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A Máquina Tchékhov

Apresentação dia 03 de Novembro

Anton Tchékhov, moribundo, recebe a visita das suas próprias criaturas. Este é o caminho que nos propõe Matéi Visniec a fim de mergulharmos no universo desse grande autor que ele respeita e admira. Nesta peça caracterizada por surpreendentes traços surrealistas, Matéi Visniec mistura ficção, biografia, homenagem e reflexão sobre o ato de escrever.

"Há muitas contradições em mim. Como viver com tudo isso? O carrasco e a vítima estão em mim, em partes iguais... Às vezes busco desesperadamente a solidão... E quando estou sozinho entedio-me desesperadamente e desesperadamente busco companhia... A beleza me fascina, inclino-me somente diante do deus da Beleza, mas em toda a minha vida só fiz observar a feiura, a beleza alterada, a beleza doentia, a beleza corroída pela morte... Não sou eligioso, odeio a religião, odeio os deuses, e ao mesmo tempo tenho sede de imortalidade... Odeio Deus, na verdade, porque ele não existe... Os ideólogos fazem-me rir, e acho tola, redutiva, toda filosofia positivista da promessa de uma vida melhor... E entretanto não posso me impedir de viver no amanhã, meu ídolo é o amanhã, minha memória está voltada para o futuro..."


Matéi Visniec nasceu no norte da Roménia, a 29 de Janeiro de 1956. Na Roménia comunista de Ceausescu. encontra rapidamente na literatura um espaço de liberdade. Alimenta-se de Kafka, Dostoievski, Camus. Beckett, Ionesco, Lautréamont... Ama os surrealistas, os dadaístas, os discursos fantásticos, o teatro do absurdo e do grotesco, a poesia onírica e mesmo o teatro realista anglo-saxão, em suma, tudo menos o realismo socialista. Mais tarde, tendo partido para Bucareste para estudar Filosofia, torna-se muito ativo no seio da geração de 80, que baralhou a paisagem poética e literária da Roménia da época. Acredita na resistência cultural e na capacidade da literatura para demolir o totalitarismo. Acredita sobretudo que o teatro e a poesia podem denunciar a manipulação das pessoas através das "grandes ideias". Antes de 1987 afirma-se na Roménia com a sua poesia refinada, lúcida, escrita com amargura. A partir de 1977 começa a escrever também peças de teatro que circulam abundantemente no meio literário, mas que continuam interditas de subir ao palco. Autor proibido, em 1987 deixa a Roménia, chega a França e pede asilo político. Redige, na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, uma tese sobre a resistência cultural nos países da Europa de Leste na época comunista, mas começa também a escrever peças de teatro em francês... Na Roménia, depois da queda o comunismo, Matéi Visniec tornou-se o autor dramático vivo mais representado. É também autor de três romances editados a Roménia. 

Localização

Teatro da Cerca de São Bernardo

Coordenação da Leitura

António Augusto Barros