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A Faculdade de Filosofia no início do século XIX

A evolução do ensino em Portugal foi muito influenciada pelas transformações sociais e políticas observadas em França. A lei de 27 de Setembro de 1794 decretou a criação em Paris de uma escola destinada ao ensino técnico. Lomblardie, director da Escola de Pontes e Calçadas, concebeu um projecto de ensino científico e técnico geral destinado a engenheiros. Esta ideia foi comunicada a Monge, que com o auxílio de Carnot e Prieur, fez com que um novo projecto educativo fosse aprovado pelo Comité de Salvação Pública. Fourcroy foi encarregado da organização da nova unidade de ensino, a qual viria a ser instituída com a designação de Escola Central de Trabalhos Públicos. Por decreto de 1 de Setembro de 1795 passou a ser denominada Escola Politécnica. Esta nova escola modelar passou a representar uma significativa abertura do ensino face à imutabilidade tradicional das Universidades. O ensino da Física Experimental na Escola Politécnica de Paris viria a constituir uma das mais importantes referências de ensino desta disciplina em Coimbra ao longo de todo o século XIX. Por outro lado, no final do século XIX, a organização universitária na Europa viu‑se obrigada a grandes reformas de organização, sendo paradigmático o caso da Universidade Humboldt de Berlim, fundada em 1810, que já foi chamada “the mother of all modern universities”. Tratava‑se, com efeito, de um centro aberto à investigação científica como trabalho complementar ou mesmo autónomo da docência universitária.

Na primeira metade do século XIX verificaram‑se na Universidade de Coimbra algumas reformas curriculares (sendo as mais importantes as de 1801, 1836 e 1844), da iniciativa do próprio claustro universitário, como necessidade de melhor ajustamento ao desenvolvimento científico na Europa. No entanto, apesar das sucessivas reformas curriculares tendentes à actualização dos conteúdos científicos dos programas de ensino, não se pode dizer que ela tenha sido palco de descobertas ou desenvolvimentos relevantes à escala europeia. A partir de 1836/37, com a fundação da Escola Politécnica de Lisboa e da Academia Politécnica do Porto, imbuídas do espírito do liberalismo, a Universidade de Coimbra passou a ter concorrência a nível de estudos superiores. A relação entre essas várias escolas não foi simples. Alguns críticos afirmaram que os métodos de ensino coimbrão continuavam a assentar nas lições magistrais e na erudição livresca e, consequentemente, não eram mais do que um repositório de uma ciência desligada das realidades técnicas e como fábrica de homens políticos que cobiçavam os graus académicos para a conquista de situações proeminentes.

Tabella dos estudantes matriculados na Faculdade de Mathemática desde 1790 até 1872


TABELA I – Estudantes matriculados na Faculdade de Matemática

Ao longo do século XIX as Faculdades de Philosophia e de Mathematica tiveram as suas actividades suspensas em consequência da instabilidade política e social. A Universidade esteve encerrada nos anos lectivos de 1810/1811; de 1828/1829; de 1831 a 1834 e de 1846/1847. A Tabela I mostra o número de estudantes que entre os anos de 1790 a 1872 estiveram matriculados na Faculdade de Mathematica. A Tabela II apresenta o número de estudantes que entre 1800 e 1872 estiveram matriculados no Curso de Philosophia.

Estudantes Filosofia


TABELA II – Estudantes matriculados na Faculdade de Filosofia

Depois da Reforma Pombalina da Universidade de Coimbra, foi no ano de 1791 que se verificou a primeira alteração do plano de estudos na Faculdade de Filosofia. Com efeito, por carta régia de 24 de Janeiro foi criada a cadeira de Botânica e Agricultura, para substituir a de Filosofia Racional, que os estatutos haviam incorporado no primeiro ano do Curso Philosophico. Para reger a nova cadeira de Botânica foi nomeado Felix de Avellar Brotero, que por carta régia da mesma data se graduou gratuitamente, e entrou na corporação da Faculdade. Brotero havia estudado no Colégio dos Religiosos Arrábicos de Mafra, tendo posteriormente concorrido, em 1763, ao lugar de capelão‑cantor da Igreja Patriarcal de Lisboa. Em 1778, emigrou para França na companhia de Filintio Elísio. Em Paris, dedicou‑se ao estudo das ciências Naturais, frequentando os cursos de Valmont de Bomare e Buisson. A sua estadia na capital francesa permitiu‑lhe conviver com os mais eminentes naturalistas franceses, especialmente com Buffon, Cuvier e Lamark. Doutorou‑se em medicina, na Universidade de Reims. Em 1790 regressou a Portugal. Tendo sido nomeado professor da Faculdade de Filosofia, foi determinante a sua intervenção para a reforma do plano de estudos que em 1791 levou à criação da cadeira de Botânica e Agricultura.

