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O Instituto

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Por portaria de 5 de setembro de 1853, o Governo concede ao Instituto, acabado de nascer, a impressão do seu jornal por conta do Estado, na tipografia da Universidade, até uma despesa anual de 150$000 réis. Apesar de alguns percalços, este subsídio foi-se mantendo ao longo dos anos, constituindo a base de sustentação da publicação e quem sabe mesmo da academia. Já o disse Teófilo Braga, no tomo IV da sua História da Universidade de Coimbra (1902: 471), observando que a concessão do subsídio pelo Governo fora decisiva para a sobrevivência da revista O Instituto, pois se tivesse que depender das assinaturas “não atingiria meio século de existência” (o que aconteceu com tantos e tantos periódicos do século XIX). Para Teófilo Braga, a vitalidade da revista O Instituto contrastava com a apatia da Academia Real das Ciências de Lisboa, motivada grandemente pela falta de uma revista científica e literária, o que de certa forma superiorizava o Instituto de Coimbra.

A concessão envolvia condições. O papel para impressão era encargo do Instituto. Metade das colunas do periódico ficava reservada para o Conselho Superior de Instrução Pública, sediado em Coimbra de 1844 a 1859, para as Faculdades e para o movimento dos hospitais da Universidade. O Instituto acabou por se tornar, em certa medida, uma publicação oficial destas entidades, durante alguns anos, o que contribuiu para lhe dar maior projeção.

Mesmo antes de receber estas indicações, já era intenção dos seus redatores fundadores publicar de preferência notícias respeitantes à Universidade. Por seu turno, a matéria principal própria seria constituída por trabalhos das três classes, quaisquer outros escritos de reconhecido mérito a elas respeitantes, de sócios ou não sócios (embora, no cômputo geral, os artigos de sócios contabilizem a esmagadora maioria), e ainda as mais importantes notícias científicas, literárias e artísticas. É este o programa delineado por Adrião Forjaz no primeiro número d’O Instituto, em 1852, e que norteará o percurso desta publicação ao longo das décadas. Apenas se distingue ao princípio com um formato mais próximo de jornal, não só pelas dimensões, mas também pelas mencionadas notícias, que vão gradualmente dando lugar a estudos e artigos científicos originais, passando a assumir o estatuto de revista.

A questão da mudança de formato físico foi explicada por A. M. Seabra de Albuquerque:

Principiou o jornal O Instituto em 1852 no formato de 8º grande; como porém a portaria do Ministério do Reino de 5 de setembro de 1853 obrigasse a inserir nas suas colunas a legislação sobre instrução pública, para assim poderem gozar do privilégio de ter a impressão gratuita na Imprensa da Universidade, tiveram no volume II de aumentar o formato para fólio, e assim continuou até findar o seu volume XVI.O volume XVII voltou ao primitivo formato.Para regular a 1ª série foi reimpresso o primeiro volume em fólio (O Instituto, 19: 47-48). 

Mas há outro aspeto que ressalta daquela Introdução ao volume 1. É que O Instituto propunha-se, como missão, como lema, “ciência para todos”, isto é, satisfazer as necessidades de conhecimento de todos, incluindo o “humilde artífice, o laborioso operário”. Uma tal missão de agradar a todos tornava-se assaz difícil de gerir, e por isso Forjaz exprimia esta dúvida, meses depois, no nº 13 do mesmo volume: O Instituto, condenado por uns por ser extremamente científico, e por outros por não o ser quanto baste, “vencerá o destino fatal dos jornais de Coimbra: prosseguirá ou terminará a sua carreira?” (O Instituto, 1: 135).

Prosseguiu, de facto, insistindo em levar o conhecimento a todos os cidadãos, tal como vem reforçar a Introdução do 2º volume: “Apenas podemos prometer que para o futuro há de procurar satisfazer a estas condições do seu fim, esforçando-se por se acomodar a todas as inteligências e levar a instrução a todas as classes da sociedade”. Esta é uma época em que “o alimento do espírito, a instrução, não ficará sendo o património de algumas classes privilegiadas”. E assim foi O Instituto resistindo ao “mau fado de todos os jornais literários de Coimbra de não passarem do primeiro ano” (O Instituto, 4: 1).

Resistiu, e por longos anos. Pode-se dizer que o resultado mais fecundo do labor desta academia conimbricense se materializou na edição da revista O Instituto, de uma longevidade notável, publicando-se desde a fundação da academia, em 1852, até aos momentos finais da sua existência, quase sem interrupções. Ela foi o local de publicação de muitos trabalhos de docentes da Universidade de Coimbra, de todas as áreas do conhecimento. Adrião Forjaz dizia que “O Instituto não pertence a uma só das classes que compõem a academia: é dos alunos e dos professores; mais ainda, é de todos os homens de letras não académicos que desejem ilustrar suas colunas” (O Instituto, 1: 137). 

Cumpre um duplo papel de acolher estudos sobre temáticas conimbricenses e trabalhos científicos e literários de âmbito nacional ou mesmo universal. No primeiro caso, são evidentes, para além dos numerosos artigos relativos à Universidade de Coimbra e aos seus vários estabelecimentos, estudos arqueológicos e históricos sobre a cidade e a região, pesquisas hidrológicas, estudos sanitários, etc. Enquanto periódico científico, teve um caráter único, igualado por poucos, em termos de conjugação de qualidade e longevidade. A nível local, O Instituto foi claramente a publicação científica mais importante em Coimbra até ao dealbar do século XX. Vejamos que outros lhe faziam concorrência.

