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Christophoro Borri: apologista das novas ideias científicas

Outro dos mais destacados introdutores das novas ideias científicas em Portugal foi o já referido jesuíta italiano Christophoro Borri, contemporâneo de Galileu. Ainda jovem, Borri já mostrava a sua simpatia e mesmo entusiasmo pela corrente que defendia que o Sol estava no centro do Universo. Por isso mesmo, foi, ainda em Roma, denunciada a sua precipitação extremista. Já depois da morte de Clavius, e porque o Geral da Companhia de Jesus tinha sido advertido pela Santa Sé no sentido de conter o surto inovador que se verificava, Borri foi condenado a penitência pública, tendo-lhe sido retirada a cátedra. Também o seu contemporâneo Grienberger foi intimado a renunciar à defesa das novas ideias. Não foi, portanto, Galileu o único a ser perseguido pelas autoridades eclesiais por defender as novas ideias científicas...

Em consequência dos constrangimentos que lhe foram impostos em Roma, Borri, depois de uma breve passagem por Lisboa, rumou ao Oriente, onde missionou durante cinco anos. Depois, voltou a Coimbra, onde fez algumas observações astronómicas, utilizando para o efeito o telescópio e outros instrumentos de André de Almada, um lente de Teologia que chegou a Reitor da Universidade, em 1638/1639. Segundo refere o historiador Joaquim de Carvalho, teria sido a partir da descrição de Tycho Brahe, na sua Astronomia Instauratæ Mechanica, que André de Almada mandou construir um quadrante, com o qual repetiu, juntamente com um grupo de amigos, as observações feitas pelo astrónomo dinamarquês. Com recurso ao telescópio, na noite do sexto dia da Lua nova de Julho de 1627, observou o aspecto da Lua. Fez-se então uma gravura, que é provavelmente o mais antigo gráfico de uma observação astronómica feita em Portugal com o telescópio. Foi Borri quem, pela primeira vez, descreveu aquele instrumento em Portugal. Entre a bibliografia referida por Borri encontram‑se as obras mais recentes de astrónomos seus contemporâneos, nomeadamente o Dioptrice seu Demonstratio e Ad Vitellionem Paralipomena, do alemão Johannes Kepler, o mais conhecido dos discípulos de Brahe e o autor das três famosas leis do movimento planetário. Contudo, segundo refere o historiador de ciência Henrique Leitão, os telescópios circularam em Portugal seguramente mais cedo. Referindo Yoshio Mikami, um dos mais reputados historiadores da ciência japonesa, os telescópios terão chegado ao Japão em 1613. Se isso ocorreu pela mão dos jesuítas, e como todos os missionários europeus que neste período partiam para o Extremo-Oriente saíam de Lisboa, então os telescópios já eram conhecidos em Portugal pelo menos desde 1611-1612. As primeiras observações feitas em Portugal com o telescópio devem ter sido feitas pelo jesuíta Lembo no Colégio de Santo Antão.