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Reflexões finais

A concretização do projecto do observatório de Coimbra deveu-se ao envolvimento de várias entidades portuguesas e estrangeiras (particularmente inglesas), mas seria historicamente injusto não reconhecer que só se tornou possível graças ao entusiasmo e empenho de Jacinto de Sousa, que soube igualmente cativar personalidades influentes como Edward Sabine e Balfour Stewart.

Neste breve estudo são identificados dois grandes momentos que acabaram por contribuir para o sucesso da criação do OMMUC. O primeiro é assinalado com o requerimento feito ao rei D. Pedro V em Março de 1860, cujo deferimento permitiu ultrapassar as crónicas dificuldades pecuniárias que insistentemente faziam gorar os esforços da Faculdade de Filosofia. O segundo grande momento é assinalado com a viagem de Jacinto de Sousa a vários estabelecimentos científicos da Europa, em Agosto e Setembro de 1860. Desta viagem colheu Jacinto de Sousa informação e ajudas indispensáveis à realização do projecto que o animava, tendo no entanto sido em Kew que acabou por encontrar o modelo do futuro observatório de Coimbra. No exímio cumprimento da sua missão, viu Jacinto de Sousa ser-lhe reconhecido mérito e confiança para avançar com a criação do observatório “que de ha muito devera funccionar em Coimbra”.

Por fim, o relatório da viagem de Jacinto de Sousa sugere que no início da segunda metade do séc. XIX, a Meteorologia e o Magnetismo Terrestre na Europa pesavam essencialmente do lado da Inglaterra. Para aqui atraído, em poucos anos Portugal consegue apetrechar-se com dois observatórios modernos, em Lisboa (1854) e Coimbra (1864). Assim armado, Portugal ingressa finalmente nas fileiras daquela cruzada científica, onde, apesar da artilharia, mas sem batedores, se manteve sempre na retaguarda. Talvez o facto de possuir dois observatórios fosse muito para a dimensão geográfica e riqueza do país; mas era certamente demais para a sua pequenez, particularmente se nos lembrarmos que não são conhecidos quaisquer contactos ou colaborações científicas entre os dois observatórios, para além daqueles feitos por telégrafo (para enviar os boletins meteorológicos).