Registam-se, na segunda metade de Oitocentos, algumas revistas da área do Direito, a maior parte de existência efémera. Foi o caso da Revista jurídica (1856-1858), do Jornal de jurisprudência (1865-1870), ou do Jornal de legislação (1868-1869). Bem ao contrário, a Revista de legislação e jurisprudência, iniciada em 1868, publica-se ainda hoje. Os jornais literários proliferaram mas eram quase sempre de curta duração. Na área das ciências naturais, os títulos são escassos, ainda assim, não se podem desprezar as Observações meteorológicas, magnéticas e sismológicas, iniciadas em 1864, o Jornal de ciências matemáticas e astronómicas (1877-1901), e o importante Boletim da Sociedade Broteriana, que caminhou de 1880 até à atualidade. Foram também relevantes alguns periódicos na área da Medicina, nomeadamente, Estudos médicos (1878-1881) e Coimbra médica, iniciada em 1881.

No artigo “Crónica”, de 1885 (O Instituto, 32: 597), escreve F. P. (Fonseca Pinto?):

Não tem a Universidade um jornal seu oficial, nem as faculdades académicas revistas científicas, hebdomadárias ou mensais, como superabundam em outras estrangeiras; mas de iniciativa singular nenhuma deixa de ter periódico que revele mais ou menos as excelentes aptidões dos seus professores. Assim a Faculdade de Teologia tem as Instituições cristãs, jornal bimensal publicado sob os auspícios do bispo conde D. Manuel Correia de Bastos Pina e colaborado por todos os lentes, excetuando o dr. Luís Maria da Silva Ramos, que redige a Ordem. Na de Direito pode contar-se a Revista de legislação e de jurisprudência, semanário que já encetou o seu 18º volume e é redigido pelos drs. Joaquim José Pais da Silva Júnior, Bernardo de Albuquerque e Amaral, Manuel de Oliveira Chaves e Castro e António de Assis Teixeira de Magalhães. (...) Na de Medicina publica-se há quatro anos a Coimbra médica do sr. Augusto António da Rocha, coadjuvado por muitos de seus colegas. Na de Matemática há o Jornal de Ciências Matemáticas e Astronómicas dirigido pelo dr. Francisco Gomes Teixeira, antigo professor da Universidade e hoje da Academia Politécnica do Porto. Na de Filosofia está publicando o Boletim broteriano o dr. Júlio Augusto Henriques, coadjuvado proficuamente por muitos e ilustrados colaboradores.

Portanto, no fundo, O Instituto constituiu um recurso que ajudava a suprir aquela falta de jornais ou revistas oficiais da Universidade ou das Faculdades, uma vez que abarcava praticamente todos os seus domínios de conhecimento.

Com a entrada do século XX, dispara o número de revistas científicas um pouco por todo o lado, incluindo em Coimbra. Só para citar as mais influentes, lembramos a Revista da Universidade de Coimbra, publicada desde 1912, as Memórias e estudos do Museu Zoológico da Universidade de Coimbra (1924-1970), o Boletim da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (desde 1914), os Arquivos do Instituto de Anatomia Patológica e Patologia Geral (desde 1913), a Biblos: boletim da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, desde 1925 em atividade, ou a Revista da Faculdade de Ciências, que se publica desde 1931. Segundo A. J. Leonardo, a revista O Instituto foi o local onde “se fez a divulgação da atividade científica produzida em Coimbra até ao final do século XIX, situação que se alterou com a criação do Arquivo Bibliográfico da Biblioteca da Universidade de Coimbra, em 1901, da Revista da Universidade, em 1912, da responsabilidade da BGUC, da revista Biblos, em 1925, da responsabilidade da Faculdade de Letras, e da Revista da Faculdade de Ciências, em 1931” (Leonardo et al., 2009: 122).

Em 1861, era aprovado o Regulamento do jornal do Instituto de Coimbra, contendo elementos relativos à sua organização e administração. Algumas das suas definições deixaram de vigorar – por exemplo, a periodicidade mensal, o formato a duas colunas (art. 1º) –, porém, nunca se chegou a reformar este documento. O artigo 2º divide em categorias o conteúdo do jornal: 1) boletins do Instituto (resoluções da Assembleia Geral, da Direção e das classes, em extratos de atas, relatórios, contas e atividades); 2) artigos de ciências, literatura, belas letras e artes, de preferência distribuídos pelas três classes, da autoria de sócios ou de pessoas que reúnam as condições para o serem; incluem-se aqui os elogios fúnebres, os juízos críticos e os debates; 3) notícias de vária espécie relativas à Universidade. 

Se os tópicos 2 e 3 se foram, de uma ou de outra forma, perpetuando nas páginas d’O Instituto, já os boletins, essenciais para conhecer a vida da academia, em muitos volumes ficaram suspensos. O mesmo artigo previa ainda a inserção, nas capas, de anúncios de publicações, gratuitamente para os sócios ou para aqueles que oferecessem um exemplar à biblioteca do Instituto, ao preço de 40 réis a linha para os restantes. A maior parte fazia-se, de facto, por meio da oferta de uma cópia da obra para as estantes da academia, mas outros havia de caráter comercial, embora em menor grau.

