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Introdução

A História dos modelos botânicos utilizados por Júlio Henriques nas suas aulas de Botânica é parte integrante de um estudo mais abrangente acerca destes e outros modelos dos acervos da Universidade de Coimbra, no âmbito da investigação efectuada na dissertação do Mestrado em Museologia e Património Cultural (AMARAL, 2011), em vias de publicação. Os modelos botânicos foram observados e analisados quanto aos materiais, fabricantes, estado de conservação, se são simples ou constituídos por mais do que uma peça, também se são estáticos ou desmontáveis para visualização de pormenores ocultos. Foram consultadas fontes primárias e secundárias, que permitiram a identificação dos modelos e um contributo relevante para o conhecimento da sua História. No seio científico da Europa de Leste e nos Estados Unidos, entre meados do séc. XVIII e o séc. XIX, eram produzidos e vendidos modelos. Alguns mimetizavam o mundo natural e artificial, outros projectavam como este se poderia tornar. Através dos modelos conseguia-se ver o demasiado pequeno ou o exageradamente grande, podia-se mostrar analogias, demonstrar teorias ou meramente exibir em exposição (HOPWOOD e CHADAREVIAN, 2004). Director do Jardim Botânico desde 1873, Júlio Henriques dava também forma ao Museu Botânico, que foi enriquecendo com material relacionado com a Botânica, como objectos etnográficos, amostras de madeira exótica e espécimes naturais vindos sobretudo de Macau, de Timor e das antigas colónias portuguesas em África. Ao longo do tempo foi diversificando ainda mais o museu e publicava regularmente, no Annuario da Universidade de Coimbra, no Boletim da Sociedade Broteriana e n’ O Instituto o desenvolvimento da Botânica em Coimbra e também reflexões acerca das dificuldades que sentia enquanto professor e director do Jardim Botânico. Deixava por vezes listas de modelos comprados em cada ano, o que permitiu a localização temporal de muitos dos modelos em estudo (ex. HENRIQUES, 1889). Ao longo de 17 anos (1876-1893), Júlio Henriques escolhia criteriosamente o tipo de modelos que adquiria a reconhecidos fabricantes como Brendel, Dr. Auzoux, Deyrolle, entre outros. Para as aulas adequavam-se ampliações de temas botânicos como flores, frutos e anatomia vegetal (Figura 1, a). Para o museu referia a compra de modelos feitos de tecido fabricados por Jauch-Stein, conhecidos por “Flora artefacta”. Estes eram fabricados à escala real, em séries numeradas de plantas medicinais, apelativas para integrarem exposições (Figura 1, b).

Fig. 1

Figura 1 – Modelos botânicos utilizados por Júlio Henriques para as aulas de Botânica e para o museu botânico. a- modelo de amora, fabricante Brendel, ampliação.; b- modelo do algodoeiro, fabricante Jauch-Stein, escala natural. Acervo de Botânica da Universidade de Coimbra. Fotografias museu digital do Museu da Ciência (http://museudaciencia.inwebonline.net/). Barra ~5 cm.