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Jardim Botânico

Universidade de Coimbra

Memoria sobre a Utilidade dos Jardins Botanicos

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A RESPEITO DA AGRICULTURA, E PRINCIPALMENTE DA CULTIVAÇAÕ DAS CHARNECAS

Que offerece a Rainha D. Maria I. Nossa Senhora

Domingos Vandelli, Director do Real Jardim Botanico, e Lente das Cadeiras de Chymica, e de Historia Natural na Universidade de Coimbra. &c.

Coimbra: na Real Officina da Universidade. M. DCC. LXXXVIII[1]

A Sciencia da Agricultura[2] consiste principalmente no conhecimento dos vegetaes, da sua natureza, e do clima, e terreno em que nascem; na causa da fertilidade da terra, na influencia do ar sobre os vegetaes, e nas regras praticas necessarias para a boa cultura.

O primeiro conhecimento adquire-se com o estudo da Botanica, o segundo com experiencias, e reflexões fisicas, o terceiro, e quarto com hum Jardim Botanico, no qual he necessario cultivar os vegetaes de todos os climas, e terrenos.

Hum botanico ignora inteiramente quaes sejaõ os terrenos estereis (se exceptuarmos hum cham cheio de ocra, enxofre, ou sal) por cuja causa pòde escolher entre treze mil, e mais plantas, que se conhecem, as que saõ uteis á economia, e proprias á qualidade do terreno[3]; pois que he certo, que existem plantas proporcionadas a todos os differentes terrenos: por exemplo, para as terras, que os Francezes chamaõ franche, que saõ os ordinarios terrenos cultivados; para os lugares cheios de barro, greda, e areia; para os campos aridos, aquosos, e arenosos maritimos.

Duas saõ as opinioens a respeito da fertilidade da terra. A primeira, he que a terra serve sómente de matriz aos vegetaes, e de nada mais: a segunda, que os vegetaes tomaõ o maior nutrimento da terra. O que he porem incontestavel, he que o maior nutrimento das plantas depende da agua, e principalmente da chuva, a qual com as particulas differentes que traz da atomosphera, e dos saes, e olios depositados na terra concorre muito para a vegetaçaõ. Alem do que contribue o calor, a luz, e materia eletrica.

Se eu me quizesse dilatar sobre este assumpto, que tem sido tratado por muitos authores de Agricultura, seria muito diffuso; basta que se saiba, que huma terra, a qual naõ dá passagem ás aguas, como o barro, nem admitte a influencia do ar, he esteril para algumas plantas, e fecunda para outras; e que hum terreno arenoso, o qual naõ retem as aguas, nem os saes necessarios, he infecundo para muitas plantas, e fecundissimo para outras.

Quaõ grande seja a utilidade de hum Jardim Botanico (alem do gosto de ver juntas as plantas de todas as partes do mundo, e do proveito que dellas recebem, a Medicina, as Artes, o Commercio &c.[4]) para a Agricultura, só o ignora aquelle, que naõ sabe quantas plantas de regioes remotas por meio dos Jardins saõ hoje commuas, e ordinarias na Europa, e cujo numero se vai cada dia aumentando, de que he prova evidente França, Suecia, e Alemanha.

Por quanto, com o conhecimento Botanico adquirido nos mais celebres Jardins, tem os Inglezes, e Francezes examinado, e reconhecido a maior parte das plantas que nascem nas suas conquistas da America, e tem tirado immensa utilidade, e cada vez podéraõ tirar maior lucro.

Muito me dilataria eu se quizesse referir todas; algumas das quaes[5] (4) saõ da America meridional. Que vasto campo se me offerecia agora para huma dilatada digressaõ, mas nem o tempo, nem a minha occupaçaõ; nem o assumpto o permitte.

Nos Jardins Botanicos como se cultivaõ as differentes plantas de todos os climas, e terrenos, conhecem-se, e escolhem-se as mais proprias, e adequadas ao Paiz.