Na verdade, esta Secção Oficial, publicada à parte e não integrada na paginação da revista, como anteriormente, apenas durou o ano de 1861, num total de 150 páginas + tabelas. Inclui decretos, leis e portarias, e documentos oficiais de 1861, nomeadamente: programas de cursos, nomeação de professores, decretos, ofícios, despachos etc.; contas e movimentos de doentes dos Hospitais da Universidade; documentos da Universidade; relatórios dos trabalhos das Faculdades; documentos oficiais sobre o “Eclipse solar de 18 de julho de 1860”; relatório de Rodrigo Ribeiro de Sousa Pinto sobre a visita aos Observatórios de Madrid, Paris, Bruxelas e Greenwich; relatório de Jacinto António de Sousa sobre a “Segunda viagem a Kew ordenada por portaria do Ministério do Reino de 16 de agosto de 1861”; tabelas de “Estatística Patológica dos Hospitais da Universidade de Coimbra nos meses de julho, agosto e setembro de 1861”.

Os artigos 4º e seguintes do Regulamento dispõem acerca da comissão de redação. Esta seria constituída pelo presidente da Direção e mais seis sócios, dois de cada classe, designados pela Direção, mediante prévio acordo dos mesmos. Destes, um seria eleito 1º redator e outro secretário da comissão. Apesar de algumas discrepâncias pontuais, esta foi, grosso modo, a estrutura seguida ao longo dos anos. Naturalmente, a convocação de sócios de cada classe justifica-se pela reunião de redatores competentes para analisar cada artigo submetido, sendo os textos distribuídos aos redatores da classe respetiva.

As competências da comissão de redação seriam (art. 5º): promover a apresentação de memórias e artigos e a comunicação das notícias referidas no art. 2º; selecionar dos jornais literários do gabinete de leitura as notícias que devem ser relatadas no jornal; elaborar um juízo sobre os artigos que não tenham passado pela aprovação das classes; fixar o número de exemplares do jornal a imprimir, em acordo com a Direção. As do 1º redator seriam (art. 6º): organizar cada número do jornal; preencher espaços em branco que surjam na distribuição das matérias; fazer os índices anuais. E as do secretário seriam (art. 7º): dirigir a correspondência relativa ao jornal, fiscalizar a distribuição do jornal e rubricar os documentos de despesa a ela relativos. O artigo 15º estipula que a Direção estabeleça correspondentes nas localidades principais para receberem assinaturas. Os preços seriam fixados pela Direção, conforme as circunstâncias (art. 17º e último).

Se é verdade que, na prática, o trabalho da redação recaía muitas vezes sobre apenas um ou dois indivíduos, também é certo que, como se sublinha na Introdução do volume 7 (1859), “A redação deste jornal tem sido sempre gratuita; os seus mais ativos colaboradores não têm outra recompensa senão o prazer que resulta sempre do cumprimento de um dever e do desempenho de funções que por eleição honrosa lhe foram confiadas”. Por isso, houve quem afirmasse que O Instituto deveu a sua existência à extrema dedicação de alguns sócios (cf. O Instituto, 8: 1). 

Cândido de Figueiredo, em Os meus serões, reporta a sua experiência de redator d’O Instituto:

Mais ainda do que a Folha, deu-me trabalho e cuidados outra Revista, que conta hoje mais de cinquenta anos de existência, e que era, e é, órgão de uma corporação literária e científica do mesmo nome, certamente a mais importante entre nós, depois da Academia das Ciências de Lisboa. Nos meus três últimos anos de Coimbra, por força das circunstâncias e escassez de redatores efetivos, assumi a direção e a gerência do Instituto, obtendo para ele a mais valiosa colaboração gratuita, sobre letras e ciências, afora a minha larga contribuição, não só em verso, mas principalmente em prosa, sobre Literatura, Jurisprudência, História, Crítica e Economia Política.Publiquei ali os meus primeiros estudos, a respeito da Índia Antiga (1928: 128).

O Instituto foi, para a Universidade, um vigoroso incentivo à abertura a novas fórmulas de ensino e de investigação. Nos primeiros volumes, é constante o apelo à participação da comunidade académica, aliado a repreensões às Faculdades que menos contribuem. Veja-se, por exemplo, a Introdução ao volume 8: “À Universidade cumpre também, por crédito seu, tomar uma parte importante na redação desta folha. (…) Hoje, a tendência da época exige ao professor mais alguma coisa do que a preleção oral na cadeira. (…) O jornal é um dos mais poderosos agentes da ilustração. (…) lamentamos só que dela não parta o exemplo e a iniciativa”. Agradecem, assim, aos professores que têm cooperado e solicitam um maior acompanhamento da “talentosa mocidade académica” (O Instituto, 8: 1-2).

Todos os contributos eram, portanto, bem-vindos, e eles foram chegando gradualmente, não só da Universidade mas de todo o país e depois até do estrangeiro. Para este fim, tornou-se fundamental o trabalho das Direções, ao procurarem expandir a distribuição d’O Instituto, ao torná-lo conhecido um pouco por todo o mundo, por intermédio das permutas e dos sócios correspondentes. Naturalmente, embora fosse recebido em vários países, o idioma deste periódico não deixava de constituir um obstáculo à sua difusão. Maioritariamente era escrito em português, embora tenha acolhido textos em espanhol, francês, inglês, italiano e alemão.

