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Imprensa da Universidade

Epopeia e antiepopeia de Virgílio a Alegre

Autora: Teresa Carvalho
Língua: Português
ISBN: 978-989-8074-38-6
ISBN Digital: 978-989-26-0356-8
DOI: http://dx.doi.org/10.14195/978-989-26-0356-8
Editora: Imprensa da Universidade de Coimbra
Edição: 1.ª
Data: Maio 2008
Preço: 8,40 €
Dimensões: 240 mm x 170 mm
N.º Páginas: 154


Sinopse:

Virgílio legou à literatura portuguesa uma formulação angustiante por meio da qual o rosto mais visível da epopeia nacional, Luís de Camões, e muitos dos escritores que se lhe seguiram, expressaram, em simultâneo, dois modos de ver e de entender Portugal e a sua história.

Incluindo uma deambulação pelo poema narrativo Camões, de Almeida Garrett, pela poesia de Cesário Verde e pela «epopeia mínima» que é a Mensagem de Fernando Pessoa, a fim de verificar a paradoxal convivência entre epopeia e antiepopeia (expressão do claro-escuro que simbolicamente resume a gesta marítima portuguesa), este estudo centra-se na obra poética de Manuel Alegre, autor assumidamente antiépico. Na sua poesia, o tom confiante que gera a poesia épica desaparece, aparentemente, para dar lugar à crítica desalentada e ao lamento pelo devir histórico; a idealidade do mundo de aventura e fascínio da epopeia – liminarmente recusada pelo poeta – volve-se, ora no horror interminável da guerra colonial, reedição de Alcácer Quibir, ora na epopeia triste nas terras de exílio e de emigração, ora ainda na domesticidade «insuportável» do quotidiano lusíada. E «o resto é um morrer de pequenez». Não surpreende, pois, que este poeta, deslocando-se para o pólo oposto ao da poesia épica, numa estratégia de claro distanciamento, cante «perdas lágrimas danos»; que a tuba sonorosa reverta – «Com que pena» –, em «lira já cansada e enrouquecida», em sinal de um país que «Não Há».

Convivendo com o Portugal sombrio e disfórico, sem império nem imperialismos, cabisbaixo e imóvel, de candeias às avessas com a ideia de descoberta e consigo mesmo, a poesia alegriana esconde, porém, na sua faceta retórico-estilística, de feição marcadamente epopeica, nos seus símbolos e mitos (onde D. Sebastião é, sem dúvida, o eterno herói), na sua semântica luminosa, nos decassílabos, que sustentam o tom, por vezes, grandioso, na sua lucidez combativa, nas figuras compensadoras do sonho e da imaginação, um outro Portugal: o Portugal da descoberta e da Conquista, associado à figura mítica de Camões, presença tutelar que se respira nos seus versos.

Situado embora no extremo oposto da poesia épica, Manuel Alegre é, afinal, outro rosto menos visível da epopeia lusíada, ou antes, da mais recente epopeia lusíada, próxima da vida, da morte – do humano.

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