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Comunidade

Apresentação dia 06 de Outubro

Iniciamos este novo ciclo de Leituras com um texto de Luiz Pacheco de 1963. Um texto que se abre à cena. Um texto autobiográfico sobre a sua vida errante, sem destino, em afronta contra um aburguesamento dos seus (nossos) contemporâneos.

Escreve sobre a sua tribo, a sua família que mal cabe num único colchão cheio de pulgas. Mas é nesse lugar de confusão de corpos e suor, que vai buscar a força vital da sua escrita, a força que permite resgatar a sua vida, e vislumbrar a possibilidade poética na banalidade deste seu quotidiano.

Como abrir à cena este texto não dramático? Como trabalhar estas palavras, o seu corpo, ritmo e espacialidade? A sua dimensão performativa? A relação do público com os atores? São estas questões que nos propomos explorar nesta leitura.


"Em toda a cidade que dorme e respira, eu luto com a dispneia e escrevo. Em toda a cidade que repousa e se esquece, na Avenida dos Combatentes eu debato-me contra a morte e escrevo diante da minha pequena tribo que dorme. (...) Não sei nada. Duvido de tudo. Desci ao fundo dos fundos, lá onde se confunda a lama com o sangue, as fezes, o pus, o vómito; fui até às entranhas da Besta e não me arrependo. Nada sei do futuro, e o passado quase esqueci. Li muito e foi pior. Conheci gente variada nesta Viagem. Pobre gente: estúpidos de medo, doidos espertalhões, toscos patarecos, foliões e parasitas da Vida, parasitas (os mais criminosos, estes) chulos do próprio talento desperdiçando tudo: as horas do relógio deles e dos outros, e os defeitos de todos, que tudo tem o seu calor e seu exemplo; ou frustrados falhados tentando arrastar os mais para o poço onde se deixaram cair na impotência de criar, lazeira ou cobardia (mas o coveiro nada perdoa). Cadáveres adiados fedorentos viciosos de manhas e muito mal mascarados. Uma caca a respirar."  Luiz Pacheco


Localização

TAGV

Coordenação da Leitura

Ricardo Correia

Duração Aproximada

30 minutos