Nova reforma do plano de estudos do Curso Phiplosophico viria a ocorrer em 1801, para a qual foi decisiva a intervenção de José Bonifácio de Andrada e Silva. Com efeito, nesta reorganização curricular foi instituída, por carta régia de 21 de Janeiro, a cadeira de Metalurgia, para se ler no quarto ano conjuntamente com a cadeira de Agricultura, unindo‑se novamente o ensino da Botânica ao curso da História Natural. Pela mesma carta régia foram criados mais dois lugares de substitutos ordinários, e um demonstrador para o curso de Metalurgia.

No Brasil, sua terra natal, José Bonifácio é recordado como o Patriarca da Independência. Em Portugal é salientado o carácter de notável pedagogo e cientista, onde deixou uma importante obra, para além de todo o empenho que dedicou à luta contra a ocupação francesa. Nasceu no dia 13 de Junho de 1763. Concluídos os seus primeiros estudos, veio para Portugal quando contava pouco mais de dezoito anos. Na Universidade de Coimbra frequentou os cursos de Filosofia e de Direito, nos quais se formou ao fim de seis anos. Foi um dos primeiros estudantes depois da Reforma Pombalina a evidenciar notáveis aptidões científicas, adquirindo mesmo algum prestígio internacional. Após a conclusão dos seus cursos em Coimbra, radicou‑se em Lisboa. José Bonifácio ingressou como sócio da Academia das Ciências com vinte e seis anos de idade. Pouco tempo depois, com a idade de vinte e sete anos, foi pensionado pelo governo português, por proposta da Academia, para viajar pela Europa, a fim de aperfeiçoar os seus conhecimentos nos ramos da História Natural e Metalurgia. Em Junho de 1790 iniciou, em companhia de outro brasileiro, Manuel Ferreira de Araújo Câmara, e do português Fragoso de Sequeira, um período de estadias nos grandes centros científicos da Europa, que decorreu entre 1790 até 1800. Durante estes anos estagiou em diversos centros universitários em França, Itália, Alemanha, Dinamarca, Holanda, Suécia, Grã‑Bretanha, etc. Foi eleito membro das Academias de Estocolmo, Copenhague, Turim, da Sociedade dos Investigadores da Natureza de Berlim, das de História Natural e Philomatica de Paris, da Geológica de Londres, da Werneniana de Edimburgo, da Mineralógica e da Linneana de Jena, da Philosophica de Filadélfia. Foi ainda membro da Academia Imperial de Medicina do Rio de Janeiro.

Após dez anos de intensa actividade científica por toda a Europa, José Bonifácio regressou a Portugal no ano de 1800. Voltando a Coimbra ingressou na carreira académica. Na Congregação da Faculdade de Philosophia de 15 de Maio de 1801 foi lido o seguinte Decreto de 15 de Abril desse ano:

Texto Bonifácio



Foram vários os professores da Faculdade de Philosophia que ao longo da sua carreira conquistaram um lugar de destaque no meio cultural português no período compreendido entre 1772 e 1836. Para alguns deles a notoriedade foi para além do empenho dedicado ao ensino e ao desenvolvimento das ciências. Para o serviço docente do Curso de Philosophia, a Faculdade dispunha de cinco Lentes Proprietários, quatro Lentes Substitutos, cinco Demonstradores e os Doutores Opositores da Faculdade. Um dos nomes de maior destaque na actividade pedagógica e científica nas primeiras décadas do século XIX foi Manoel José Barjona. Este professor graduou‑se a 3 de Outubro de 1786, sendo pouco depois nomeado Lente Substituto. Anos depois viria a ser promovido a Lente Proprietário da cadeira de Zoologia e Mineralogia. Pela carta régia de 15 de Abril de 1801, quando era ainda Substituto, foi igualado em graduação e ordenado ao 5º Lente da Faculdade de Philosophia. Na sua actividade científica, Barjona distinguiu‑se pelos seus estudos relativos à composição da água, numa época em que também Watt a Cavendish realizavam as suas primeiras experiências neste domínio. Foi durante as experiências de síntese da água, realizadas conjuntamente com Thomé Rodrigues Sobral, que Barjona foi vítima de uma violenta explosão do gasómetro, tendo ficado cego de um olho.