Quantas Plantas saõ hoje commuas, ordinarias, que trazem a sua origem das regioens mais distantes? O trigo, ainda que se naõ sabe verdadeiramente o lugar do seu nascimento naõ he planta da Europa. O Milho painço[6] he da India. A Aveia[7] he da Ilha de Joaõ Fernandes; as Borragens vieraõ de Aleppo[8] . O rabaõ[9] da China; o milho[10] da America; o Arroz he planta, que se julga da Ethiopia, e que antes se cultivava na India[11]; a Fava[12] he do Egypto; a Amoreira branca[13]da China; os Tomates[14] da America; a Bringella[15] he da Asia, Africa, e America; o Pimentaõ[16] he do Brasil; a Cidreira[17] o Limoeiro[18] da Asia, Media, Assiria; a Laranjeira[19] da China; o Igname[20] , a Açafroa[21] he do Egypto; a Piteira[22] he da America &c. Quasi todas as nossas arvores frutiferas saõ de outros paizes. Deixo de fallar de tantas arvores, plantas da Asia, Africa, e America que estaõ ja introduzidas na Europa, ou para ornato dos Jardins, ou para outra utilidade, porque faria hum dilatado catalogo, principalmente se ajuntasse todas as plantas de outros paizes, que neste Real Jardim Botanico tenho experimentado serem adequadas, e proprias para este feliz clima.

Basta que se saiba, que muitas dellas uteis á Economia, ás Artes, e ao Commercio se daõ felizmente, e que saõ rarissimas as plantas da America Septentrional, que aqui se naõ daõ bem, e de huma parte dellas póde servir de prova o Jardim de Mr. de Wisme.

Alem das plantas da Asia, Affrica, e America, com a instituiçaõ dos Jardins Botanicos em varias partes sabe-se, que as plantas uteis de varios climas da mesma Europa se podem transplantar para cada Paiz.

A outra summa utilidade que se tira da Botanica, e dos Jardins he saber quaes as plantas uteis na Economia &c. se podem cultivar nos diversos climas, e terrenos, de modo que dos terrenos incultos, e commummente tidos por estereis se possa tirar grande proveito.

Os terrenos incultos, que vulgarmente se chamaõ Charnecas naõ saõ estereis, e se podem fazer uteis; de que temos varios exemplos em Inglaterra, Irlanda, Dinamarka, Suecia, e no Anjou nas fazendas do Marquez de Turbilly[23] ; e em Liria nas terras visinhas a Fabrica de vidros de G. Stephens.

A mesma observaçaõ mostra que semelhantes terrenos naõ saõ infecundos, pois nelles (como nos do Alentejo) nascem varias especies de plantas naturalmente como Tomilho[24], Estevas[25], Camarinhas[26] , Urze[27] , Quarqueja[28], Rosmaninho[29], Aderno[30], Herva das sete sangrias[31], Carrasco[32], Aroeira[33], Pinheiro[34], Zimbro[35], Gilbarbeira[36], Roselha[37], e muitas mais, a que faltaõ os nomes Portuguezes[38].

Huma grande parte do Alentejo he totalmente inculta por ser de terreno arenoso, no qual naõ se podendo semear Trigo, Milho &c. com proveito, se deixa inculto, e se chama esteril.

Por ventura faltaõ meios para fazer melhor este terreno? Ou faltaõ plantas uteis em alguma parte da Economia, que lhe sejaõ proprias? certamente naõ.

Para fertilizar estes lugares incultos basta somente queimar as ditas plantas com as suas raizes[39], cuja cinza faz mais fertil o terreno.

Em alguns lugares naõ faltaõ bancos de barro[40], comque se fazem melhores os ditos terrenos impedindo a passagem mui facil de agua. No cazo que debaixo do terreno arenoso se naõ ache nem barro, nem greda, que se busca com a sonda, encontra-se muitas vezes em alguns oiteiros visinhos, nos quaes se achaõ tambem leitos de conchas marinas, que saõ excellentes para a vegetaçaõ das plantas.

Se o terreno que se deseja cultivar, he visinho ao mar, poder-se-haõ servir dos testaceos marinhos, que ficaõ na praya, ou tambem onde houver a Turfa (como junto a Setubal na Comporta) com esta se poderá fertilizar o terreno; ou se na visinhança correr algum rio servir-se-haõ delle; e nos lugares, emque ficaõ aguas encharcadas estas faraõ os terrenos capazes de dar com utilidade Trigo &c.

