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Coimbra e o prenúncio da Independência do Brasil

Os primeiros sinais da independência do Brasil também tiveram episódios em Coimbra.[95] José Álvares Maciel, nascido no ano de 1760 em Vila Rica, atual Ouro Preto, foi condiscípulo do químico Seabra Telles. Participaram ambos nas experiências de lançamento de balões de hidrogénio, realizadas na UC em 1784. A formação de Maciel também passou pela realização de pesquisas mineralógicas na Serra da Estrela, sob a orientação de Vandelli. Depois de se formar em Filosofia, Maciel passou um ano e meio estudando química e mineralogia em Birmingham e Londres. Regressando ao Brasil foi encarregado das prospeções mineralógicas em Sabará, Caeté e Vila Rica, onde permaneceu até 1789. Viria a ser um destacado elemento do movimento independentista conhecido pela Inconfidência Mineira. Ainda em Coimbra, no final da década de 1780 começou a participar de reuniões de conspiração contra o sistema colonial português.

O ideal libertário deste movimento foi alimentado em Portugal por conceitos iluministas de ex-alunos da UC, e de ex-estudantes brasileiros de Medicina de Montpellier. Entre dezembro de 1787 e março de 1788 Maciel encontrou-se, em Coimbra com José Joaquim da Maia (que utilizava o nome de código Vendek), também ele formado em Matemática em Coimbra, no ano de 1783, e tendo continuado os seus estudos de Medicina em Montpellier em 1785, doutorando-se em 1787, onde foi contemporâneo de outro elemento da conjuração mineira, Domingos Vidal Barbosa Lage. Em Paris, Maia estabeleceu contatos com Thomas Jefferson, à época embaixador dos Estados Unidos da América em França, que lhe prometera apoio dos norte-americanos às aspirações de independência que grassavam em Minas Gerais. Outros nomes da Inconfidência Mineira com ligações a Coimbra foram Tomás Antonio Gonzaga (nasceu em Miragaia, Porto, 11 de agosto de 1744 – foi deportado e morreu na Ilha de Moçambique em 1810. Era formado em Direito - 1768), Cláudio Manuel da Costa (Vila do Ribeirão do Carmo, Minas Gerais, 5 de junho de 1729. As condições da sua morte em Ouro Preto, Vila Rica, no dia 4 de julho de 1789, assacinato ou suicídio, sempre ficaram envoltas em polémica. Estudou Cânones, 1753-54), Inácio José de Alvarenga Peixoto (nascido em 1744, no Rio de Janeiro, foi deportando e morreu a 27 de agosto de 1792, em Ambaca, Angola. Formado em Direito - 1768). Luiz Antonio Furtado de Castro do Rio Mendonça e Faro (Visconde de Barbacena) frequentou a Faculdade de Filosofia a partir de 1772 e formou-se em Direito em 1778. Viria a ser Governador de Minas Gerais à época da Inconfidência Mineira e ordenou a repressão do movimento independentista. A tentativa de revolta foi abortada em 1789. Em 18 de abril de 1792 foi lida a sentença no Rio de Janeiro. Doze dos inconfidentes foram condenados à morte. Em audiência no dia seguinte, foi lido o decreto de D. Maria I pelo qual todos, à exceção de Tiradentes, tiveram a pena comutada para degredo em colónias portuguesas em África. Tiradentes foi enforcado e esquartejado no dia 21 de abril de 1792 no Campo da Lampadosa. José Álvares Maciel morreu em Massangano (Angola) em 1804.[96]

A Inconfidência Mineira tinha no seu programa de ação a criação de uma Universidade modelada pela de Coimbra. Nos “Autos de Devassa da Inconfidência Mineira” o depoimento de Domingos de Abreu Vieira, Tenente Coronel do Regimento de Cavalaria auxiliar de Minas Novas, foi bem explícito quanto a este propósito: em São João d’El Rei se haviam de abrir estudos, como em Coimbra, em que também se aprendessem leis. Por sua vez, o Capitão José Rezende Costa declarou que a sublevação pretendia libertar a colónia, estabelecendo também uma Universidade semelhante à de Coimbra, pelo que ficava escusado de enviar o seu filho para Portugal. Neste projeto estava previsto que o ensino das Ciências Matemáticas fosse atribuído a José Álvares Maciel.[97]



[95] MAXWELL, Kenneth – Conjuração mineira: novos aspetos. Revista Estudos Avançados [online]. 1989, vol.3, n.6, pp. 04-24. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/ea/v3n6/v3n6a02.pdf. Consultado em 21/12/2011.
[96] Silva, J. Norberto de Sousa; Braga, Osvaldo Melo, pref. – História da Conjuração Mineira. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1948. 2t.
[97] CAMPOS, Ernesto de Souza – História da Universidade de São Paulo. Editora da Universidade de São Paulo. Edição Fac-Similar. 2004. p. 26.