Contribuindo para o desenvolvimento do ensino das ciências, Manoel Barjona foi sempre um activo membro das Congregações da Faculdade. No dia 14 de Março de 1823 submeteu à aprovação do Conselho da Faculdade as suas Taboas Mineralogicas. Este trabalho viria a ter uma segunda edição em 1835. Para além desta obra, já havia publicado em 1798 um compêndio intitulado Metallurgica Elementa, quæ amplissimi Philosophici Ordinis jussu ad usum academiciem elucubravit. Pela publicação deste compêndio foi contemplado com uma pensão vitalícia de 50$000 réis. Em 1827 solicitou outra pensão vitalícia de 50$000 réis pela publicação das Taboas Mineralogicas. Este requerimento foi satisfeito apenas parcialmente. Neste ano era ministro do reino o bispo de Viseu, D. Francisco Alexandre Lobo, que rubricou a carta régia de 24 de Abril onde, em nome da infanta regente, D. Isabel Maria, se afirmava o seguinte:

... considerando o apuro em que estavam as rendas da Universidade, e tambem que esta obra não era propriamente um compendio, posto que muito digna de louvor, e que o suplicante já por um compendio recebia 50$000 réis, não podia dar‑lhe a pensão que pedia agora; no entanto, atendendo às circumstancias que no dr. Barjona concorriam, e por desejar animar os seus trabalhos, lhe fazia mercê da pensão annual de trinta mil réis, cedendo o supplicante as ditas Taboas na fórma que propunha.

Em 1828 Manoel Barjona foi demitido por motivos políticos. O facto de defender as ideias liberais foi a origem de um fim de vida bastante dramático. Foi processado pelo governo absoluto, valendo‑lhe nalgumas circunstâncias a influência e protecção de um miguelista, seu antigo discípulo e amigo, o qual evitou que o seu julgamento se realizasse no Porto. Foi julgado em Coimbra, e não havendo provas suficientes que o incriminassem saiu em liberdade condicionada. Não voltou a ser readmitido na Universidade. Até ao fim da sua vida apenas viveu com o rendimento de 80$000 réis anuais, correspondentes às pensões relativas às publicações das suas duas obras. Para subsistir teve que vender os seus bens pessoais, contraiu dívidas e valeram‑lhe alguns amigos que nunca o abandonaram.

As invasões francesas foram um factor de instabilidade ao normal funcionamento da instituição universitária. Alguns professores da Faculdade de Philosophia prestaram relevantes serviços para a defesa nacional contra os franceses. Em 1808 vários estudantes da Academia de Coimbra alistaram‑se num batalhão sob o comando de Tristão Álvares da Costa, lente de Cálculo e major de engenharia. Por sua vez, os lentes formaram outra secção, capitaneada por Fernando Saraiva Fragoso de Vasconcellos, primeiro lente da Faculdade de Cânones. O Vice‑Reitor, Manuel Paes de Aragão Trigoso, tinha sido chamado para o cargo de Governador Geral da cidade.

