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Rugby Ready ensina boas práticas desportivas

O auditório do Estádio Universitário foi pequeno para os muitos estudantes que quiseram marcar presença na segunda edição do Rugby Ready, a 14 de dezembro (ver reportagem da UCV, ao lado). A iniciativa promovida pela Internacional Rugby Board (IRB), contou com a participação de Pedro Gaspar, docente da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra, Rui Carvoeira, Selecionador Nacional Feminino, e Rui Loureiro, responsável pelos escalões de formação da Associação Académica de Coimbra (AAC).

Sensibilizar e aproximar os estudantes da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física é um dos grandes objetivos da iniciativa, aqui promovida em parceria com a Secção de Rugby da Associção Académica de Coimbra e com a Federação Portuguesa de Rugby, como explica Rui Loureiro, responsável pelos escalões de formação da AAC: “Esta é uma iniciativa que é programada pela Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física, pela Secção de Rugby da Associação Académica de Coimbra e pela escola de Rugby da Secção, com o apoio e envolvência da Federação Portuguesa de Rugby. O Rugby Ready é um programa (...) lançado pela IRB, que é a International Rugby Board, que é quem superintende o Rugby a nível mundial, que visa aproximar qualquer pessoa do Rugby, portanto, digamos que é uma versão simplificada das regras e do treino do Rugby, para que toda a gente possa ter um primeiro contacto com o Rugby. E o objectivo principal da nossa vinda aqui é a transmissão deste programa; é essencialmente tentar aproximar, neste caso alunos da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física do Rugby e do treino do Rugby”.

Lançado em Outubro de 2007, o Rugby Ready pretende ser uma ferramenta de formação para todos os interessados na modalidade, tornando-os aptos para o treino e prática do rugby. A iniciativa aborda as várias componentes da modalidade, tendo-se tornado um importante recurso na preparação em áreas como a técnica, a prevenção de acidentes, a disciplina ou as boas práticas desportivas. Exemplo disso mesmo foi a sessão promovida, no passado dia 14 de dezembro, na Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física. A sessão contou com uma componente teórico-prática, onde foram abordadas as várias caraterísticas do jogo.

Mais do que dar a conhecer a modalidade, a sessão pretendia ainda desmistificar algumas ideias pré-concebidas sobre a prática do rugby, como refere Rui Carvoeira, Selecionador Nacional Feminino de Rugby. “A questão do Rugby não tem haver propriamente com o gosto, tem a ver com o conhecimento da modalidade. Quem conhece a modalidade passa a gostar. E esta iniciativa do Rugby Ready é um primeiro passo para culturalmente introduzir o Rugby. Se há outros desportos que nos entram pela casa dentro através de toda a forma mediática, outros não, temos que ir à procura deles; ou então são as próprias modalidades, que têm que se introduzir ou nas escolas, ou nos locais onde exista formação de ensino superior ou outro tipo de iniciativas. E acho que com este tipo de iniciativas dá-se outra dimensão cultural à modalidade. E provavelmente havendo o conhecimento da modalidade passa a haver mais gente a aderir à modalidade”, diz.

Opinião semelhante tem Pedro Gaspar, docente da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física, que considera que o primeiro passo para uma maior aproximação ao Rugby passa pela divulgação. “O primeiro passo é divulgar a modalidade e a atividade desportiva”. E acrescenta que “depois pode ser um exemplo um conjunto de boas práticas, de cooperação entre diferentes instituições, o Comité Regional do Rugby de Coimbra, como a própria Associação Académica e a Universidade na promoção do desporto e do Rugby”.

Rui Carvoeira realça ainda o facto do Rugby Ready estar acessível a todos os interessados. “As preocupações da IRB vão para além da questão do alto rendimento, vão também para estas questões da formação, isto é de lançar o Rugby, de massificar o Rugby em todo o mundo, e principalmente em países emergentes aqui como o nosso, como a Índia, como o Brasil. E nestes países há uma grande preocupação com uma formação de base”, começa por dizer. E continua “foi criado no IRB este programa, que é o IRB Rugby Ready. Pode ser feito para praticantes, para dirigentes ou para treinadores; ou para pais, ou para mães, portanto significa que qualquer uma pessoa está apta a fazer qualquer coisa no Rugby – ou jogar, ou treinar, ou a dirigir. Então criaram este programa que é o IRB Rugby Ready, que é uma espécie de um nível zero de qualquer coisa; para se ser treinador tem que se fazer o nível zero, que é este o Rugby Ready, ou para ser jogador convém fazer. Em alguns países também já é obrigatório e nós estamos aqui a introduzi-lo também em Portugal, principalmente nas áreas escolares. E é muito adequado também a este primeiro ano do Rugby, porque o Rugby está no curriculum da Faculdade de Desporto”. “E é muito importante que haja este primeiro contacto com aquilo que são as técnicas e a predisposição para o Rugby. (...) Portanto estamos aqui com a dimensão de gente do primeiro ano, um pouco com algumas dificuldades de organização porque são muitos, mas acho que pelo menos levam aqui, passo a expressão, uma «pincelada» daquilo que são os primeiros fatores do conhecimento do jogo”, conclui.

Porta de entrada para o Rugby

Rui Loureiro faz um balanço positivo da segunda edição do Rugby Ready, considerando ainda que o sucesso da iniciativa se deve ao facto de envolver “outro tipo de ações como, por exemplo, os estudantes da pela Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física que estão a frequentar o primeiro ano, têm a possibilidade de também integrar um estágio de novos treinadores com a escola de Rugby da Associação Académica. Portanto tudo isto junto, penso que o balanço é extremamente positivo, que é no fundo trazer mais gente para o Rugby”. O responsável pelos escalões de formação da AAC, fala ainda das perspetivas para a próxima edição, afirmando esperar, à semelhança do que já tem vindo a acontecer, que “no fim deste processo todo haver sempre algumas pessoas fiquem ligadas ao Rugby, e que possam no fundo seguir uma carreira de treinador no Rugby”. Prova disso mesmo é a atual colaboração de duas pessoas com a Escola de Rugby da Associação Académica de Coimbra, em resultado da participação em iniciativas como o Rugby Ready. “Precisamente por terem passado por este processo, de outra forma não teriam lá chegado porque nunca teriam tido contacto com o Rugby e foi a partir daqui que esse contacto foi possível”, afirma Rui Loureiro.

Rui Carvoeira, explica que o Rugby Ready é uma aproximação inicial à modalidade, a que se segue uma fase “mais aprofundada nas técnicas. Aqui é só uma forma muito clara dos fatores-chave. A próxima fase é de desenvolvimento em treino mesmo de evolução das técnicas – como é se faz uma progressão nas técnicas no próprio treino ou no ensino”.

Para os estudantes que participaram na iniciativa este não é o primeiro contacto com o Rugby. O plano curricular da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física inclui já uma disciplina ligada à modalidade, mas Pedro Gaspar salienta que os estudantes “têm tendência sempre a aderir a este tipo de atividades, sempre que lhes é proporcionado”.

Os interessados em obter o certificado do Rugby Ready, podem consultar o site www.irbrugbyready.com e responder ao questionário disponibilizado, que no final lhes atribuirá um certificado. Após a obtenção deste certificado, os participantes ficam habilitados a estar “envolvidos com Rugby, quer seja ajudando um treinador, sendo monitor, participando na vida ativa de um clube”, como refere Rui Loureiro.

O Rugby Ready está a ser aplicado em todo o mundo e Portugal é o segundo país com mais inscrições, logo depois do Reino Unido.

Por Júlia de Sousa






Reportagem UCV