No caso de faltarem todos estes meios, e achando-se hum lugar sem alguma planta, (cousa muito rara no Alentejo) por-se-haõ plantas succulentas, que tomaõ o maior nutrimento das folhas, e necessitaõ pouco do succo da terra, e que apodrecendo daõ hum sal volatil urinoso[41], e terra muito util para fertilizar mais o terreno.

Entre as plantas succulentas algumas saõ aqui ordinarias, como a Figueira do Inferno [42], a Herva babosa[43], Alcaparra[44], o Telefio[45], a Figueira brava[46] que se conserva muitos annos em lugares onde a raiz naõ he regada por huma gotta de agua.

Os Suecos cultivaõ as arêas moveis, e dellas tiraõ bastante proveito. Que grande utilidade se poderá logo tirar destas, que saõ mui superiores, e aptas para muitas plantas? O Trigo Sarraceno (f) dá-se muito bem em lugares arenosos.

Que proveito se tiraria se se reduzissem a pastos estes lugares incultos? Ha muitas plantas proprias para estes terrenos, como Bromus secalinus, Poa rigida, Melica ciliata, Aira caryophyllata, Aira flexuosa, Aira canescens, Agrostis stolonifera, Holcus lanatus, Phleum arenarium, Lupinus luteus. &c. e com estes pastos se multiplicariaõ os rebanhos, e os gados.

E também se poderiaõ semear Pinheiros, que em poucos annos dariaõ muito lucro. A Amoreira branca nasce bem em semelhante terreno, e nelle dá as folhas mais seccas, e porisso mais uteis para o sustento dos bichos da seda; e plantando os ramos das raizes velhas das amoreiras dentro em quatro annos daõ folhas grandes.

Em algumas partes seria util a cultura do lirio dos tintureiros[47] , da Ruiva[48],e do Pastel[49] para as cores.

Nos lugares arenosos maritimos seria muito util a cultura da flor de Crystal, ou soda[50] que serve para fazer vidro, e o sabaõ, como tambem a de outras plantas proveitosas.[51]

As plantas, que nos lugares seccos, e onde ha greda se daõ bem saõ muitas[52], algumas das quaes serviriaõ para pastos[53]. As plantas proprias para lugares humidos[54] e aquosos, e de alagoas[55] tambem dariaõ alguma utilidade.

E por ora basta; porque para se tratar a fundo qualquer destes objectos seria necessario mais tempo.

Se corresponder a aceitação do Publico aos meus sinceros dezejos, occupar-me-hei em fazer experiencias sobre as plantas que se cultivaõ, e se cultivaraõ neste Real Jardim Botanico a fim de conhecer as mais adequadas para este feliz clima, e aquellas que multiplicadas poderaõ dar maior utilidade: farei mais exactas observações sobre os lugares incultos: indicarei os meios proporcionados conforme as situaçoens, e producçoens, tratando fundamentalmente de todos estes objectos.

[1] Este pequeno texto de Domenico Agostino Vandelli [1735-1816] foi publicado pela primeira vez em 1770 pela Regia Officina Typografica. A transcrição que agora disponibilizamos foi feita a partir do texto incluido no Diccionario dos Termos Technicos de Historia Natural extrahidos das Obras de Linnéo, com a sua explicação, e estampas abertas em cobre, para facilitar a intelligencia dos mesmos. E a Memoria sobre a Utilidade dos Jardins Botanicos que offerece a Raynha D. Maria I. Nossa Senhora, uma edição da Real Officina da Universidade de Coimbra, em 1788. Optámos por manter a grafia da época e por não corrigir possíveis gralhas tipográficas incluídas na edição original. Nas notas em que são referidas espécies botânicas encontrará em parênteses rectos o nome vulgar (ND indica que não há registo de nome vernáculo), o nome actual da espécie (a nomenclatura foi revista de acordo com a Flora Iberica e a The Plant List) e a família a que pertence (de acordo com a última revisão do Angiosperm Philogeny Group, APG IV).

