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Editorial

Porta AbertaObjetiva_









 


Cultura(s) universitária(s) ou à procura de um modelo possível

O tempo presente exige a procura de boas ideias para resolver equações complicadas.  A vista tem de estar apurada para o que está perto mas também para o que está mais longe. De regresso de uma viagem de três semanas de visita a universidades norte-americanas, algumas impressões da experiência têm de fazer-se letra nesta procura.

“Desafios Contemporâneos no Ensino Superior” é o nome do programa promovido pelo Departamento de Estado dos EUA, que incluiu a passagem por 12 universidades em diferentes estados, de norte a sul e de leste a oeste do país. Comecemos, desde logo, por desfiar a palavra “desafios”. É talvez essa a maior lição que veio na bagagem de volta a Portugal. Num momento que é também complicado do outro lado do Atlântico, os problemas que o ensino superior coloca foram sistematicamente apresentados como “desafios”. Não se trata de um mero artifício de linguagem mas antes de uma postura clara em relação à realidade. A dificuldade maior a enfrentar é diminuição do financiamento público registado nos últimos anos e o concomitante aumento sistemático do valor das propinas. No entanto, apenas uma percentagem reduzida dos estudantes paga a totalidade do “sticker price”, ou seja, o valor “tabelado” das propinas, que varia (nas universidades visitadas) entre o equivalente a 7500 e 45 mil euros anuais.  A maior parte dos alunos consegue baixar significativamente este valor através de bolsas obtidas (estaduais ou federais), trabalho para a comunidade académica (como embaixadores das instituições, o que pode querer dizer que conduzem visitas guiadas ou que trabalham em valências da universidade) ou por serem atletas no âmbito do (muitíssimo desenvolvido) desporto universitário.

Outra impressão forte é o do sentido da retribuição em relação à universidade frequentada. Uma ilustração: a Universidade da Pensilvânia está a desenvolver neste momento a maior campanha de angariação de fundos da sua história. O objetivo, traçado para cinco anos, é de chegar a 3,6 mil milhões de dólares (2,7 mil milhões de euros, o equivalente ao valor necessário para construir três pontes Vasco da Gama). A campanha chama-se “Making History” e a Universidade já fez história ao ter atingido os seus objetivos um ano antes do que estava previsto. Para tal, contribuiu, entre outras, uma doação individual de um ex-aluno no valor de 225 milhões de dólares (169 milhões de euros, praticamente o dobro do orçamento anual da Universidade de Coimbra). O sentido de retribuição dos norte-americanos em relação à instituição que os formou é, a todos os níveis, notável. E muito alimentado, obviamente, pelas universidades.

Finalmente, não posso deixar de referir a cultura da singularidade. Cada uma das escolas visitadas se distingue das restantes (e são, ao todo, de acordo com o American Council on Education, quase 4500 instituições de ensino superior) por qualquer particularidade: a aposta em nichos específicos da população (como o Morehouse College), o ensino a distância (Georgia Tech), a criação de empresas (University of Utah), a internacionalização (Temple University) ou a aprendizagem em contexto empresarial (Drexel University).

Mas em todas são transversais o orgulho institucional e a tenacidade perante os ditos desafios. A “alma mater” é fomentada nas suas várias vertentes em instituições que nem sequer ocupam os lugares cimeiros nos rankings internacionais e que não são as primeiras de que nos lembramos quando pensamos em universidades norte-americanas. São capítulos de uma lição norte-americana, apreendidas na certeza que a cultura não é importável, mas algumas boas ideias certamente serão.

Clara Almeida Santos

Vice-reitora 




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novembro de 2011


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