Ao longo da segunda metade do século XIX, os jornais de Coimbra iam anunciando o aparecimento do mais recente número d’O Instituto, sinalizando a consistência e originalidade deste periódico. O diário A liberdade, a 23 de agosto de 1863, notava ser O Instituto “o único literário de Coimbra e o único científico do reino”. Ao mesmo tempo, tratava-se de um periódico enquadrado na realidade local, publicando relatórios e documentos relativos a sociedades conimbricenses, como a Sociedade Filantrópica Académica ou a Sociedade Agrícola do Distrito de Coimbra.

De fora o reconhecimento exprimia-se, por exemplo, na pena de Camilo Castelo Branco, que assim se mostrava isento de qualquer ressentimento a respeito do caso das favas negras[68], tecendo rasgados elogios à revista O Instituto, num artigo escrito para o Eco americano em 1877: “O Instituto de Coimbra é o primeiro periódico do reino, em ciência e literatura”. Lamenta, porém, a sua fraca expressão para lá daquela cidade: “Fora do meio em que tem florescido, em estufa, pela dedicação extremosa de alguns filhos da Universidade, aquele precioso arquivo de conhecimentos é pouquíssimo conhecido”. Nem mesmo os estudantes formados que de Coimbra regressam às suas terras contribuem para a divulgação da revista: “o filho da Universidade nem sequer traz consigo uma coleção do Instituto cuja leitura inteligente vale mais que um capelo”. Acrescenta, por fim, que “Raros exemplares se deparam daquele magnífico periódico nas províncias, apesar de oferecidos por baixo preço nos armazéns da assembleia literária por conta da qual se publicam” (in Bibliografia portuguesa e estrangeira, a. 1, nº 8, 1879: 144). Numa outra ocasião, Camilo falará d’O Instituto como memorável repositório poético: “No Instituto, periódico de Coimbra, quase desconhecido cofre das gemas literárias de três gerações de rapazes de extremado engenho – eu lia as prosas e os poemas de Guilhermino de Barros, que foi distinto nos bancos escolares e nas diversões da literatura amena” (Castelo Branco, 1975: 234-235).

Boa parte da colaboração na revista resultava de convite da redação, como fica patenteado pela correspondência sobrevivente no Arquivo do Instituto relativa à década de 1890. Nela se encontra correspondência assente em convites do secretário da comissão de redação, Francisco Martins, a Júlio de Castilho, ao Visconde de Seabra, a Sousa Viterbo, a José Ramos Coelho, etc. Tratava-se, em particular, de compor um número comemorativo do centenário do Infante D. Henrique, para o qual o Instituto fora solicitado pela Câmara Municipal do Porto. Este tipo de números especiais ocorreu com alguma frequência ao longo da carreira editorial d’O Instituto.

Há comemorações de vários tipos, ou seja, O Instituto serviu muitas vezes de meio de evocação de algum acontecimento, ou de alguma personalidade. Os números comemorativos reuniam um conjunto de artigos especialmente preparados para evidenciar um tema em foco, sendo a maior parte deles de caráter histórico e biográfico. São os casos do nº 11 do volume 24 (1877), inteiramente dedicado ao centenário da morte do Marquês de Pombal; do nº 6 do volume 37 (1889), dedicado a Félix de Avelar Brotero; do nº 3 do volume 40 (1892), que comemora o 4º centenário de Cristóvão Colombo; dos números 8 e 9 do volume 41, que constituem o referido número comemorativo do quinto centenário do nascimento do Infante D. Henrique; dos números 4 e 5 do volume 45 (1898), que formam o número comemorativo do centenário da Índia; do nº 3 do volume 46 (1899), dedicado ao centenário do nascimento de Garrett; do volume 117 (1955), que comemora o 4º centenário de São Paulo; do número comemorativo do V centenário da morte do Infante D. Henrique (1961); entre outros.

Mas houve também celebrações contemporâneas. O número de março de 1920 foi dedicado à comemoração da paz, com colaborações do General Fernando Tamagnini, do economista Anselmo de Andrade e do professor da Escola Naval José Francisco da Silva. Alguns sócios mereceram a homenagem de um número especial. É o caso de Luciano António Pereira da Silva, falecido em 1926, ao qual foi consagrado no ano seguinte um número da revista. O mesmo se diga para Augusto Mendes Simões de Castro, Júlio Augusto Henriques, Eugénio de Castro, etc.

O alcance do centésimo volume d’O Instituto mereceu distinção especial do Governo. O Secretariado da Propaganda Nacional ofereceu uma lápide comemorativa, descerrada em sessão de 14 de outubro de 1942, onde se podia ler a seguinte inscrição:

NESTE EDIFÍCIO TEM A SUA SEDE A MAIS ANTIGA REVISTA LITERÁRIA DO PAÍS «O INSTITUTO» ASSOCIANDO-SE ÀS COMEMORAÇÕES DO TRICENTENÁRIO DO PRIMEIRO PERIÓDICO PORTUGUÊS O SECRETARIADO DA PROPAGANDA NACIONAL MANDOU COLOCAR ESTA LÁPIDE 5 DE DEZEMBRO DE 1941.

