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Conclusão

Ernesto de Souza Campos, um dos fundadores da Universidade de São Paulo e Ministro da Educação do Governo do Presidente Gaspar Dutra, considerava a UC a célula-mater de toda a cultura dos povos que falam o maravilhoso e rico idioma que Camões tanto sublinhou.[102]

Entrelaçou-se, portanto, a Universidade de Coimbra não somente com o reinóis, como também com os coloniais nascidos além-mar, nestas terras de um Brasil ainda em formação, como parte integrante da civilização mundial. E de lá vieram homens fundamentais de uma nova nação. Não é possível, portanto, traçar a história da educação no Brasil sem dar o devido lugar à fonte primeira de onde emanou a energia intelectual que, por evolução gradual, chegou ao sistema universitário da atual geração.

Desde os primeiros acontecimentos que conduziram à Reforma Pombalina encontramos vários episódios da História da Ciência que testemunham uma intensa relação entre a UC e o Brasil. Os arquivos documentais brasileiros e da UC reúnem fontes da História da Ciência que são um património valioso da história dos dois países. Além da concretização de um dos principais objetivos definidos pelos estatutos pombalinos – um melhor conhecimento dos recursos naturais do reino e império colonial – a UC foi também tomada como paradigma de referência para a criação das primeiras instituições de ensino superior no Brasil. Além da organização do ensino, nestas instituições viriam a ensinar antigos estudantes de Coimbra.

A UC está, em certa medida, ligada ao processo político que conduziu à independência do Brasil. Alguns dos nomes mais destacados da Inconfidência Mineira tiveram a sua formação académica em Coimbra e também aí teriam germinado algumas sementes do anseio independentista. O processo de independência culminou no dia 7 de setembro 1822 após uma intervenção decisiva de um antigo estudante e um dos mais distintos professores da Faculdade de Filosofia, o brasileiro José Bonifácio de Andrada e Silva, cientista internacionalmente reconhecido, e no Brasil conhecido como o Patriarca da Independência.

As relações científicas e culturais que ao longo dos séculos ligam a UC ao Brasil não se findaram com a proclamação da Independência da antiga colónia. O Congresso Luso-Brasileiro de História das Ciências, realizado em Coimbra entre 26 e 29 de outubro de 2011, no qual participaram mais de duas centenas de historiadores, portugueses e brasileiros, reforça a importância do Brasil para a História da Ciência na UC. Estas relações com fortes laços históricos continuam bem patentes e são a cada dia revigorados. Em novembro de 2011 a UC tinha estabelecido 124 protocolos de cooperação com instituições de ensino superior brasileiras. Ao abrigo destes protocolos estão envolvidos 940 estudantes brasileiros (321 estudantes de mobilidade/intercâmbio, 475 estudantes de mobilidade “especial” e 144 investigadores de pós-graduação)[103]. Além disso, o Grupo Coimbra de Universidades Brasileiras (GCUB) foi formalmente constituído em 27 de novembro de 2008. Envolvendo 52 instituições de ensino superior, garante a prosperidade das relações entre a UC e as suas congéneres brasileiras. O futuro também se constrói consolidado num longo e profícuo passado histórico.



[102] CAMPOS, Ernesto de Souza – História da Universidade de São Paulo. Editora da Universidade de São Paulo. Edição Fac-Similar. 2004. p. 14.
[103] Fonte da Divisão de Relações Internacionais da Universidade de Coimbra.