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Colher plantas. Semear ideias. Luís W. Carrisso (1886-1937) e a ocupação científica das colónias portuguesas (1934)

No início do Estado Novo, reflectiu-se acerca da investigação científica a lançar nos territórios de além-mar, enquanto elemento imprescindível do desenvolvimento e afirmação do país perante si e perante os outros. Entre os críticos mais contundentes e esclarecidos, contavam-se investigadores e professores universitários de renome nacional e internacional, mormente de Coimbra. Foi o caso do geólogo Anselmo Ferraz de Carvalho (1878-1955) e sobretudo do botânico de Coimbra, Luís Wittnich Carrisso (1886-1937), ao alertar para a insuficiência de meios essenciais ao seu êxito. Principalmente quando o seio universitário não dispunha, por maioria de razões, de uma desejável experiência colonial. Juntava, contudo, a sua voz à dos convictos na finalidade económica do conhecimento científico dessas geografias tropicais, designadamente na matéria que lhe era mais próxima, a exploração agrícola, ampliando-lhe os resultados, não tanto do ponto de vista meramente científico e paisagístico, quanto do económico. Havia, por conseguinte, que orientar cientificamente a valorização desses territórios, como testemunhou em conferência proferida no âmbito da 1.ª Exposição Colonial (Porto, 1934), sugestivamente intitulada Ocupação científica das colónias portuguesas. O seu empenho nesta matéria mereceu-lhe um lugar no Conselho do Império Colonial, confirmando-se assim o prestígio que granjeava junto dos meios académicos e corredores políticos. É pois o seu contributo para a agenda colonial portuguesa, por intermédio da investigação científica, que constitui o fundamento da nossa comunicação.

“Tenho-me na conta de um homem de acção, e tenho a vaidade de me julgar capaz de realizar, dentro da modéstia das minhas possibilidades, uma obra determinada.Sou homem de trabalho, que ao trabalho vai buscar as maiores consolações da vida.”
(Carrisso, 1928b, p. 11)