O acontecimento ficou assim ligado às comemorações que assinalavam o Centenário da Gazeta de Lisboa, considerada o primeiro periódico português. O Instituto, por sua vez, classificava-se então como um dos mais antigos em atividade, ombreando com periódicos tão longevos quanto o Açoriano Oriental ou o Jornal da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa.

Os conteúdos d’O Instituto até ao volume 100 estão indexados em dois volumes de Índices ideográficos e onomásticos, elaborados sob a direção de José Pinto Loureiro em 1937 e 1949. Pinto Loureiro, para além de sócio do Instituto, foi advogado, professor da Escola Industrial Brotero e ainda diretor da Biblioteca Municipal de Coimbra. Antes desta data, na verdade, o Instituto já havia recebido uma proposta de Alberto Meira para executar esse trabalho, em novembro de 1932 (Correspondência Recebida, 12.11.1932). Para os restantes volumes, 101 a 140/141, o investigador António José Leonardo, no âmbito da sua tese de doutoramento, que defendeu em 2011, intitulada O Instituto de Coimbra e a evolução da Física e da Química em Portugal de 1852 a 1952, elaborou os respetivos índices[69], de modo que todos os volumes se encontram, por conseguinte, classificados. 

Através desses índices, verificamos que os assuntos versados são de vária índole, da Antropologia à Zoologia, percorrendo de A a Z as diferentes disciplinas. De um ponto de vista quantitativo, que estes índices nos fornecem, podemos agrupar as seguintes categorias de matérias com mais artigos: Antropologia, Botânica e Zoologia; História, Arqueologia, Descobrimentos e conquistas; Ensino e Instrução Pública; Filologia, Poesia, Linguística e Literatura, principalmente Camões; Direito, Sociologia, Filosofia e Religião; Astronomia, Geometria e Matemática; Medicina; Coimbra (incluindo a Universidade, o Instituto, a Imprensa, Monumentos, etc.).

Um segmento de grande relevo ao longo dos 141 volumes d’O Instituto diz respeito ao ensino, e nem só o da Universidade de Coimbra. Contém diversos artigos com planos de reforma dos estudos, programas das cadeiras, orações de sapiência, etc. Alguns exemplos: o volume 12 (1865) publica o programa do curso de microscopia prática professado na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa em 1862-1863 por May Figueira; o volume 29 (1882) inclui um relatório e projeto de lei para a criação de uma cadeira de ensino prático na Faculdade de Medicina, assinado por A. A. da Costa Simões; o volume 31 (1884) contém um “Projeto de reforma da Faculdade de Filosofia da Universidade” e um “Projeto da reforma dos estudos da Faculdade de Teologia da Universidade” – seguindo-se idênticos projetos para as restantes Faculdades, nos volumes subsequentes; o volume 40 (1893) publica “Algumas informações sobre o Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra desde 1872”, incluindo uma relação dos instrumentos adquiridos desde essa data, e depois um artigo de Adriano de Jesus Lopes sobre o “Observatório Meteorológico e Magnético da Universidade de Coimbra”. 

Neste segmento se enquadra a maioria dos trabalhos publicados por Bernardino Machado, que desenvolve importante obra como educador, teorizando a temática em artigos como “Curso de pedagogia” (volume 47) e “A Universidade e a nação” (volume 51). Também inseridos no âmbito da investigação e ensino, surgem os vários relatórios de viagens científicas que O Instituto publica, por exemplo, no volume 12 (1865), dois relatórios, o de “Uma viagem científica em Angola” empreendida pelo naturalista Friedrich Welwitsch, em comissão do governo português, destinada à exploração científica da África ocidental portuguesa, e o de Lino de Macedo sobre uma visita a museus europeus, começando com “O Museu Anatómico do Dr. Pedro González Velasco, em Madrid”. No ano seguinte, sai à luz o “Relatório dirigido à Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra pelo seu vogal, em comissão fora do reino, o ex.mo sr. Dr. António Augusto da Costa Simões”, ou seja, o relatório do primeiro trimestre (janeiro-março 1865) de trabalhos de estudo no estrangeiro dos processos práticos de histologia e fisiologia experimental, de que foram incumbidos Costa Simões e Inácio Rodrigues da Costa Duarte, por portaria do Ministério do Reino de 18.8.1864. Estão compreendidas as visitas a Universidades estrangeiras, como a de Júlio Henriques, que participou no “Sexto centenário da Universidade de Montpellier” (volume 38).

Nota-se também uma grande incidência de temas históricos, de variada índole. Em relação ao domínio da história local, destacam-se os artigos de João Correia Aires de Campos, Augusto Filipe Simões e Augusto Mendes Simões de Castro. Inclui importantes textos de divulgação do resultado de explorações arqueológicas por todo o país, como é o caso de “A Citânia de Briteiros” (volume 24). Ao nível mais geral da história de Portugal, são de assinalar os estudos de Carlos de Passos, Eduardo Brasão, Artur de Magalhães Basto, Vergílio Correia, Armando Cortesão, Manuel Augusto Rodrigues, entre outros. 