No ano lectivo de 1810/1811 a Universidade esteve fechada. Neste período o Labotatorio Chymico desempenhou um papel fundamental na resistência contra a ocupação francesa. Este laboratório transformou‑se numa verdadeira fábrica de munições de guerra. O seu director, Thomé Rodrigues Sobral, teve um desempenho notável na luta contra os invasores. Sob a sua orientação fabricou‑se muita pólvora. Ainda hoje existe em Coimbra um grande almofariz em pedra utilizado nesta tarefa. Este professor não só dirigia e organizava todo o grupo de trabalho no Laboratorio Chymico, como também preparava com as suas próprias mãos as munições de guerra. Foram fabricadas espoletas tanto de peça como de granada, estopins, velas de mixto, murrões, etc. Relatos da época referem que até ao dia 29 de Julho de 1808 fabricaram‑se no laboratório mais de 40 arrobas de pólvora. Desde esse dia até 28 de Agosto foram fabricadas mais 23 arrobas e meia. Nos primeiros seis dias deste mês foram preparados 45.260 cartuchos. Para a frente de combate foram enviadas de uma só vez 1.541 espoletas de peça, 650 estopins, 276 espoletas de granada e 100 velas de composição. Foi neste período que todo o arsenal armazenado no edifício do Laboratório Chymico esteve na eminência de explodir. Ao deflagrar um incêndio, com o edifício repleto de barris de pólvora, valeu a serenidade de Thomé Rodrigues Sobral, que conseguiu evitar a catástrofe, utilizando água de uma cisterna próxima. Como consequência do seu empenhamento na luta contra os invasores, aquele professor viu a sua casa destruída pelo incêndio provocado pelos franceses. Neste incêndio ficaram irremediavelmente perdidos todos os preciosos manuscritos, bem como a excelente biblioteca que possuía, reunida ao longo de trinta anos. Entre os manuscritos destruídos perdeu‑se o seu Compêndio de Chymica. Quando o exército francês chegou a Coimbra, uma das primeiras preocupações dos comandos militares foi o de saberem onde ficava a casa do mestre da pólvora, cognome atribuído pelos invasores ao professor de Química. O resultado foi o bárbaro incêndio das casas da Quinta da Cheira, pertencentes a Rodrigues Sobral. Reconhecendo o seu elevado empenho, o governo, por aviso régio de 31 de Outubro de 1816, mandou reedificar as suas casas.

Também foram desenvolvidas acções no domínio da saúde pública. Em Agosto de 1809 o Laboratorio Chymico foi palco de uma intensa actividade para que fosse debelado o surto epidémico que então ocorreu. Para o efeito, assumiu uma particular importância a acção de Thomé Rodrigues Sobral. Para erradicar a epidemia foram utilizados desinfectadores de cloro, ácido muriático oxigenado utilizados para purificação da atmosfera. No Laboratorio Chymico fabricaram‑se desinfectadores, que eram gratuitamente distribuídos pelas casas particulares, pelos hospitais, pelas cadeias e até pelas ruas. Em Outubro de 1813 foi publicado no Jornal de Coimbra um pormenorizado relatório de toda esta actividade.

