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Imprensa da Universidade

As receitas de cozinha de um frade português do século XVI

AsReceitasCozinhaFrade

Autora: Anabela Leal de Barros
Língua: Portuguesa
ISBN:
978-989-26-0613-2
Editora:
Imprensa da Universidade de Coimbra
Edição: 1.ª 
Data: 2013
Preço: 15,90 €
Dimensões: 227 mm x 160 mm
N.º Páginas: 514


Sinopse:

Os Portugueses estabeleceram com os alimentos e receitas a mesma relação de curiosidade e inclusão que ao longo dos séculos, mas com mais intensidade no período dos Descobrimentos, têm revelado para com os diferentes e mais ou menos longínquos povos e culturas com os quais tiveram, ou têm ainda, o privilégio de conviver. Uma cozinha que abraçou gostos árabes com ingredientes mediterrânicos, que enlaçou aromas orientais na filigrana da doçaria conventual, que apadrinhou o convívio entre as ervas e legumes lusos de horta e monte com o exótico gengibre, que cruzou a rota da perdiz ocidental com a canela recém-chegada do Oriente, que adoçou o arroz da Índia com o açúcar de S. Tomé, que cruzou os mares ao lado das sardinhas atlânticas, delicadamente acamadas no seu escabeche já baptizado de cravo, canela, gengibre e noz-moscada... foi esta a cozinha que transpôs até mesmo as cerradas portas dos colégios católicos e mosteiros, e que, quinhentos anos depois, chega até nós pela mão sabedora de um frade ou prelado anónimo. Quase trezentas receitas foram cuidadosa e detalhadamente registadas no manuscrito 142 do Arquivo Distrital de Braga, proveniente da antiga Biblioteca do Mosteiro de Tibães, em cujo catálogo se refere como Arte de Cozinha ou Methodo de fazer guizados. O manuscrito, podendo ser do século XVI ou XVII, é a única cópia conhecida desse conjunto homogéneo de receitas do século XVI, época indiciada pelas referências históricas que ficaram bordadas no texto, remetendo para a família dos Távora e em particular para Luís Álvares de Távora, prelado de Tomar. Acompanhado de amplo glossário, recheado de exemplos do manuscrito, o texto das receitas em versão semidiplomática e modernizada pode facilmente ser apreciado e levado à prática nas cozinhas portuguesas tal como repetidamente o foi já nos colégios católicos, nos mosteiros e nas cozinhas particulares dos séculos XV-XVIII, por gerações de eclesiásticos, frades e portugueses apreciadores da cozinha e do estabelecimento de laços apertados entre gentes, paisagens, aromas e ingredientes do largo mundo que muito cedo fomos conhecer, irresistivelmente embarcados nas nossas melhores cascas de ovo, temperados de sal do mar e de sempre renovados golpes de coragem.