Neste campo se encontra um dos mais produtivos colaboradores d’O Instituto, Francisco Marques de Sousa Viterbo (1845-1910). Formado na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa (1876), professor da Academia de Belas Artes de Lisboa, sócio da Academia Real das Ciências, arqueólogo, poeta, historiador, jornalista, Sousa Viterbo publicou uma parte dos seus numerosos estudos na revista de Coimbra. Eis alguns desses títulos: “O movimento tipográfico e literário em Coimbra no séc. XVI”, “Viagens da Índia a Portugal por terra e vice-versa”, “Inventores portugueses”, “Artes industriais e indústrias portuguesas”, “A Ordem de Cristo e a música religiosa nos nossos domínios ultramarinos”, “Subsídios para a história da música em Portugal”.

Uma secção de alto significado que esteve presente ao longo dos volumes d’O Instituto foi a publicação de documentos inéditos de variada espécie e de grande interesse que procuraremos agora ilustrar. Na introdução à publicação (volume 12) das “Preleções de Direito Pátrio, 1795-1796”, de Ricardo Raimundo Nogueira, que estavam manuscritas, lê-se que O Instituto tem em vista “não só perpetuar a memória de homens eminentes em ciências e letras pátrias, mas também dar conta a seus leitores de obras que mereçam atenção”. O volume 34 (1887) publica documentos inéditos cedidos ao Instituto por Júdice Biker, conforme se lê em rodapé (p. 581): «A redação do Instituto recebeu do nosso consócio, o sr. Júlio Firmino Júdice Biker, estes documentos com a nota seguinte: “Ofereço ao Instituto uns documentos inéditos, que copiei há anos do Arquivo do Ministério dos Negócios Estrangeiros, e me parecem de alguma importância para a história da geodésia em Portugal, em que trabalhou o doutor em Matemática Francisco António Ciera, lente de astronomia e navegação da antiga Academia Real da Marinha, e sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa”.

Com o “Livro em qve se escreuem as obediencias de nosso Padre Geral”, o volume 42 (1895) d’O Instituto abre uma nova secção para a publicação de inéditos e edições raríssimas. Este “Livro das Obediências dos Gerais” era um inédito onde os jesuítas do colégio bracarense da companhia registavam as ordens e instruções secretas que recebiam de Roma, as cifras de que se serviam nas suas correspondências e outras memórias e referências avulsas, encontrando-se desde a expulsão da Companhia de Jesus no Arquivo da Universidade. Seguem-se, na mesma secção, as “Cõstituyçoões do Bispado de Coimbra”. 

O volume 62 (1915) abre com “Documentos pombalinos (1777-1782)”, publicando cartas inéditas entre o Marquês de Pombal e o Conde de Rio Maior, com a menção de que “É essa obra que o Instituto hoje empreende, na convicção de prestar um serviço à história nacional. Para conseguir esta publicação, muito deve o Instituto à boa vontade e fidalga gentileza da Marquesa de Rio Maior”. Inclui fac-símile de uma carta do punho do Marquês de Pombal. Recordemos, por fim, os “valiosos inéditos de epístolas familiares”, como a coleção de cartas do cardeal Saraiva (S. Luís), ou as cartas do orador Francisco Rafael da Silveira Malhão.

A nível literário e artístico, acolhe tanto ensaios literários e estudos linguísticos como poesia, conto e drama. Destacam-se os textos de Antero de Quental, Teófilo Braga, Guerra Junqueiro, Henrique O’Neill, Thomas Blanc, Eugénio de Castro, Manuel da Silva Gaio, Fidelino de Figueiredo, Carolina Michaëlis, Vitorino Nemésio, Campos de Figueiredo, Joaquim Namorado, Urbano Tavares Rodrigues, etc. O poeta simbolista Eugénio de Castro influenciou visivelmente a redação da revista no final do século XIX e princípio do século XX, reunindo nela um conjunto de poetas, muitos estrangeiros, recrutados no mesmo momento para a lista de sócios. Veja-se o volume 42 (1895), onde o recente correspondente estrangeiro Brinn’Gaubast publica os versos “Assomption”, extraídos do Álbum oferecido a Puvis de Chavannes, “Vers Eden”, dedicado a Eugénio de Castro, “Rencontre”, “Refuge”. O mesmo se diga do poeta francês Philéas Lebesgue, com “A propos de Sagramor”. 

Na Revista Bibliográfica do nº 1 do citado volume, assinada “E.”, pela acentuada tendência literária, adivinha-se a mão de Eugénio de Castro. Lamenta o atraso com que chegam a Portugal os movimentos literários e alude ao escasso conhecimento que tínhamos de Wagner no teatro lírico. A revista inclui também diversas referências à obra de Eugénio de Castro e a artigos elogiosos que sobre ele se publicaram na imprensa estrangeira, assinados principalmente por Brinn’Gaubast. As revistas bibliográficas dos volumes subsequentes procuram acompanhar o movimento literário europeu, sobretudo perscrutando a publicação de revistas francesas e alemãs como L’ermitage, Revue blanche, Revue encyclopédique, Pan ou Bayreuther Blätter, onde colaboram nomes como Maeterlinck, Nietzsche, Novalis ou Strindberg.

Teófilo Braga escreve também nos domínios do Direito e da Sociologia, que são, junto com a Economia, outro setor muito desenvolvido n’O Instituto. Vejam-se, por exemplo, os trabalhos de José Frederico Laranjo, que englobam todas estas áreas, o estudo de Manuel Duarte sobre “Questões de finanças” (volume 40), ou os diversos artigos sobre o Código Civil português.