[2] Os authores, que escreveraõ da politica como Plataõ Xenofonte, Aristoteles, fizeraõ da Agricultura huma parte essencial della. Os Heróes de Roma applicavaõ-se á cultura da terra; e esta como diz Plinio se gloriava de ser cultivada por mãos victoriosas, e triunfantes. Gaudente terra vomere laureato. Varraõ cita cincoenta authores gregos, que escreraõ sobre este assumpto. Cataõ, Columella, Varraõ, fizeraõ ver com as suas investigações a grande extençaõ, e utilidade desta sciencia. De alguns paizes se póde dizer o que Columella escreveo no tempo de Tiberio: "Vejo em Roma Academias de Filosofos, Oradores, Geometras, e Musicos; vejo homens que estudaõ as artes, que tem por objeto o paladar, e o ornato dos cabellos, e ao mesmo tempo contemplo desprezada a Agricultura."

[3] Sendo na Agricultura hum principio certo escolher os vegetaes para aquelles terrenos, que lhes saõ proprios.

[4]A respeito da sua grande utilidade já foraõ estabelecidos em França doze Jardins Botanicos, em Hespanha dous, em Saboia hum, em Italia treze: em Alemanha vinte, em Inglaterra tres, na Prussia quatro, em Holanda oito, em Dinamarca hum, em Suecia tres, na Polonia hum, na Russia hum; alem de muitos Jardins particulares. Os monarcas naõ se contentaraõ sómente com esta instituiçaõ; mas com grandes despesas mandaraõ ás differentes partes do mundo Botanicos para descubrirem novas plantas. Fillipe II. Rey de Hespanha mandou o seu primeiro Medico Hernandes ao Mexico para cuja viajem lhe deo 250000 crusados, e elle descobrio sete centas plantas. Luiz XIV. no meio das suas victorias ordenou viajens a varias partes, as Ilhas da America mandou Plumierm, ao Oriente Tournefort, e ao Peru Fevillé. Luiz XV. mandou Joze Jussieu a America, a Czarina Gemelin á Siberia. Fernando VI. Rey de Hespanha fez vir de Suecia Loefling, e inviou-o a America. O Imperador Francisco I. mandou ás ilhas Antillas Jacquin. O prezente Rey de Sardenha mandou Donati á Asia. El Rey de Dinamarca Forskol ao Egipto; alem de muitos expedidos por varias Academias como da de Suecia o Kalm a Pensilvania, Osbek a India Oriental, Toren ao Surate, Hasselquist á Palestina, Alstroemer á Europa Austral, e outros que de sua propria vontade foraõ viajar como Brown á Jamacia, e agora se acha na Ilha de S. Thomé, Andanson ao Senegal, e o Banks á Ilha da Terra Nova, e as Ilhas do mar do Sul.

[5] Piper amalago. Piper aduncum. Piper verticillatum. Bromelia Pinguin. Cassia occidentalis. Guajacum officinale da Jamaica. Cinna arundinaceae. Collinsonia canadensis do Canadá. Laurus Bezoin. Polygala senega. Lobelia siphilitica. Liquidambar styraciflua. Myruca cerifera da Virginia. Rhus vernix. Acer sacharinum. da Pensilvania. Amyris clemifera da Carolina. Laurus Cinnamomum da Martinica. Spigelia anthelmia da Cajenna, e do Brasil. Laurus sassafras da Virginia, e do Brasil. Euphorbia Ipecacuanha da Virginia, do Canada, do Brasil. Smilax salsaparrilla da Virginia, e do Brasil. Morus tinctoria da Jamaica, e do Brasil. &c.

[6] Panicum miliaceum. [Milho-alvo, Panicum miliaceum L., Poaceae]

[7] Avena sativa . [Aveia, Avena sativa L., Poaceae]

[8] Borrago officinalis. [Borragem, Borago officinalis L., Boraginaceae]

[9] Raphanus sativus. [Rabanete, Raphanus raphanistrum subsp. sativus (L.) Domin., Brassicaceae]

[10] Zea Mays. [Milho, Zea mays L., Poaceae]

[11] Oryza sativa. [Arroz, Oryza sativa L., Poaceae]

[12] Vicia faba. [Fava,Vicia faba L., Fabaceae]

[13] Morus alba. [Amoreira-branca, Morus alba L., Moraceae]

