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Reconstituição das Classes

Observando uma nítida estagnação da atividade das classes durante cerca de vinte anos – desde meados da década de 1870 a meados da década de 1890, excetuando embora um maior dinamismo da Secção de Arqueologia, também ele interrompido –, a Direção do Instituto, presidida por Bernardino Machado, a 30 de maio de 1896 resolve instruir a reconstituição das três classes, que deveriam funcionar, nos termos do artigo 3º dos Estatutos. Para esse efeito, dirige aos sócios uma circular, datada de junho de 1896, convidando cada um deles a “inscrever-se na classe ou classes que desejar, a fim de que, feita a inscrição total, os atuais vice-diretores de cada classe promovam as reuniões necessárias para serem eleitos os sócios que, até ao fim do corrente ano, hajam de servir os respetivos cargos – excetuados, porém, na classe de Literatura, Belas Letras e Artes, os cargos da secção de Arqueologia, que tem organização especial (Regulamento Interno do Instituto, art. 24º, §2º) e está funcionando devidamente”.

Finda a inscrição, realizaram-se, a 3 de julho de 1896, as sessões de reconstituição de cada uma das classes. Serviram apenas para eleger, tal como preconizava Bernardino Machado, os respetivos cargos, quer da direção quer das secções. Os diretores votados foram: na Classe de Ciências Morais e Sociais, José Joaquim Fernandes Vaz; na Classe de Ciências Físico-Matemáticas, Luís Pereira da Costa; e, na Classe de Literatura e Artes, José Frederico Laranjo. Todos eles saíram reeleitos por unanimidade em dezembro de 1896. Depois desta última sessão, coincidente nas três classes a 22 de dezembro de 1896, cessam todos os registos de sessões de classe. Não quer dizer que deixem de ser eleitos os seus cargos, mas apenas temos conhecimento deles através das sessões de assembleia geral ou de direção do Instituto. Há também vagos registos de atividade de cada uma das classes. Por exemplo, na altura em que Bernardino Machado promove conferências sobre a reforma da instrução superior, O conimbricense anuncia sucintamente, para 21 de janeiro de 1899, uma sessão das classes reunidas para uma palestra sobre o plano geral do ensino.

Uma das mais importantes ações de classe procedeu, em março de 1901, da secção de medicina, portanto, de parte da 2ª Classe, que se reuniu, sob a presidência de Costa Alemão, secretariado por Daniel de Matos, assistindo muitos sócios, para debater questões médicas atuais. Nesta sessão, António de Pádua fez uma comunicação sobre as suas investigações relativas aos focos de malária presentes no país, apresentando dados concretos resultantes de inquéritos realizados em todo o território. O segundo interveniente foi Charles Lepierre, que falou sobre os trabalhos desenvolvidos no Gabinete de Bacteriologia da Universidade, “com o fim de obter um meio de cultura para as espécies microbianas, no qual o azoto seja fornecido à bactéria sob uma forma mais simples do que aquela em que ele se encontra nas substâncias albuminoides” (O conimbricense, 5.3.1901), proporcionando uma descrição minuciosa dos métodos seguidos, das hipóteses formuladas e dos resultados obtidos. Demonstra, pois, esta sessão científica que a secção médica do Instituto funcionava como ponto de reunião e divulgação dos trabalhos dos sócios.

Diferentes vestígios encontram-se nos processos de admissão de sócios, na intervenção que cabe à secção competente, cujos membros subscrevem os pareceres relativos aos candidatos. Por outro lado, a revista O Instituto recebeu ao longo de vários volumes uma configuração assente na repartição dos artigos distribuídos por classe. Este procedimento é visível a partir do volume 9 (1861) até ao 59 (1912), onde se encontram bem demarcados os contributos de cada classe para a revista, encabeçados pelo nome da classe ou da secção. Paradoxalmente, contudo, a diligência de reconstituição das classes parece ter alcançado diminuta expressão.