No Gabinete de Física Experimental, António Dalla Bella, oriundo de Pádua, veio para Portugal para organizar o ensino daquela disciplina no Colégio dos Nobres de Lisboa. Em 1772 foi transferido para Coimbra. Deixou de ensinar no ano escolar de 1785 – 1786, sendo substituído no serviço docente por Teotónio Brandão, Ribeiro de Paiva e Constantino Botelho de Lacerda. Durante cerca de quatro décadas o ensino da Física Experimental esteve a cargo de Botelho de Lacerda, que nasceu em Março de 1754, em Murça, e faleceu entre 1820 e 1822. Foi Doutor e Lente de Philosophia na Universidade de Coimbra, sócio da Real Academia das Ciências de Lisboa. Tinha 18 anos, em 1772, quando se matriculou em Philosophia na Universidade de Coimbra. Mostrando assídua aplicação e elevada inteligência foi, por aviso régio de 23 de Janeiro de 1778, graduado gratuitamente. No dia 24 de Janeiro de 1791 Constantino António Botelho de Lacerda foi nomeado Lente Proprietário de Física Experimental, tendo falecido sem ter chegado a jubilar‑se. O seu ensino da Física Experimental granjeou‑lhe uma grande reputação. No dia 9 de Julho de 1791, Botelho de Lacerda foi encarregado, pelo Conselho da Faculdade de Philosophia, de uma versão em latim da obra Exposition raisonnée de la Theorie de l'electricité et du magnetisme d'après les principes de M. Aepinus, por M. l' Abbé Haüy. No dia 14 de Janeiro de 1807 a Congregação da Faculdade de Philosophia reuniu na sala do Gabinete de Física, resultando, para além de outras, a seguinte deliberação: 3º que para o augmento do Gabinete de Physica se mandem modelar algumas Machinas, que importantemente são empregadas nos usos das Artes. Se, por um lado, Botelho de Lacerda se empenhou profundamente para o desenvolvimento do ensino da Física Experimental em Coimbra, também é verdade que este professor presenciou uma das páginas mais tristes da história do Gabinete. Durante a sua direcção o Gabinete sofreu uma perda que o tempo não conseguiu reparar. Por ocasião da ocupação francesa, o exército de Massena entrou em Coimbra no dia 30 de Setembro de 1810 e no dia 2 de Outubro foram levados pelos invasores, um óculo astronómico, um óculo de Galileu e dois magníficos microscópios que tinham sido comprados em Inglaterra. Para além da sua dedicação ao ensino da Física, foi também muito competente em assuntos de agricultura, e deixou várias memórias no Investigador Portuguez, Jornal de Coimbra e nas Memorias da Academia das Sciencias. Tornou‑se principalmente notável por ter descoberto um novo modo de aplicar a força do vapor ao movimento das máquinas. A memória sobre este invento foi lida na sessão pública da Academia de 18 de Janeiro de 1805, e no último parágrafo queixava‑se de que a glória da sua invenção lhe fosse roubada por Verzy, o qual arrogando a si a descoberta, a propusera ao ministro do interior em França, e obtivera os fundos indispensáveis para fazer experiências em ponto grande. Sobre a descoberta de Constantino Botelho deve ler‑se a Historia Resumida da Invenção e Melhoramentos da Machina a Vapor, do visconde de Villarinho de S. Romão. A descrição da máquina vem no jornal de Coimbra, de Abril de 1812, acompanhada de estampas. Não consta que Constantino Botelho imprimisse em separado alguns dos seus trabalhos. As muitas Memórias que escreveu foram publicadas em vários jornais da época, e noutras colecções científicas.

A Botelho de Lacerda sucedeu‑se na direcção do Gabinete de Física Experimental o professor José Homem de Figueiredo Freire, que foi autor do Catálogo dos instrumentos com que tem sido aumentado o Gabinete de Physica da Universidade desde o ano de 1772 até ao presente de 1824. Este catálogo testemunha uma forte dinâmica de actualização do Gabinete de Física, concretizada pela aquisição continuada de equipamento didáctico moderno.

No ano de 1812 fazia parte do corpo docente José Homem de Figueiredo Freire, na qualidade de Doutor Opositor, vindo a ser o sucessor de Botelho de Lacerda na direcção do Gabinete de Física Experimental. José Homem de Figueiredo Freire foi Doutor em Philosophia e Lente da Universidade de Coimbra. Nasceu em S. Pedro do Sul, e faleceu na Figueira da Foz em Setembro de 1837 estando em uso de banhos. Doutorou‑se em 31 de Julho de 1807. Regeu várias cadeiras, permanecendo até à sua morte na de Physica Experimental. Deixou importantes manuscritos em poder da sua viúva, a quem foram pedidos por alguns membros da Faculdade. Em Congregação de 13 de Abril de 1842 dois vogais declararam que tinham conservado em seu poder os manuscritos de Botânica e de Física de José Homem de Figueiredo Freire, mas que iam restituí‑los à viúva. Além dos manuscritos, publicou as seguintes obras: Catalogo das plantas naturaes e exoticas, que se encontram em S. Pedro do Sul; Monographia das plantas cryptogamicas; Methodo pratico de trabalhar com as machinas de Physica. Durante a gestão de José Homem de Figueiredo Freire, o Gabinete de Física Experimental continuou a ver engrandecida a sua colecção de instrumentos científicos e didácticos, procurando, desta forma, acompanhar o ritmo de desenvolvimento quer sob o ponto de vista pedagógico, quer científico, que então se observava na Europa. Um numeroso conjunto de instrumentos tornou mais rica a colecção do Gabinete. Assim, no dia 1 de Agosto de 1827, foram aprovadas várias requisições dos diversos estabelecimentos da Faculdade de Philosophia, tendo sido o Gabinete de Física contemplado com um notável número de modernos aparelhos.