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Editorial

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Coimbra, se fosses só três sílabas...

Eugénio de Andrade, nas suas “Memórias da Alegria”, explica a dado momento como é difícil passar Coimbra a escrito sem cair no patético, no lugar comum estafado.

Ainda assim, nenhum dos clichés normalmente associados à cidade foi citado por Alexandre O’Neill em “Feira Cabisbaixa” poema que, com crueza realista (e cheirinho surrealista), lamenta que o país seja tão frequentemente uma verdadeira caderneta de cromos, uma coleção de pitorescos. Escolha certamente não faltaria ao poeta: a tricana do Mondego não destoaria da “varina desancada” nem o fado contrastaria com o “plumitivo ladrilhado de lindos adjectivos”.

Entre a dificuldade de Eugénio de Andrade e o remorso de O’Neill , Coimbra e a sua Universidade surgem por estes dias como um lugar de irrealidade. São as capas esvoaçantes e os fatos desadequados à temperatura de um outono quente São os gritos que ecoam nos edifícios, agredindo-os por vezes, porque a linguagem também é património. São as ruas estreitas e as avenidas largas, a colina e o rio, o ying e o yang, num laboratório em forma de cidade. Irreal e onírica. Talvez patética, para quem vê de fora, mas certamente apaixonante.

Mas Coimbra e a sua (nossa) Universidade são, na realidade, um lugar de possibilidade, onde tudo está feito e tudo está por fazer. Nesse dialogismo reside a própria semente da possibilidade de se fazer pessoa, completa. Que estuda, que investiga, que ensina, que dança e que canta. Que faz teatro ou vê teatro, que se entusiasma com projetos, sabendo lidar com a frustração que faz parte de praticamente todos os processos, que aprende com os erros e se dispõe a recomeçar.

Apetece dizer, num pastiche de Alexandre O’Neill, “Coimbra, se fosses só três sílabas...”, mas ousando agora acabar com as reticências e oferecendo soluções para a charada das sílabas: Herança/Caminho. Diversão/Trabalho. Tradição/Futuro. Porque há coisas (que mesmo só com três sílabas) fazem mais sentido se forem aos pares.

Clara Almeida Santos
Vice-reitora




Ficha Técnica

Newsletter da Universidade de
Coimbra
setembro de 2011


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