No que se refere às ciências naturais, sobressaem os artigos de Botânica e Zoologia presentes sobretudo entre os volumes 15 (1872) e 41 (1894). Por exemplo, a 2ª e a 3ª séries do catálogo de cogumelos do solo português foram publicadas n’O Instituto, volumes 27 e 28 (1880), por Felix von Thümen, a partir de uma recolha de exemplares por J. A. Henriques, Adolfo Frederico Moller, P. Gastão Mesnier, Estácio da Veiga, A. D. Moreira Padrão e M. Ferreira. Por impossibilidade do primeiro, a 4ª série foi continuada por G. von Niessl (vol. 31, 1883-1884), e a 5ª série por Georg Winter (vols. 32 e 34, 1884-1887). Júlio Augusto Henriques foi um colaborador assíduo da revista, com artigos como “O Jardim Botânico da Universidade de Coimbra” (volume 23). Ao eminente botânico foi depois dedicado o nº 5 do volume 65 (1918), com vários estudos sobre a sua obra.

No âmbito da Química, merecem relevo os artigos incidindo sobre a análise da composição das águas, tais como “Análise química de uma água de Vidago recentemente descoberta”, por Joaquim dos Santos e Silva (volume 31), os ensaios de análise das águas de abastecimento em Coimbra, por A. A. da Costa Simões (volumes 37 e 38), ou o trabalho apresentado à Câmara Municipal de Coimbra em 18.2.1897, de “Análise química das águas de Coimbra sob o ponto de vista higiénico”, por Charles Lepierre e Vicente José de Seiça (volume 44). São igualmente recorrentes os artigos de Matemática, Física, Astronomia e Medicina[70]

O artigo “Raios X de Röntgen”, publicado em novembro de 1896, demonstra que O Instituto servia de veículo de divulgação das novidades científicas. Este artigo de H. Teixeira Bastos informa: “Em dezembro de 1895, o professor Röntgen, da Universidade de Würzburg, anunciou a descoberta de uma nova espécie de raios...”. Faz referência a uma versão da comunicação de Röntgen na revista inglesa Nature de 23 de janeiro de 1896, divulgando-a à comunidade científica portuguesa. Termina: “Não é fácil prever desde já todas as aplicações científicas e industriais a que poderá prestar-se o novo processo. Tem-se sobretudo procurado aplicá-lo ao diagnóstico cirúrgico. O hospital da Universidade, acompanhando o movimento iniciado no estrangeiro, tem já feito ensaios animadores neste sentido. Em todas as experiências realizadas em Coimbra tem inteligentemente colaborado o distinto fotógrafo desta cidade, o sr. Adriano da Silva, a quem aqui rendemos o nosso agradecimento” (O Instituto, 43: 38-41).

Outro modo de divulgar o que se passava na comunidade científica era a publicação de notícias de congressos internacionais, e por vezes comunicações neles apresentadas. Seguem-se alguns exemplos. No volume 43 (1896), Charles Lepierre publica um relatório detalhado sobre o 2º Congresso Internacional de Química Aplicada, que se realizou em Paris, em 1896, relatório esse que foi enviado ao Ministro das Obras Públicas, sendo o autor delegado do Governo no congresso. O mesmo volume informa sobre o Congresso Pedagógico Hispano-Português-Americano e exposição pedagógica portuguesa em Madrid, em 1892, no âmbito das comemorações do descobrimento da América. O presidente da comissão organizadora era Rafael de Labra, Bernardino Machado o organizador da representação portuguesa. Inclui lista das notas e memórias portuguesas apresentadas, e nos volumes seguintes alguns dos textos das comunicações. A exposição pedagógica portuguesa instalou-se no 2º andar do Ateneu de Madrid, e constava de cerca de 200 fotografias de estabelecimentos de ensino, legislação, memórias, literatura pedagógica, uma edição dos estatutos da Universidade, trabalhos escolares, etc.

O volume 46 (1899) resume a memória apresentada por Rafael Torres Campos sobre o Congresso Internacional de Ciências Geográficas realizado em Londres em 1895, no qual representou o governo espanhol e as sociedades de geografia de Madrid. O volume 53, de 1906, inclui o Relatório de F. Tavares de Proença Júnior sobre o 1º Congresso Pré-Histórico de França, realizado em Périgueux, sob os auspícios da Société Préhistorique de France, em setembro de 1905, no qual representou o Instituto, encarregue pelo presidente Bernardino Machado, e realizou também conferências. Publica aqui o programa do congresso e os documentos que a ele deram origem, bem como a notícia sucinta das excursões científicas às estações arqueológicas do departamento de Dordogne realizadas nesse âmbito. Apresentou duas comunicações, no dia 28 de setembro de 1905: “Notice sur deux monuments épigraphiques” e “Camilo Castelo Branco et Gabriel de Mortillet”.

Por aqui se vê que O Instituto reuniu vários colaboradores espanhóis, como Rafael Altamira, Victoriano Ascarza, Antonio Maura, Horacio Bentabol, César Morán Bardón. Também a colaboração de língua francesa é significativa, com nomes como o do Cardeal D. J. Mercier, Clément Servais, Lucien Godeaux, Albert Capmas, M. E. Paloque. O próprio Raymond Poincaré, antigo Presidente da República Francesa, publicou “Politique mondiale: le Traité de Versailles”, no volume 72 (1925). Nos anos 1950/1960, uma presença assídua na revista é a do crítico de arte suíço Émile Schaub-Koch, assinando inúmeros artigos.

