Este site utiliza cookies para lhe proporcionar uma melhor experiência de utilização. Ao navegar aceita a política de cookies.
OK, ACEITO

Pedro Nunes, o cosmógrafo-mor do Reino

Na época de D. João III o matemático e astrónomo Pedro Nunes, professor da Universidade de Coimbra, revelou-se como um dos maiores vultos científicos do seu tempo e mesmo de sempre (curiosamente Pedro Nunes e D. João III nasceram e morreram nos mesmos anos, respectivamente 1502 e 1578). Teve a sorte de viver num período em que a ciência moderna emergia e em que grandes viagens marítimas eram realizadas com regularidade a partir de Lisboa. Foi “cosmógrafo real” e professor da Universidade de Lisboa. Depois da Universidade ter mudado de lugar, foi, em 1544,

nomeado professor em Coimbra, cargo que ocupou durante 18 anos, até se jubilar. Nunes não arriscou muitas considerações sobre o De revolutionibus orbium cœlestium (Sobre a revolução das órbitas celestes), o importante livro do monge polaco Nicolau Copérnico, publicado em Nuremberga, na Alemanha, no ano anterior ao da ida de Pedro Nunes para Coimbra. Embora o grande matemático português tivesse considerado o sistema de Copérnico correcto do ponto de vista matemático, nunca chegou a pronunciar-se sobre a sua veracidade física. Mesmo assim, as obras de Pedro Nunes serviram de referência a matemáticos e astrónomos europeus de renome: por exemplo, o filósofo e matemático francês Pierre Gassendi incluiu Pedro Nunes na lista dos grandes matemáticos e astrónomos do século XVI e o astrónomo dinamarquês Tycho Brahe referiu-se a Nunes na sua famosa obra Astronomia Instauratæ Mechanica. Também no Epistolarum astronomicarum libri, livro que reúne a correspondência científica que manteve com notáveis personalidades do seu tempo, Brahe fez várias referências a Pedro Nunes e aos seus trabalhos, em especial ao mais importante, De crepusculis (Sobre os crepúsculos). Foi nesta obra, largamente difundida na Europa, que apareceu pela primeira vez a ideia do nónio como um meio para efectuar medidas com maior precisão. Existe uma gravura que mostra Brahe junto ao nónio de Nunes.

Só 30 anos após a morte de Pedro Nunes, o ensino da Matemática em Coimbra foi retomado por André de Avelar. Este professor publicou em 1585 a Cronografia ou reportório dos tempos: o mais copioso que até agora saiu a luz. Conforme a nova reformação do Santo Padre Gregório XIII no ano de 1582, no qual discutia o novo calendário gregoriano. Apesar do longo tempo decorrido desde a obra de Copérnico, Avelar manifestava‑se ainda favorável à imobilidade da Terra, afirmando que este facto se provava com muitas demonstrações, ainda que houvessem varões mui doutos que teriam afirmado mover‑se a Terra como foi Pitágoras e mais recentemente Copérnico. Avelar procurava obviamente evitar conflitos com a Igreja, mas tal não evitou que fosse julgado pela Inquisição e que o seu livro chegasse a ser incluído no Index.