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Criação do Observatório Meteorológico e Magnético da Universidade de Coimbra

A missão de Jacinto de Sousa aos estabelecimentos científicos europeus recebeu entusiástica apreciação do Conselho da Faculdade que, em Janeiro de 1861, acabou por aprovar um voto de confiança em Jacinto de Sousa, para proceder pelo modo que entendesse mais conveniente quanto à criação do futuro observatório physico-meteorologico de Coimbra (Carvalho, 1872). E assim, em Agosto de 1861, Jacinto de Sousa regressa a Kew a pedido de Sabine para assistir à determinação das constantes dos magnetómetros, e para obter a necessária formação prática à boa utilização dos instrumentos sob a orientação de Balfour Stewart, director daquele observatório.

Vencidas que foram as etapas finais, como a aquisição de terreno na Cumeada (à época uma pequena colina do subúrbio leste da cidade) e a respectiva construção do edifício (segundo o projecto do engenheiro R. Beckley do Observatório de Kew), o Observatório Meteorológico e Magnético de Coimbra (OMMUC) é finalmente criado em 1864. Ainda que as observações meteorológicas tivessem tido início em Fevereiro de 1864 (com o observatório em construção), o regular funcionamento dos trabalhos de meteorologia acabaria por acontecer em Maio de 1864 (Sousa, 1877); embora as primeiras observações a ser publicadas sejam as de Setembro daquele ano. No que diz respeito às observações magnéticas, embora se conheçam registos de observações preliminares feitas desde Junho de 1864, foi somente em Junho de 1866 que se começaram a fazer com toda a regularidade as observações (que se encontram publicadas) para a determinação absoluta da inclinação e da força horizontal magnética, tendo estas sido completadas em Julho de 1867 com as observações da declinação magnética. Parte destas primeiras observações foram remetidas a Balfour Stewart, a quem Jacinto de Sousa chamou “meu mestre”. E em carta de 9 de Fevereiro de 1870, Balfour Stewart respondeu: “Your horizontal force observations appear to me extremely well”, fazendo-as de seguida publicar nos Proceedings of Royal Society of London

Quer as observações meteorológicas quer as magnéticas foram iniciadas pela mão de Jacinto de Sousa, que justamente tinha sido conduzido a primeiro director do OMMUC. Segundo Santos (1995), Jacinto de Sousa teve dificuldade em recrutar pessoal competente para a execução das observações, e a certa altura apenas Jacinto de Sousa e um observador asseguravam todo o serviço com observações tri-horárias entre as 6 horas da manhã e a meia-noite. Esta dedicação levou-o a construir uma casa na Cumeada junto do observatório, para melhor prestar assistência aos trabalhos. Contava apenas 62 anos quando nesta casa veio a falecer vitimado por um aneurisma. Em notícia necrológica, o colega e amigo Filipe Simões, referiu-se a Jacinto de Sousa como um homem “dotado de uma intelligencia perspicaz e de um grande amor no estudo das sciencias”.