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Impacto

Um dos principais impactos da criação da Faculdade de Matemática foi na formação de especialistas em Matemática. Para se ter uma ideia melhor da amplitude desta formação, eis o quadro dos doutoramentos em Matemática na Universidade de Coimbra durante o século XIX, agrupados por década:

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Verifica-se assim um total de 54 doutoramentos no século XIX, uma média de 5,4 doutoramentos por década, o que representa um número notável, e até consideravelmente independente das vicissitudes políticas da época.

Muitos dos doutorados ficaram professores da Faculdade de Matemática cumprindo-se o desejo dos Estatutos de que “se criem Mathematicos consumados, que possam succeder nas Cadeiras”. Isto significou que, alguns anos depois da Reforma pombalina o quadro de professores já se encontrava completo (4 catedráticos e 2 substitutos); e depois do fim da guerra civil o quadro também se recompôs rapidamente. No início do século XIX o quadro de professores[88] era

Catedrátricos:

Manuel José Pereira da Silva

Manuel Joaquim Coelho da Costa Vasconcellos e Maia

José Joaquim de Faria

António José de Miranda

Substitutos:

António José de Araulo Santa Bárbara

Fr. Joaquim de Maria Santíssima

Em 1867 o quadro tinha já 8 catedráticos e 4 substitutos, e era constituído pelos seguintes professores:

Catedrátricos:

Abílio Afonso da Silva Monteiro

Joaquim Gonçalves Mamede

Raimundo Venâncio Rodrigues

Rufino Guerra Osorio

Jacome Luis Sarmento de Vasconcelos

Florêncio Mago Barreto Feio

José Teixeira Moraes Sarmento

Luis Albano de Andrade Morais

Substitutos:

Francisco Pereira Torres Coelho

António José Teixeira

José Pereira da Costa Cardoso

Luís da Costa e Almeida.

Mas o impacto também se mede pelo número de doutorados que se tornaram professores das diversas Academias Militares e das Academias Politécnicas de Lisboa e do Porto. O impacto é ainda mais obvio se levarmos em conta que muitos dos bacharéis em Matemática como Daniel da Silva, F. de B. Garção Stockler, Matheus Valente do Couto, Francisco Simões Margiochi, José Cordeiro Feio, J. F. Castel-Branco, Manuel Jacinto Nogueira da Gama, A. Figueiredo e Almeida, Rodrigo Ferreira da Costa, chegaram também a professores dessas escolas, pelo que é de salientar o aspecto multiplicador que teve a criação da Faculdade de Matemática em Coimbra. Observe-se que os primeiros quatro Lentes da Academia Politécnica de Lisboa[89], José Cordeiro Feio, J. F. Castel-Branco, A. Figueiredo e Almeida e Filipe Folque, foram todos bachareis por Coimbra, tendo o último também o doutoramento.

No quadro seguinte resumimos as colocações dos doutorados em Matemática nas diversas instituições do País.

Destino dos doutores no período 1777-1900[90]

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Observamos que não só a Faculdade de Matemática da Universidade de Coimbra formou sem problemas os professores de que necessitou, como além disso forneceu pessoal docente para outras instituições que assim puderam funcionar ou iniciar o seu funcionamento com professores especialistas devidamente formados em Portugal.

  

[88] Não incluiremos em quaisquer destas estatísticas os professores de Desenho.
[89] Cf. SARAIVA, Luís, OLIVEIRA, A. J. Franco de (1992). “Mathematics and Mathematicians in Portugal (1800-1950)”. In European Mathematics 1848-1939.
[90] Alguns professores foram primeiro Lentes da Faculdade e depois transitaram para outros lugares ou vice-versa; na contagem apenas foi considerado o último lugar ocupado. Entre parêntesis encontram-se assinalados os professores que transitaram para alguma outra instituição.