A revista O Instituto teve quatro séries: a primeira do volume 1 (1852) ao 16, a segunda do volume 17 (1873) ao 39, a terceira do 40 (1892) ao 71, a quarta do volume 72 (1925) ao final. A última destas partiu de uma proposta de Costa Lobo, Anselmo e Amadeu Ferraz de Carvalho (assembleia geral de 12.11.1924), que pretendiam assim dar maior desenvolvimento à revista, o que despoletou a oferta de valiosos trabalhos para publicação. Para esta nova série, resolveu-se constituir uma comissão de redação especial, onde se encontravam grandes nomes da cultura portuguesa. Os membros desta comissão eram os seguintes: honorários Carolina Michaëlis de Vasconcelos e Francisco Gomes Teixeira; efetivos Alberto Pessoa (secretário), Amadeu Ferraz de Carvalho, Anselmo Ferraz de Carvalho (vice-presidente), António Augusto Gonçalves, João Gualberto de Barros e Cunha, José Beleza dos Santos, Bento Carqueja, Bettencourt Rodrigues, F. M. da Costa Lobo (presidente), Elísio de Moura, Eugénio de Castro, Ferrugento Gonçalves, Fezas Vital, Fortunato de Almeida, Gago Coutinho, Jaime Cortesão, Joaquim de Carvalho, Joaquim de Vasconcelos, Luciano Pereira da Silva, Mendes Correia, Pacheco de Amorim, Paulo Mereia, Pedro José da Cunha, J. J. Pereira Dias, José Maria de Queirós Veloso, Ricardo Jorge, António Simões Baião, Manuel de Sousa da Câmara, Henrique Teixeira Bastos, Luís Inácio Woodhouse.

Na assembleia geral de 29 de março de 1925, Costa Lobo manifestava a sua satisfação com o êxito da nova série, com o facto de “terem sido recebidos numerosos e valiosos originais” (O Instituto, 72: 506), e destacava o papel desempenhado nesta ação por Anselmo Ferraz de Carvalho, Joaquim de Carvalho, Alberto Pessoa e Amadeu Ferraz de Carvalho. Em breve, porém, um duro golpe faria abalar a sólida estrutura d’O Instituto. A extinção da Imprensa da Universidade, em 1934, onde a revista era publicada desde o primeiro número, de 1852, trouxe sérias dificuldades à academia. Não obstante, encontrou soluções para se manter de pé e prosseguiu ainda por longos anos. Terminou com o volume 140/141, relativo a 1981, embora estivessem projetados pelo menos mais dois volumes. As dificuldades financeiras impediram a execução.

Conclui-se, pois, que a revista O Instituto abrangeu diversas áreas do conhecimento, procurando, de facto, dar expressão à sua finalidade de cultivar quer as ciências, quer as letras, quer as artes. Todas estão realmente representadas na revista, em proporção e em qualidade, daí que, apesar dos constrangimentos financeiros, O Instituto tenha granjeado prestígio e longevidade. Um símbolo do reconhecimento destas virtudes viajou do Brasil, onde O Instituto foi contemplado com o Grande Prémio na Exposição Internacional do Centenário da Independência, realizada no Rio de Janeiro em 1923 (Gazeta de Coimbra, 30.10.1923).



[67]  A revista O Instituto encontra-se digitalizada na íntegra e disponível em http://bdigital.sib.uc.pt/institutocoimbra/IndiceInstituto.htm. 

[68] Camilo Castelo Branco terá sido proposto para sócio do Instituto, durante a presidência de Adrião Forjaz, em 1861-1862, mas rejeitado por este com o argumento de que, devido ao escândalo provocado pela sua relação com Ana Plácido, de que resultou o encarceramento de ambos, não se tratava de indivíduo de boa moral e dignidade para entrar no Instituto. Após a sua libertação, foi a proposta votada e Camilo aprovado sócio honorário, porém, não alcançando o consenso, recebendo cinco favas negras na contagem. O diploma, que Forjaz só assinou depois de retirado o tratamento de “Excelência”, foi enviado a Camilo, mas este, sabendo do que se passara, recusa e, em resposta, ataca Adrião Forjaz numa carta publicada n’A Revolução de Setembro de 19 de março de 1862. Vd. Camilo Castelo Branco – As favas negras. In: Camilo Castelo Branco e Francisco Martins Sarmento – Obolo às creanças. Porto: Imprensa Portugueza, 1887. p. 121-127. Cf. João Bigotte Chorão – Páginas camilianas e outros temas oitocentistas. Lisboa: Guimarães Editores, 1990. p. 89-92.  


[69] Disponível em http://www.uc.pt/bguc/PDFS/ic.

[70] Para os temas relacionados com a Física e a Química, consultar António José Leonardo – O Instituto de Coimbra e a evolução da Física e da Química em Portugal de 1852 a 1952. [Coimbra: s. n.], 2011. Tese de doutoramento em Física, especialidade em História e Ensino da Física, apresentada à Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, 2011.