

Assim Que Passarem Cinco Anos