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Imprensa da Universidade

Beato Amadeu: nova apocalipse (vol. XIV)

BeatoAmadeu

Autores: Sebastião Tavares de Pinho; Arnaldo do Espírito Santo; Domingos Lucas Dias;
Língua: Português/Latim 
ISBN: 978-989-0555-1
ISBN Digital: 978-989-26-0715-3
DOI: http://dx.doi.org/10.14195/978-989-26-0715-3
Editora: Imprensa da Universidade de Coimbra
Edição: 1.ª
Data: Outubro 2014
Preço: 31,25 €
Dimensões: 240 mm x 170 mm
N.º Páginas: 638

Sinopse:

Constitui propósito primeiro deste trabalho dar a conhecer a obra do Beato Amadeu.

As conclusões são poucas, mas, do meu ponto de vista, as suficientes para garantirem que Amadeu, ou seja, João da Silva Meneses, não era ignorante. Como foi possível esquecerem-se os que assim o julgam em Portugal de que foi educado na considerada uma das cortes mais cultas da Europa de então? Mesmo o Prof. Sousa Costa, ilustre franciscano, que tão longe levou o estudo histórico sobre Amadeu e a sua família? O parágrafo sobre a história da “deturpação” da obra afigura-se-me elucidativo. Devo dizer que o Prof. Sousa Costa reconhecia nunca haver lido Apocalypsis Noua, porque a sua linha de acção seguia por outro caminho. Culto e profundo eram os qualificativos que eu lhe reconhecia quando os vi confirmados pelo dominicano que em meados do séc. XVI escreveu o texto que consta do apêndice do códice G e que se anexa no final.

Poderão ter razão os que afirmam que a obra foi adulterada? Como justificariam então a confluência de elementos como seja a concordância de todos os manuscritos, a rede de relações internas e o modo como o apêndice do manuscrito M nos fala dos cuidados com que a obra era guardada até haver sido dada a conhecer? Como seria possível que num ambiente de tanta exigência se adulterasse uma obra que teve tanto impacte sem haver qualquer rasto dessa aventura ou qualquer eco crítico? Considero que ficou suficientemente mostrado que, com eventuais pequenos acrescentos marginais, a obra tem unidade e coerência, que dificilmente manteria se houvesse sido interpolada. 

Que o Beato Amadeu era homem culto, estudioso e profundo e que é o autor da obra que sempre levou o seu nome, foi a conclusão a que cheguei e que apresento. Outras pequenas conclusões, como o lugar do seu nascimento, o haver ou não sido educado na corte, o seu tempo de permanência em Guadalupe, são pormenores históricos que estão já afirmados e me limitei a coligir. 

Os seus objectivos ao escrever Apocalypsis Noua julgo haverem ficado claros na finalidade primeira reconhecida à obra, a reforma da Igreja. Era este acompanhado por outro não menos importante, que era a união das duas Igrejas, a ocidental e a oriental. Clara me parece haver ficado também a mentalidade que enformava o sentir de Amadeu no sonho de um futuro que começaria com o advento do Pastor. Qual fosse a duração desse milénio não se procurou especificamente saber, mas ficou suficientemente afirmado que coincidiria com o estabelecimento do reino de Cristo na Terra. 

Ponto importante no estudo do homem e da obra era reconhecer as influências que o marcaram. Com o preciosíssimo auxílio das notas do manuscrito N, notas que me parece poder-se afirmar serem de S. Roberto Belarmino, pois foi ele, no dizer de Barbosa Machado, que encontrou na obra de Amadeu os tais cinquenta e sete desvios, conseguiu-se compor um painel de nomes de teólogos e filósofos que ocupam todo o espectro da filosofia e da teologia da Igreja. Da análise da obra resultam ainda referências clássicas que, se não foram todas directamente bebidas nas fontes, algumas o terão sido, pois havia na corte condições objectivas para isso. Ponto importante se considera a avassaladora presença dos Apócrifos. 

Serviam um dos objectivos deste autor, falar dos dogmas, que o seriam só mais tarde, da Imaculada Conceição e da Assunção, dado ser claro que, juntamente com a reforma da Igreja, faziam eles parte do objectivo primeiro de Amadeu. Maria ocupa lugar importante em Apocalypsis. 

Aqui chegado, brota espontânea no meu espírito a prece tantas vezes escutada: Que Deus lhe ponha a virtude, que eu da minha parte fiz o que pude.

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