[14] Solanum Lycopersium. [Tomate, Solanum lycopersicum L., Solanaceae]

[15] Solanum melongena. [Beringela,Solanum melongena L., Solanaceae]

[16] Capsicum annuum. [Pimento, Capsicum annuum L., Solanaceae]

[17] Citrus medica. [Cidra, Citrus medica L., Rutaceae]

[18] Citrus limon. [Limão, Citrus limon (L.) Osbeck, Rutaceae]

[19] Citrus aurantium. [Laranja-azeda, Citrus ×aurantium L., Rutaceae]

[20] Arum colocasia. [Inhame, Colocasia esculenta (L.) Schott, Araceae]

[21] Carthamus tinctorius. [Açafrão-bastardo, Carthamus tinctorius L., Asteraceae]

[22] Agave Americana. [Piteira, Agave americana L., Asparagaceae]

[23] Memoire sur les defrichements. Amsterdam 1762. 8.

[24] Thymus vulgaris. [Tomilho, Thymus vulgaris L., Lamiaceae]

[25] Cistus ladanifera. [Esteva, Cistus ladanifer L., Cistaceae]

[26] Empetrum album. [Camarinheira, Corema album (L.) D.Don, Ericaceae]

[27] Erica viridi purpurea. [ND, Erica erigena R.Ross, Ericaceae]

[28] Genista tridentata. [Carqueija, Genista tridentata L., Fabaceae]

[29] Lavandula Stoecas. [Alfazema, Lavandula stoechas L., Lamiaceae]

[30] Phyllyrea angustifolia. [Aderno-de-folhas-estreitas, Phillyrea angustifolia L., Oleaceae]

[31] Lithospermum fruticosum. [ND, Lithodora fruticosa (L.) Griseb., Boraginaceae]

[32] Quercus coccifera [Carrasco, Quercus coccifera L., Fagaceae], Quercus nana [nota: é provável que Vandelli se refira a uma forma anã de Quercus coccifera, que consideraria uma espécie distinta]

[33] Pistacia lentiscus. [Lentisco, Pistacia lentiscus L., Anacardiaceae]

[34] Pinus sylvestris. [Pinheiro-de-casquinha, Pinus sylvestris L., Pinaceae]

[35] Juniperus oxycedrus. [Zimbro-comum, Juniperus oxycedrus L., Cupressaceae]

[36] Ruscus aculeatus. [Gilbardeira, Ruscus aculeatus L., Asparagaceae]

[37] Cistus albidus. [Rosêlha, Cistus albidus L., Cistaceae]

[38] Erica scoparia [Urze-das-vassouras, Erica scoparia L., Ericaceae], ciliaris [Lameirinha, Erica ciliaris L., Ericaceae], cinerea [Queiró, Erica cinerea L., Ericaceae], vulgaris [Torga, Calluna vulgaris (L.) Hull, Ericaceae]. Myrtus lusitanica [Murta, Myrtus communis L., Myrtaceae]. Ulex europaeus Tojo [Tojo, Ulex europaeus L., Fabaceae]. Centaurea aspera [Centaurea aspera L., Asteraceae], Drosera Lusitanica [Erva-pinheira-orvalhada, Drosophyllum lusitanicum (L.) Link, Drosophyllaceae], Agrostis stolonifera [ND, Agrostis stolonifera L., Poaceae], Ophrys insectifera [Ophrys insectifera L.; a espécie referida por Vandelli não ocorre no território português mas tem distribuição em Espanha e Itália; em Portugal ocorrem a Erva-abelha, Ophrys apifera Huds. e a Ophrys scolopax Cav., Orchidaceae, cujas flores mimetizam insectos e que pensamos ser espécies à qual o autor se refere. Leucojum autumnale [Campaínhas-de-Outono, Acis autumnalis (L.) Sweet, Amaryllidaceae] &c.

[39] Deve-se advertir, que naõ queimando as raizes pouca utilidade se póde tirar.

[40] Argilla communis, coerulescens. Linn.

[41] O alkali volatil acha-se na analize das terras ferteis. A nossa athmosfera está cheia delle. Todas as materias, que contem este sal contribuem a fertilidade; por essa causa os estrumes fertilizaõ as terras. Este sal se acha na maior parte dos vegetaes apoprecidos, mas principalmente em o Reino Animal.

[42] Cactus ficus Indica. [Figueira-da-Índia, Opuntia ficus-indica (L.) Mill., Cactaceae]

[43] Aloe vulgaris. [Babosa, Aloe vera (L.) Burm.f., Xanthorrhoeaceae]

[44] Capparis spinosa. [Alcaparra, Capparis spinosa L., Capparaceae]

[45] Sedum telephium. [ND, Sedum telephium L., Crassulaceae]

[46] Ficus carica caprificus. [Figueira, Ficus carica L. , Moraceae]

[47] Polygonum fagopyrum. [Trigo-sarraceno, Fagopyrum esculentum Moench, Polygonaceae]

[48] Reseda luteola. [Gauda, Reseda luteola L., Resedaceae]

[49] Rubia tinctorum. [Ruiva-dos-tintureiros, Rubia tinctorum L., Rubiaceae]

[50] Salsola sativa [ND, Halogeton sativus (L.) Moq., Amaranthaceae]. Chenopodium maritimum. [ND, Suaeda maritima (L.) Dumort., Amaranthaceae]

[51] Eryngium maritimum [Cardo-marítimo, Eryngium maritimum L., Apiaceae]. Cochlearia officinalis [ND, Cochlearia officinalis L., Brassicaceae]. Brassica napus [Couve-nabiça, Brassica napus L., Brassicaceae]. Triglochin maritimum [Erva-do-brejo, Triglochin maritima L., Juncaginaceae]. Hedysarum caput Galli [ND, Onobrychis caput-galli (L.) Lam., Fabaceae]. Trifolium glomeratum [Trevo-aglomerado, Trifolium glomeratum L., Fabaceae], striatum [Trevo-estriado, Trifolium striatus L., Fabaceae], Lotus maritimus [ND, Lotus maritimus L., Fabaceae], cytisoides [ND, Lotus cytisoides L., Fabaceae]. Carex arenaria [ND, Carex arenaria L., Cyperaceae], Cenchrus racemosus [ND, Tragus racemosus (L.) All., Poaceae]. Triticum maritimum [Festuca-das-praias, Cutandia maritima (L.) Benth., Poaceae]. &c.

[52] Anthemis tinctoria. [Macela-dos-tintureiros, Cota tinctoria (L.) J.Gay, Asteraceae]

[53] Hedysarum onobrychis [ND, Onobrychis viciifolia Scop., Fabaceae]. Trifolium spadiceum [ND, Trifolium spadiceum L., Fabaceae]. Medicago sativa [Luzerna, Medicago sativa L., Fabaceae], falcata [Cassoa, Medicago falcata L., Fabaceae]. Andropogon ischoemum [ND, Bothriochloa ischaemum (L.) Keng, Poaceae]. Aegilops triuncialis [Trigo-de-perdiz, Aegilops triuncialis L., Poaceae]. Poterium sanguisorba [Pimpinela, Sanguisorba minor Scop., Rosaceae] &c.

[54]Scirpus fluitans sylvaticus [ND, Isolepis fluitans (L.) R.Br., Cyperaceae]. Phalaris arundinacea [Caniço-malhado, Phalaris arundinacea L., Poaceae]. Alopecurus Monspeliensis [Rabo-de-raposa, Polypogon monspeliensis (L.) Desf., Poaceae], geniculatus [ND, Alopecurus geniculatus L., Poaceae]. Aira aquatica [ND, Catabrosa aquatica (L.) P.Beauv., Poaceae]. Poa aquatica [ND, Glyceria maxima (Hartm.) Holmb., Poaceae]. Cynosurus caeruleus [ND, Sesleria caerulea (L.) Ard., Poaceae].

[55] Oryza sativa [Arroz, Oryza sativa L., Poaceae]. Scirpus palustris [Junco-marreco, Eleocharis palustris (L.) Roem. & Schult., Cyperaceae]. Poa palustris [ND, Poa palustris L., Poaceae]. Festuca fluitans [Azevém-bravo, Glyceria fluitans (L.) R.Br., Poaceae]. &c.